Safra 2021: Cafeicultores devem aproveitar as chuvas do fim do ano para recuperar o estado nutricional das lavouras

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INMET safra cafe 2021Nas últimas semanas as chuvas chegaram em grande parte do Brasil com maior volume, principalmente na região da Zona da Mata mineira. Nas próximas semanas aumentam os riscos de ocorrência de chuvas mais intensas, chamadas popularmente de “chuvas torrenciais”, com possibilidade de ventanias.

Confira o prognóstico apresentado pelos pesquisadores da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), empresa vinculada à Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), Williams Ferreira (Embrapa Café/ Epamig)¹ e Marcelo Ribeiro (Epamig)².

Condições consistentes ao La Niña

A temperatura da superfície do mar na parte centro-leste do Pacífico está cerca de 1ºC abaixo da média, e a circulação atmosférica da região tropical tem sido consistente com a que, normalmente, ocorre em condições de La Niña. As previsões são de que esse evento continue no verão e finalize em meados do próximo outono, entre os meses de abril ou maio.

Um dos efeitos desse fenômeno, que é o aumento das chuvas na Amazônia, deverá se confirmar nos próximos meses. O monitoramento das chuvas realizado pelo INMET revela que o maior volume de chuvas ocorreu em Minas Gerais, contribuindo para a agricultura do estado.

A chuva em dezembro

Para dezembro, a probabilidade de ocorrência de chuvas, um pouco acima da média do mês, em Minas Gerais, concentra-se nas seguintes mesorregiões: Norte e Noroeste, Central, Vale do Rio Doce, Vale do Mucuri e no Jequitinhonha. É esperado, também, maior volume de chuvas em todo o estado de Goiás e no Distrito Federal, bem como na porção mais ao sul da mesorregião Nordeste e em algumas partes da mesorregião Norte do Mato Grosso.

Em todo o estado do Amazonas, as chuvas poderão ficar acima da média, principalmente na mesorregião Norte. Chuvas abaixo da média deverão ser esperadas em todo o Rio Grande do Sul e na mesorregião Norte do Amapá.

A chuva em janeiro de 2021

É esperada a ocorrência de chuvas pouco acima da média do mês de janeiro em todo o estado do Amazonas, bem como nas seguintes mesorregiões: Marajó e Sudeste e Nordeste paraense, e em grande parte da mesorregião Sudoeste paraense.

Chuva acima da média também é esperada na mesorregião de Presidente Prudente, em São Paulo, e Norte Central e no Norte Pioneiro Paranaense. Na mesorregião do Norte de Minas é esperado que, em janeiro, o volume de chuvas fique abaixo da média.

A chuva em fevereiro de 2021

No mês de fevereiro, chuvas acima da média poderão ocorrer na mesorregião Sudoeste Paraense e nos estados do Amazonas e do Amapá como um todo. Neste mês chuvas abaixo da média são esperadas nas seguintes mesorregiões: Norte, Jequitinhonha e Vale do Mucuri, em Minas Gerais; no Extremo Oeste Vale São-Franciscano, Centro Sul, Centro Norte e Nordeste Baiano; Agreste Sergipano; e Distrito Federal.

O trimestre

Para o trimestre que compreende os meses de dezembro de 2020 e janeiro e fevereiro de 2021, é esperada a ocorrência de volume de chuvas acima da média para as mesorregiões do Leste de Mato Grosso do Sul, Presidente Prudente e Araçatuba em São Paulo, Norte Central e Centro-Sul Paranaense

Em Minas Gerais, o trimestre poderá ser um pouco mais chuvoso na porção mais a leste da mesorregião Oeste e na porção mais a oeste da mesorregião Campo das Vertentes. Na porção mais a oeste da mesorregião Sul/Sudoeste de Minas há maior probabilidade de as chuvas ocorrerem acima da média. De maneira geral, é esperado que os meses de janeiro e fevereiro de 2021 sejam mais secos do que o normal.

Na parte central do Brasil, o volume de chuvas poderá ocorrer abaixo da média em uma área maior, que compreende as mesorregiões Nordeste e grande parte do Norte Mato-Grossense; pequena parte do Sudeste Paraense; todo o estado do Tocantins; o Extremo Oeste Baiano, o Vale São-Franciscano, uma parte do Centro Sul e Centro Norte Baiano.

A temperatura

As temperaturas poderão ficar acima da média nas mesorregiões do Sudeste e Nordeste Paraense, na parte Ocidental do Tocantins, em todo o Nordeste a partir da mesorregião Centro Norte Baiano, no litoral de toda a região Nordeste desde Salvador até o Amapá. Ainda em todo o leste do Rio Grande do Sul, nas mesorregiões do Oeste Catarinense, Centro-Sul, Sudoeste e Oeste Paranaense, bem como em uma área na fronteira do Mato Grosso do Sul, Goiás e Mato Grosso, que também poderão apresentar temperaturas mais elevadas do que o normal para o mês de dezembro.

