Saída em hora errada da bolsa traz prejuízo

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O sobe e desce da Bolsa de Valores têm assustado os investidores. Só este ano até setembro 17.604 pessoas deixaram o mercado de ações. Mas a orientação dos especialistas para quem ainda tem papéis na Bovespa é manter a calma para não antecipar a saída e evitar eventuais maiores perdas financeiras.

O cenário de fuga dos investidores está ligado às oscilações do mercado. Depois de seis meses consecutivos de baixa, o Índice da Bolsa de Valores (Ibovespa) registrou alta de 11,49% em outubro, o maior ganho mensal desde maio de 2009, quando a valorização foi de 12,49%. No entanto, a Bolsa acumula queda de 15,34% no ano.

“O sobe e desce e a falta de perspectiva sobre o que vai acontecer fazem com que os investidores tirem dinheiro da Bolsa para colocar em outras aplicações. Muitas pessoas não conseguem conviver com essa situação de volatilidade”, destaca o diretor da Expo Money, Luis Abdal.

Em geral, os pequenos investidores entram no mercado de ações quando ficam sabendo de casos de sucesso. É alguém da família que comprou ações e ganhou dinheiro. Ou é um amigo ou vizinho que se deu bem no mercado. “As pessoas estão saindo porque não têm conhecimento sobre casos de sucesso. A Bolsa está andando de lado, ou seja, está sem tendência definida, há três anos”, afirma o professor do Insper Ricardo Almeida.

Segundo o especialista em finanças pessoais do MoneyFit, André Massaro, o investidor precisa ter um objetivo de ganho e um limite máximo de perda. Quem aplica em ações e tem horizonte de longo prazo precisa manter a calma. “Ficar consultando toda hora o valor das ações é um fator causador de angústia e pode levar a tomar decisões que podem não ser as melhores”, diz Massaro.

Mesmo com o cenário incerto, o professor do Insper afirma que o investidor deve manter a intenção de comprar ações, mas é preciso saber quanto tempo vai deixar o dinheiro aplicado.

Na visão de Abdal, é preciso ter um pouco de calma. “A volatilidade é normal, pode cair ainda mais, mas também pode se recuperar. Vai depender do cenário externo”, completa. Para quem pretende movimentar suas aplicações, Abdal indica a troca de papéis por aqueles que pagam bons dividendos, como os ligados aos setores de energia e saneamento.

Três fatores

O investidor da Bolsa precisa, basicamente, se enquadrar em três fatores. O primeiro é estar disposto a correr riscos e não ficar preocupado com a volatilidade. O segundo é quanto tem para investir. É importante ter um montante suficiente para diversificar as aplicações. O terceiro está ligado ao prazo. O investidor não deve investir um dinheiro que tem destino certo no curto prazo.

A recomendação para quem não se enquadra neste perfil é buscar um investimento mais conservador. “O mercado de ações é influenciado pela economia mundial e nada indica que a crise esteja no fim. Na minha opinião, agora é o momento para um investidor com estratégia, e não para um investidor comum, sem conhecimento”, opina Massaro.

É o caso do publicitário Alexandre Peregrino Rocha, de 34 anos, investidor desde 2001. Ele teve um início turbulento no mercado, impactado pelos atentados de 11 de setembro. Desde então, tomou gosto, estudou e aprofundou os conhecimentos no mercado financeiro. “Tenho uma estratégia de acordo com meu perfil e tenho planos de investimentos contínuos no longo prazo”, conta. A recomendação do publicitário para quem pretende comprar ações é não entrar sem conhecimento. “É preciso saber o que está fazendo.”

Fonte: Jornal da Tarde

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