Seca encolhe safra e café conilon fica mais caro no Espírito Santo

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Seca afeta produção de café conilon no Espírito Santo (Foto: Raquel Lopes/ A Gazeta)
Seca afeta produção de café conilon no Espírito Santo (Foto: Raquel Lopes/ A Gazeta)

A seca encolheu a safra do café conilon dos produtores rurais do Espírito Santo. Em uma propriedade de São Gabriel da Palha, na região Noroeste do estado, dos 100 mil pés de café, 30 mil morreram por causa da seca.

A produtora rural Fabrícia Colombi, dona da propriedade, só conseguiu colher 680 sacas, quantidade bem abaixo do esperado.

“Em 2014 foram 1,2 mil sacas e em 2016 só colhi 680 sacas. E isso ainda só foi possível porque renovei alguns pés de café há três anos”, comenta a produtora.

Com a estimativa de uma colheita ainda pior em 2017, a solução para a produtora foi antecipar a poda programada. Ela cortou de duas a três hastes do pé de café para antecipar a brotação e conseguir ter café em 2018.

Assim como na propriedade de Fabrícia, a seca prejudicou a produção de café conilon do Espírito Santo. Foram 5,3 milhões sacas colhidas de café conilon, o equivalente a 2,4 milhões a menos que 2015.

Segundo o engenheiro agrônomo e gerente de Agroecologia e Produção Vegetal da Secretaria de Estado de Agricultura (Seag), Aureliano Nogueira da Costa, a diminuição na produção por causa da seca e a grande demanda explicam o aumento do preço do café conilon, que chegou a ultrapassar o valor do café arábica tipo 7 e tipo 8.

O café arábica tipo 7 fechou o mês de agosto em R$ 400 a saca. Já o conilon chegou a custar R$ 417 a saca. Apenas o café arábica tipo 6 se manteve com preço acima do valor do conilon.

“O estado é o maior produtor de café conilon, qualquer alteração na safra altera o mercado. Já no caso do café arábica, mesmo tendo queda, não há alteração no valor, porque o Espírito Santo é o quinto maior produtor do país”, explica Costa.

Ele afirma que o conilon é usado como blend de bebidas especiais, o que aumenta muito a demanda. “Essa grande demanda e a oferta pequena influenciam no valor do café”, acrescenta.

Seca
Costa afirma que a seca atingiu especialmente as lavouras de café conilon que são, em sua maioria, irrigadas e estão localizadas principalmente nas regiões que mais sofrem com a crise hídrica – Norte e Noroeste do estado.

“Tinha lavoura para produzir, mas a falta expressiva de água afetou o crescimento da planta, a florada e produção de grãos. Além disso, os grãos produzidos foram com qualidade inferior”, explica.
Por causa da seca, a expectativa é que não haja crescimento em 2017. “Se repetir a colheita deste ano, já é satisfatório”, completou.

Fonte: G1 ES via A Gazeta (Por Raquel Lopes)

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