Safra do café arábica cai 33% por causa de tempo seco no Sul do ES

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O clima e a bienalidade negativa não estão ajudando a safra do café arábica deste ano. A falta de chuva nos primeiros meses de 2019, período em que o grão cria corpo, prejudicou a colheita, que será 33,6% menor do que a de 2018. Com isso, a estimativa é de que o Espírito Santo produza 3,15 milhões de sacas beneficiadas da variedade.

Os dados foram divulgados na última semana no 3º Boletim da Safra de Café da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Segundo o estudo, aproximadamente 75% dos 152,1 mil hectares destinados à produção no Estado já foram colhidos. A área de colheita deste ano está menor do que a de 2018 (156,6 mil hectares). Já a área em formação passou de 14,5 mil hectares, em 2018, para 11,6 mil hectares neste ano.

A bienalidade negativa do arábica – que ocorre depois de um ano de alta produtividade – já anunciava que a colheita deste ano seria menor do que a de 2018 (4,7 milhões de sacas beneficiadas). Mas, o que não foi previsto era a condição climática que a região Sul do Espírito Santo, principal área de plantio do grão, enfrentou.

Além disto, neste ano, a área de colheita encolheu. Dos 535,2 mil pés de café que estavam em produção no ano passado, 519,8 mil permanecem neste ano. Já os pés em formação passaram de 59 mil para 47,2 mil, uma redução de 20%.

A união desses fatores fez a produtividade do café despencar 31%. Em 2018, o produtor conseguiu colher 30,34 sacas por hectare. Já neste ano, a média passou para 20,73 sacas por hectare.

EXPECTATIVA
A nova projeção da colheita está à margem da projeção divulgada em janeiro deste ano, no 1º Boletim da Safra de Café da Conab, antes do período de estiagem começar. Naquele momento, a expectativa era de que o Estado colhesse entre 3 milhões e 3,46 milhões de sacas de arábica.

No início do ano, com o anúncio de uma supersafra de cafés, arábica e conilon, os preços começaram uma queda ainda mais acentuada do que a que vinha enfrentando. Muitos produtores afirmavam que, com a seca, perderiam muitos grãos e teriam prejuízos com o preços baixos.

“A nova divulgação da Conab corrigiu os números divulgados no início do ano, que eram muito maiores. O café arábica está diante de uma safra quebrada (menor) por conta da situação climática que enfrentou no início do ano. Já o conilon não foi tão impactado e terá uma colheita de 10,3 milhões de sacas no Estado, segundo a Conab”, aponta Edimilson Calegari, gerente comercial de café da Cooperativa Agraria dos Cafeicultores de São Gabriel da Palha (Cooabriel).

BUSCA POR PREÇO
Por ser uma commodity, o preço da saca do café é norteado por sua cotação na bolsa. De acordo com o especialista do Mercado de Café da Cooperativa Agropecuária Centro Serrana (Coopeavi), João Elvídio Galimberti, as cotações do arábica na Bolsa de Nova York devem se manter voláteis nos próximos meses.

Atualmente, os valores estão próximos ao preço de custo de produção do grão. Entre os motivos que causaram essa desvalorização do café no mercado internacional está o superávit da produção global no último ciclo (2018/19) no Brasil e no Vietnã.

“Soma-se a isso a expectativa de uma boa oferta vietnamita em 2019/20 e brasileira em 2020/21, que limitam uma melhora acentuada nos preços – apesar de estarmos falando de safras futuras (que em nossa avaliação é muito prematuro, principalmente de devido a fatores climáticos), são estes os elementos com que trabalhamos no mercado”, explica Galimberti.

Apesar das boas colheitas, o déficit global de café projetado para o ciclo 2019/20, próxima safra, está em 4,1 milhões de sacas. Com isso, o especialista aponta ainda que deve ocorrer uma leve melhora nas cotações internacionais do grão, já que haverá redução de produto no mercado.

Fonte: Gazeta Online

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