Sotaque alemão no café brasileiro

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A Associação Hanns R. Neumann Stiftung do Brasil, do grupo alemão Neumann, grande exportador mundial de café, pretende expandir de 1,7 mil para 4 mil, entre 2013 e 2016, o número de pequenos produtores brasileiros que participam de seu "Projeto Força Café".

A expansão do projeto conta com antigos parceiros e com um convênio com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). O investimento total para os próximos anos soma cerca de US$ 4,2 milhões. A meta é atingir 17 municípios mineiros, inclusive os da região da Zona da Mata. Atualmente, são atendidos cafeicultores de sete cidades no Sul de Minas, região onde também está instalada a fazenda do grupo Neumann no Brasil.

O projeto teve início no país em 2007 com 350 produtores de Santo Antônio do Amparo, no sul mineiro. Apenas agricultores cujas propriedades têm uma área média total de dez hectares e cerca de 3,5 hectares cultivados com café são cadastrados.

Com o projeto, a empresa passa a conhecer melhor a produção brasileira. A visão inicial dos estrangeiros é que a cafeicultura no país não enfrenta problemas, de acordo com o diretor-geral da Associação no Brasil, Elio Cruz de Brito. Segundo ele, a intenção do projeto é tornar o pequeno produtor mais competitivo.

Uma das maiores dificuldades entre os cafeicultores é a comercialização. O projeto incentiva a associação e o cooperativismo eficientes. Com organização, é mais fácil receber mais pelo café de qualidade, por exemplo. Além disso, o cafeicultor corre o risco de perder eficiência quando não dispõe de certos processos, como a análise de solo que impede desperdício no uso de fertilizantes e defensivos.

Outro problema a ser contornado é a falta de conhecimento sobre o custo de produção da fazenda. A intenção é criar cadeias comerciais sustentáveis. "Ninguém vai dar R$ 1 para eles se não conquistarem", afirma Brito.

Os primeiros frutos já começaram a aparecer. Alguns grupos organizados conseguiram comercializar a saca por R$ 10 a R$ 15 acima do preço de mercado para corretores locais. E um grupo em parceria com uma cooperativa conseguiu exportar diretamente, em 2010, um contêiner (cerca de 320 sacas) para uma importadora americana, a Atlas.

Por meio do convênio com o BID, o projeto começará a discutir com os produtores uma estratégia para a adaptação da cafeicultura diante das mudanças climáticas.

Fonte: Valor Econômico

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