Saída do Reino Unido da UE pressiona mercado

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O mercado futuro de café arábica se recuperou ontem na Bolsa de Nova York (ICE Futures US), após três pregões consecutivos de perdas. Os contratos consolidam atuais níveis, depois de falharem na tentativa de buscar níveis mais altos.

O enfraquecimento do dólar contribuiu para impulsionar as cotações. Investidores mostraram apetite por risco, com o otimismo em relação à permanência do Reino Unido na União Europeia. Os britânicos, no entanto, decidiram que a parceria de mais de 40 anos entre o Reino Unido e a União Europeia deve acabar, optando pela histórica e inédita saída do grupo europeu, o chamado Brexit.

O resultado foi um movimento generalizado de aversão ao risco. As bolsas europeias despencaram, assim com os papéis dos bancos. O índice do dólar subia mais de 2% no início da manhã (horário de Brasília), enquanto as commodities agrícolas tinham forte desvalorização.

O clima nas regiões produtoras brasileiras deve ficar em segundo plano nesta sexta-feira. O tempo volta a ficar seco, depois da passagem de um sistema de baixa pressão atmosférica, que provocou ontem chuva dispersa e trovoadas sobre São Paulo e sul de Minas Gerais. “A partir desta sexta até terça-feira da próxima semana, o tempo seco retorna para toda a área produtora”, prevê a Somar. Não há previsão de frio intenso pelos próximos dez dias nas áreas produtoras, de acordo com a Somar.

Os fundos de investimento devem ter reduzido o saldo líquido comprado em café em Nova York. Isso é o que deve mostrar relatório de hoje à tarde da relatório da Comissão de Comércio de Futuros de Commodities (CFTC). No levantamento anterior, do dia 14, os fundos estavam com saldo líquido comprado de 19.137 lotes no dia 14, considerando futuros e opções.

Pelos indicadores técnicos, o mercado trabalha dentro do intervalo entre 146,85 cents (máxima de 9 de junho) e 133,90 cents. Enquanto o nível de 133,90 cents permanecer intacta, Nova York continuará com viés neutro a altista no curto prazo, segundo análise da Dow Jones.

Os futuros arábica em Nova York trabalharam no terreno positivo em boa parte do pregão de ontem. Os contratos com vencimento em setembro/16 subiram 2,29% (320 pontos), a 142,90 cents. O mercado teve máxima de 143,25 cents (mais 355 pontos). A mínima foi de 139,10 cents (menos 60 pontos).

O mercado físico de café foi fraco de negócios ontem, apesar da alta dos futuros em Nova York. A queda do dólar anulou boa parte dos ganhos no mercado futuro, travando os negócios, informa corretor de Santos (SP). O comentário na praça do litoral paulista é que café tipo 6, de boa qualidade, safra 2015, foi cotado a R$ 530. Café da safra nova, 2016, vale R$ 520 a saca, dependendo da cata. Grãos da safra 2014 são cotados a R$ 490 a saca. Café mais fraco, duro/riado, foi cotado a R$ 450 a saca. Grãos bebida rio são cotados a R$ 420 a saca.

Os pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP) informam que as cotações do arábica no mercado físico brasileiro subiram ontem. O indicador Cepea/Esalq do Café Arábica tipo 6, bebida dura para melhor, posto na capital paulista, teve média de R$ 496,64/saca de 60 kg, alta de 1,47% no dia. Segundo apurou o Cepea, os negócios foram pontuais, sem comercialização de grandes volumes. No geral, agentes comentam que os cafés da safra nova ainda não foram disponibilizados em grandes quantidades, limitando o volume do grão disponível para comercialização imediata.

Os preços do café robusta subiram novamente no mercado capixaba nesta quinta. Conforme o Cepea, mesmo com a colheita da safra 2016/17 próxima do encerramento no Espírito Santo (o que deveria elevar a oferta), o volume da variedade disponibilizado para comercialização é baixo, o que tem garantido preços firmes.

Compradores já se mostram preocupados com o abastecimento de robusta, visto que boa parte da produção, que não deve ser elevada (23,3% menos que na temporada anterior, segundo a Conab), já está comprometida em negócios fechados anteriormente.

O Indicador Cepea/Esalq do robusta tipo 6, peneira 13 acima, fechou a R$ 395,26/saca de 60 kg, aumento de 0,37% frente ao dia anterior. Em relação ao mesmo dia de maio, a valorização é de 2%. O tipo 7/8, bica corrida, ficou em R$ 384,21/saca de 60 kg, avanço de 0,24% na mesma comparação – ambos à vista e a retirar no Espírito Santo.

Fonte: Agência Estado via Café da Terra

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