Starbucks vê custos encolherem com mercado baixista do café

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Starbucks: a maior parte do excedente é de variedades do arábica encontradas em cafés especiais vendidos pelo Starbucks e outras cafeterias

Como muitos produtores de café, Nils Solorzano Villareal percebeu que fazia sentido aumentar a produção, já que os preços atingiram, em 2011, a maior alta em 14 anos. Agora, o agricultor costarriquenho de 71 anos de idade está colhendo com prejuízo.

Do Brasil ao Vietnã, as safras recordes estão provocando um superávit global que baixou os preços em 27 por cento neste ano e os está levando ao terceiro declínio anual e à maior queda em duas décadas.

Solorzano, que adquiriu mudas e fertilizantes para expandir sua fazenda de três para quatro hectares, disse que está gastando US$ 140 para produzir cada saca de 60 quilos e as vende por cerca de US$ 132.

“Nós aumentamos os investimentos nos últimos anos porque pensamos que os preços se manteriam altos”, disse Solorzano, por telefone, de Montes de Oro, onde ele planta há três décadas nas encostas do Pacífico, na Costa Rica, cerca de 130 quilômetros ao norte da capital San José.

“Nós ainda temos esperanças de que os preços se recuperarão em algum momento. Nós não podemos fazer nada mais porque a terra ao redor de nós é muito montanhosa”.

A produção global excedeu o consumo pela quarta safra seguida em 2014, o mais longo período de sobra em 11 anos, estima o governo dos EUA. O preço do arábica negociado em Nova York cairá 10 por cento até março, para US$ 0,95 a libra, o nível mais baixo desde julho de 2006, com base na mediana de 13 previsões em uma consulta da Bloomberg a operadores.

Os custos mais baixos melhoraram as margens de lucro da Green Mountain Coffee Roasters Inc., enquanto a Starbucks Corp. e a Kraft Foods Group reduziram o custo de varejo dos grãos embalados.

‘Nada altista’

“Tem tanto café por aí, em toda parte, que levará pelo menos um ano e meio para que os estoques diminuam e os preços comecem a se recuperar”, disse Roberto Higgins, diretor da Guide Investimentos SA Corretora de Valores, de São Paulo. “O mercado não está nada altista”.

A produção global crescerá 3,1 por cento no ano que começou em 1 de outubro, para 151,9 milhões de sacas (9,11 milhões de toneladas), 15 por cento a mais que em 2008, com um excedente de 8,7 milhões de sacas, disse o Macquarie Bank Ltd. em um relatório em 4 de outubro.

O excedente é suficiente para atender um ano de consumo de café da Alemanha, o terceiro maior consumidor, depois dos EUA e do Brasil. A maior parte do excedente é de variedades do arábica encontradas em cafés especiais vendidos pelo Starbucks e outras cafeterias, disse o banco.

Recorde do Brasil

O Brasil, maior produtor e exportador do grão, colherá um montante histórico de 59 milhões de sacas na safra que começa em abril, segundo a mediana de estimativas de oito operadoras e analistas consultados pela Bloomberg News.

A produção no país — que no ano que vem estará na metade de alto rendimento dentro do ciclo bienal das plantações — aumentou 69 por cento na última década, mostram dados do Departamento de Agricultura dos EUA.

Os custos mais baixos para os grãos ajudarão a elevar as margens de lucro operacional da Starbucks, com sede em Seattle, a maior rede de cafeterias do mundo, em até 2 pontos porcentuais no ano fiscal iniciado em 1 de outubro, após subir para 16,5 por cento no ano fiscal 2013, disse o diretor financeiro Troy Alstead em uma teleconferência sobre lucros, em 30 de outubro. Em maio, a empresa reduziu os preços de alguns cafés embalados vendidos em mercados nos EUA.

“Há muito café, do Vietnã ao Brasil”, disse Rodrigo Costa, diretor de comércio da Caturra Coffee Corp., uma operadora de Elmsford, Nova York. “Mesmo se os produtores reduzirem os investimentos, eles normalmente têm reservas de insumos, como fertilizantes, por um ano. Ao contrário das demais culturas de grãos, a produção de café não responde tão rapidamente a mudanças nos preços por causa do ciclo de vida das árvores que já estão plantadas”.

Fonte: Bloomberg via Exame.com

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