As temperaturas poderão ficar acima da média na área que abrange quase todo o estado do Mato Grosso, Goiás, Tocantins, Sudeste Paraense, Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, parte de Pernambuco, Sergipe e na porção norte do Vale do São Francisco na Bahia; no Noroeste de Minas, na parte do Triângulo Mineiro e parte do Sul/Sudoeste de Minas. E também na maior parte do Paraná, em todo o estado de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul.

As temperaturas poderão ficar acima da média em quase todo o estado de Minas Gerais, no Espírito Santo, grande parte de Goiás e no Distrito Federal, além de em grande parte da Bahia e parte do Piauí, de Pernambuco e da Paraíba, e nos estados de Sergipe e Alagoas. E também nos estados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina e na porção mais ao sul do Paraná.

O Café

Apesar do atraso do início do período das chuvas e das baixas precipitações ocorridas em setembro e outubro, novembro e dezembro prometem chuvas mais generosas no cinturão cafeeiro para a recuperação de lavouras que apresentam alto desfolhamento. Com a volta das chuvas e a recuperação do vigor vegetativo das plantas, muitos produtores já iniciaram os tratos culturais para a recuperação do estado nutricional das plantas, fazendo adubações e pulverizações para repor os nutrientes removidos pela alta safra colhida.

Esta reposição deve ser feita com base no resultado da análise de solos realizada após a colheita e as próximas adubações e pulverizações devem se basear também na análise foliar que deverá ser realizada no mês de dezembro, quando os frutos estiverem no estado de chumbinho.

Diante do quadro de atraso no início das chuvas e das baixas precipitações ocorridas neste período, associado à previsão de probabilidade de chuvas abaixo da média e de altas temperaturas no início de 2021, há grande preocupação com o tamanho e qualidade da próxima safra. Considerando a previsão de chuvas abaixo da média no início do próximo ano, é recomendado que os produtores aproveitem este final de ano para recuperar o estado nutricional de suas lavouras realizando pelo menos duas adubações e pulverizações neste período, além de outros tratos culturais.

Vários são os motivos que apontam para uma safra de baixa produtividade e qualidade: próxima safra de bienalidade negativa; atraso do início das chuvas, que retardou o início dos tratos culturais; baixos preços do café e altos preços dos insumos, que desestimularam os produtores a tratar de suas lavouras; alta incidência de ferrugem e infestação de bicho mineiro, que aumentaram o desfolhamento das lavouras; muitas lavouras foram e ainda estão sendo podadas devido ao grande depauperamento apresentado após a colheita; altas temperaturas e baixas precipitações no início das chuvas, que causaram abortamento de floradas e baixo vingamento de frutos; chuvas irregulares, que estimularam muitas floradas distantes comprometendo a próxima colheita e a qualidade da próxima safra; previsão de probabilidade de altas temperaturas e chuva abaixo da média nas regiões cafeeiras no início do próximo ano, que poderão comprometer o enchimento dos frutos.

Diante dessas condições, e com a provável confirmação do mercado, no início do próximo ano, de que a safra de 2021 será de baixa produtividade e qualidade, há possibilidade de que os cafés comercializados no início do próximo ano possam ser melhor remunerados.

Prognóstico

A análise e o prognóstico climático aqui apresentados foram elaborados com base na estatística e no histórico da ocorrência de fenômenos climáticos globais, principalmente, daqueles atuantes na América do Sul. Considerou-se também as informações disponibilizadas livremente pelo NOAA; Instituto Internacional de Pesquisas sobre Clima e Sociedade — IRI; Met Office Hadley Centre; Centro Europeu de Previsão de Tempo de Médio Prazo — ECMWF; Boletim Climático da Amazônia elaborado pela Divisão de Meteorologia (DIVMET) do Sistema de Proteção da Amazônia (SIPAM) e com base nos dados climáticos disponibilizados pelo INMET(5º DISME)/CPTEC-INPE.

O prognóstico climático faz referência a fenômenos da natureza que apresentam características caóticas e são passíveis de mudanças drásticas. Desta forma, a Epamig e a EMBRAPA Café não se responsabilizam por qualquer dano e / ou, prejuízo que o usuário possa sofrer, ou vir a causar a terceiros, pelo uso indevido das informações contidas na presente matéria. Portanto, é de total responsabilidade do usuário (leitor) o uso das informações aqui disponibilizadas.

¹Pesquisador da Embrapa Café/Epamig Sudeste na área de Agrometeorologia e Climatologia, atua principalmente em pesquisas voltadas para o tema Mudanças Climáticas Globais e cafeicultura. – williams.ferreira@embrapa.br

²Pesquisador da Epamig na área de Fitotecnia, atua em pesquisas com a cultura do café. mribeiro@epamig.br

Fonte: Ascom Epamig e foto de INMET/Divulgação