Rumos da Cafeicultura viram documento norteador para 2014

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Um documento contendo a direção que o setor cafeeiro deverá seguir a partir de 2014. O documento conterá as necessidades da cadeia produtiva do grão de curto, médio e longo prazos. Após a compilação das discussões desta quinta-feira (19/12), o material será distribuído aos membros da cadeia produtiva e ao governo, na expectativa de que políticas efetivas sejam criadas para desenvolver o setor.

Abertura – O seminário acontece na Casa do Cooperativismo, em Brasília, com apoio do Sistema OCB. A abertura foi realizada quarta-feira (18/12) e contou com presença do ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Antônio Andrade, o presidente do Sistema OCB, Márcio Lopes de Freitas, o presidente executivo do Conselho Nacional do Café, Silas Brasileiro, e diversas outras autoridades. Ao longo do dia de hoje, o painel “Perspectivas para o Mercado do Café” reuniu os principais representantes da cadeia produtiva do grão, no Brasil.

Cenário atual – O Seminário serviu para que o público – especialistas de mercado e lideranças do setor – deliberasse sobre o cenário atual e, por fim, traçasse um prognóstico para o futuro da cafeicultura no País, já que estão cientes de que a cafeicultura brasileira necessita de um planejamento de médio e longo prazos para não ser tão refém das oscilações do mercado.

Opinião – Durante a abertura do seminário, ficou clara a necessidade de políticas de longo prazo, incentivando a produção, o beneficiamento e a comercialização do café no Brasil. Confira a opinião das autoridades e especialistas:

Planejamento – “Para nós, do Sistema OCB, é uma grande honra receber tantos amigos aqui, na Casa do Cooperativismo, a fim de discutirmos assuntos de tão grande relevância para a economia nacional. O café não é apenas uma commodity é o representante da história deste País. É por isso que acho importante que, deste seminário, saia um plano estratégico claro, com previsão de melhoria da qualidade de vida do homem lá da roça, que nem sequer sabe da nossa existência. Desde 2006, temos falado da necessidade urgente de um plano estratégico sustentável. Então, vamos tirar isso do mundo das ideias e aplicá-lo de forma a contribuir com o desenvolvimento do País”. Márcio Lopes de Freitas – presidente do Sistema OCB

Agente Social – “Nós queremos um “norte” para a cafeicultura do País. Precisamos de um documento que seja eficiente e não improvisado. Acredito que o governo não sabe o que queremos e, por isso, estamos aqui: para definir os rumos do café brasileiro. Quando soubermos o que queremos de fato, o governo haverá de nos ouvir e apoiar. Estamos aqui para encontrar formas de oferecer tranquilidade ao homem do campo e suas famílias. Todos os dias, muitas interrogações invadem a mente dessas pessoas. Vai chover? Fará sol? Meu produto é bom? Vou conseguir vender? Qual será o preço? O documento que produziremos aqui servirá de base para o governo nos ajudar a conquistar os resultados que desejamos. Para concluir, gostaria de enfatizar que o café não é só um agente econômico. É social, também. Quando o café vai bem, a violência diminui, o número de pessoas que precisa de cestas básicas ou medicamentos cai. Se o café vai bem, todo mundo ganha”. Silas Brasileiro – Presidente executivo do Conselho Nacional do Café (CNC)

Foco no cliente – “Quando falamos de cadeia produtiva, não podemos pensar distintamente em produtor, indústria e consumidor. A cadeia é o resultado da soma desses três agentes. E é o consumidor quem manda. É ele quem paga a conta e diz o que o produtor e a indústria deverão produzir. Então, é preciso ouvi-lo. Embora todos digam que o cenário do café é o pior possível, vejo-o com muito otimismo. Nós já passamos por crises muito piores e as superamos. A julgar pelos bons exemplos de outras culturas, como a soja, o milho e a carne, temos um belo caminho pela frente. O produtor tem de estar motivado e estamos trabalhando para isso; a indústria precisa ter seus lucros, do contrário, perde sua razão de ser; e o consumidor, por fim, precisa ser atendido em suas necessidades. Por isso, é preciso melhorar a qualidade, a produtividade, a gestão e a competitividade. Só assim teremos um bom futuro. O momento de agora é o exato para sabermos o que queremos e o que faremos para obter esse futuro melhor. O Brasil já é o primeiro produtor e o segundo consumidor, mas nós precisamos ser reconhecidos como o país que tem o café de maior qualidade. O Ministério está de portas abertas para discutir e trabalhar pelo café que ajudou tanto na industrialização do País.” Antonio Andrade – ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

