Suprimento volátil de café preocupa torrefadoras

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As torrefadoras de café estão lutando tanto por fatia de mercado quanto por matéria-prima, à medida que enfraquece a oferta do cobiçado pequeno grão colhido à mão. A indústria vai falar muito sobre este e outros assuntos voltados para o mercado em mutação na conferência anual da Associação Nacional do Café dos Estados Unidos, nesta semana.

A partir de quinta-feira, executivos de empresas que vivem do café, como a Starbucks Corp, a Kraft Foods Inc., e a JM Smucker Co. vão se juntar a grupos de produtores, casas de comércio de commodities e bancos na reunião em Charleston, no Estado americano da Carolina do Sul.

Outro tema de discussão será o crescimento explosivo das máquinas que servem uma única xícara de café. A Starbucks está no centro do frenesi do assunto. Atualmente, a empresa vende seu café nos sachês K-Cup, que trabalham com a máquina Keurig. As máquinas, feitas pela Green Mountain Coffee Roasters, estão na faixa de preço de US$ 80 a US$ 250. Mas, este mês, a Starbucks afirmou que vai começar a vender sua própria máquina, a Verismo, no segundo semestre, o que derrubou as ações da Green Mountain Coffee Roasters.

"O segmento premium da máquina de uma única xícara é o negócio que mais cresce dentro da indústria global de café", disse Howard Schultz, presidente da Starbucks, em um comunicado à imprensa anunciando o produto.

Em um estudo sobre as tendências de beber café, feito pela Associação Nacional do Café dos Estados Unidos, no ano passado, foi constatado que as máquinas de servir uma única xícara de café estão penetrando no mercado a uma taxa de crescimento de 1% ao ano, e 35% das pessoas com a máquina fez a compra nos últimos seis meses.

O grande desafio para torrefadores, porém, é o fornecimento de café. As chuvas torrenciais na Colômbia – que produz o grão arábica leve, o tipo frequentemente usado em café gourmet – danificaram as plantações, e juntamente com uma colheita de entressafra menor no Brasil, levou os preços ao maior patamar em 14 anos, no ano passado.

Quando os preços subiram, especialistas do setor dizem que os torrefadores mudaram suas misturas. Com a escassez dos grãos colombianos, e com os preços altos do café do solo nutrido por vulcões da América Central, os torrefadores se viraram para o arábica brasileiro, que é mais barato e geralmente é colhido mecanicamente e processado de maneira diferente.

Quando esses grãos ficaram muito caros, as torrefadoras foram atrás do robusta.

Para alguns conhecedores de café, robusta é uma palavra suja. Mais fácil de cultivar e primo menos caro do arábica, está em grande oferta neste ano, graças a uma forte colheita do principal produtor de robusta, o Vietnã.

Mas agora os preços do arábica estão caindo com a expectativa do que ocorra uma safra recorde nesta temporada no Brasil, a fonte de um terço de café do mundo. Os preços estão em baixa há 16 meses, e a diferença de preço entre o arábica e o robusta caiu para o menor nível desde agosto de 2010.

Portanto, a questão na reunião Associação Nacional do Café é se as torrefadoras vão melhorar a qualidade das suas misturas, reduzindo o uso do robusta e aumentando o do arábica.

As concessionárias de cafés especiais, em uma reunião recente da indústria em Nova York, parecem pensar que sim.

"Eu acho que vai ajudar um monte de torrefadoras", disse John Coyne, um comerciante em Edison, no Estado de Nova Jersey, que trabalha para a importadora de café Real New York Inc. "Eles devem ter um pouco mais de dinheiro para gastar" em grãos de melhor qualidade.

Fonte: The Wall Street Journal

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