Robério Silva quer promover a sustentabilidade do setor

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O mineiro Robério Oliveira Silva, eleito semana passada em Londres para o cargo de diretor executivo da Organização Internacional do Café (OIC), tem como prioridade colocar a entidade de volta ao centro das discussões sobre a economia cafeeira mundial. Na opinião de Silva, nos últimos 22 anos, após o fim das cláusulas econômicas que visavam à sustentação de preços, a OIC vem tentando se reinventar. Ele pretende dar mais dinamismo à organização, não se limitando às duas reuniões anuais realizadas em Londres.

Em entrevista à Agência Estado, concedida há duas semanas, pouco antes de embarcar para Londres, com o compromisso de não ser divulgada até o resultado da eleição, "para não dar azar", Robério Silva afirmou que uma das suas metas será aprimorar o sistema de estatísticas da OIC, para dar maior transparência ao mercado e possibilitar a tomada de decisões fundamentas.

Ele acha importante que o Brasil ocupe o comando da organização, apesar da perda da força que tinha nos tempos das cláusulas econômicas, quando influenciava os fundamentos do mercado. Ele lembra que o Brasil lidera a produção e a exportação de café, além de ser segundo maior mercado consumidor do mundo, "a passos céleres de se tornar o primeiro".

Silva diz que a sustentabilidade deve estar presente nos debates da OIC, pois os países membros, principalmente os produtores, devem levar em conta o risco de imposição de barreiras não-tarifárias, que podem resultar em aumento de custos para o agricultor. Ele prevê que os cafés certificados, que atualmente representam apenas 8% do consumo mundial, devem aumentar a participação no mercado, devido ao crescimento da demanda. Silva diz que é preciso dar apoio à criação de instituições mais sólidas nos países africanos, "que deem segurança aos produtores perante o mercado, como o brasileiro Funcafé (Fundo de Defesa da Economia Cafeeira).

Robério Silva pretende priorizar a relação com o Fundo Comum para os Produtos Básicos (FCPB), sediado em Amsterdã, para obter recursos que serão aplicados em projetos nos países pobres, principalmente no continente africano, onde algumas economias dependem das exportações de café. Ele comenta que a Colômbia e o Brasil são exemplos de que o café é um indutor do processo de diversificação da economia. Ele lembra que o café deixou de ter um papel importante por conta dos conflitos internos em alguns países africanos, como Angola, que chegou a ser o terceiro maior produtor mundial. Outros exemplos são Costa do Marfim e Camarões.

Fonte: Agência Estado

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