Inovação – “Nossa presença aqui, hoje, mostra o quanto todos nós estamos no mesmo barco e, mais ainda, o quanto a nossa responsabilidade é grande diante desse setor. Os problemas se agravam ano após ano. Vejamos: as exportações do café brasileiro têm caído vertiginosamente nos últimos três anos. Comparamos o período entre janeiro e novembro, desde 2011, e levamos um susto. No primeiro ano, as exportações foram de US$ 8,7 bilhões; em 2012, esse valor caiu para US$ 6,5 bilhões; já, neste ano, o resultado foi de US$ 4,9 bilhões. Uma queda de quase 50% em apenas três anos. O preço da saca também caiu. Em 2011, era vendida por R$ 494,00; em 2012, o valor foi de R$ 390,00; e, em 2013, R$ 290,00. Outro dado alarmante é o aumento da importação do café que o consumidor brasileiro quer. De 2011 para 2012, importamos 36%. De 2012 para 2013, a importação foi de 56%. O que percebo é que o setor cafeeiro não está acompanhando a exigência do mercado consumidor, que quer qualidade, comodidade, conforto e marca. Acho que a palavra ‘inovação’ não pode ficar de fora das discussões deste seminário.” Rita de Cássia Milagres Vieira – Coordenadora geral de Agronegócio do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio

Sustentabilidade – “Sabemos que estamos diante de uma crise crônica. Uma ameaça ao mercado onde atuamos. Em 2012, por exemplo, a produção aumentou 10%, mas tivemos um dos menores preços pagos pela saca do café. Precisamos reverter essa situação, tendo em vista o consumidor que fez a sua parte: comprando, pagando, consumindo. Espero que possamos, neste seminário, onde estão presentes os principais atores da cadeia produtiva do café, garantir sustentabilidade econômica e retorno aos produtores.” Robério Oliveira – Diretor executivo da Organização Internacional do Café (OIC)

Perenidade – “De todos os estados de Minas Gerais, 640 deles têm o café como principal fonte de renda. São mais de três milhões de pessoas cuja subsistência depende exclusivamente da produção desse grão. É por isso que estou aqui, para defender a criação de políticas públicas efetivas e mais constantes. Não podemos ser submetidos a programas ou leis que mudam sempre que o governo alterna. O que queremos é um planejamento de longo prazo para a cafeicultura. Quem sabe se estimulássemos o brasileiro a tomar mais do nosso café? Quem sabe se tivéssemos um comercial mundial sobre o café brasileiro? Precisamos cuidar desse grão, pois como sabemos, foi o café que financiou grande parte da estrutura do País. Brasília, por exemplo, foi construída com recursos oriundos da cafeicultura. O futuro do estado de Minas Gerais depende vitalmente do futuro da cafeicultura brasileira.” Elmiro Nascimento – Secretário de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais

Visão – “O café tem sido observado com bastante atenção pelo setor econômico por sua importância para o Brasil. É um momento bastante apreensivo, pois vemos que a atualidade não nos mostra um cenário bom, mas é um cenário que precisa ser considerado. Então, as soluções deverão ser conjuntas. É por isso que defendo a união entre todos os atores desse setor. Assim, será possível ter uma visão clara do produto para a economia brasileira. O setor, unido, pode fazer uma diferença significativa e isso é possível. Afinal de contas, essa plateia nos evidencia isso: é constituída por representantes dos mais diversos elos de uma mesma cadeia, discutindo juntos. A união na cafeicultura brasileira já é uma realidade”. João Rabelo – Secretário-adjunto de Política Econômica do Ministério da Fazenda

União – “Acho que a iniciativa do Sistema OCB e do CNC em realizar este seminário vem em momento bastante apropriado, pois estamos vivendo um período bem cheio de ameaças… talvez um dos mais críticos da história da cafeicultura brasileira. Entretanto, acredito que nos momentos de crise, as oportunidades também aparecem. É preciso enxerga-las. Por exemplo, diferente de dez anos atrás, hoje, todos os membros da cadeia produtiva do café estão sob o mesmo teto, discutido soluções práticas que resolverão os problemas de um grupo: nós. Juntos, poderemos transformar o Brasil no líder mundial do mercado internacional de café.” Breno Mesquisa – Presidente da Comissão Nacional do Café da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA)

Ranking – Segundo o CNC, o Brasil é o maior produtor e exportador mundial de café e ocupa a segunda posição no ranking do consumo global, atrás apenas dos EUA. Apesar da vitalidade da cafeicultura nacional, o setor está sujeito às oscilações de preço e foi diretamente impactado pela crise atual. Dados preliminares apontam que o endividamento da cafeicultura alcance, hoje, cerca de R$ 6 bilhões e, em meio ao cenário de perda de renda e competitividade, o Sistema OCB e o CNC entendem que é necessário unir toda a cadeia produtiva e pensar em políticas estruturantes para evitar que o setor não sofra tanto os impactos da volatilidade do mercado.

Números – Em 2013, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) prevê que foram colhidas 47,5 milhões de sacas de 60 kg de café no País. As exportações nacionais, no ano passado, totalizaram cerca de 28,5 milhões de sacas, gerando uma receita aproximada de US$ 6,5 bilhões, e o consumo foi de 20,3 milhões de sacas, ou quase 83 litros de café por brasileiro ao ano.

Apoio – O seminário “Rumos da Política Cafeeira no Brasil”, organizado por CNC e Sistema OCB, contou com o apoio institucional da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), da Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics), da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (CeCafé).

Fonte: Portal do Agronegócio

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