Robério Silva, diretor da OIC pede mais pesquisas para a sustentabilidade do café

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O diretor-executivo da Organização Internacional do Café (OIC), o brasileiro Robério Oliveira Silva, em sua primeira coluna para o Relatório Global de Café, ressaltou a necessidade de mais investimentos público-privados em pesquisas sobre o café para proteger os cafeicultores em relação à seca e doenças.

Na América Central, as lavouras de café são afetadas pela ferrugem, provocada por um fungo. Já o Brasil enfrentou este ano a pior seca em décadas que deve diminuir a oferta global da commodity, pois o país é o maior fornecedor mundial do produto, responsável por cerca de um terço dessa oferta.

Em abril deste ano, o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) divulgou um relatório com previsões de sérias ameaças à cultura do café diante do aumento das temperaturas e mudanças dos padrões de chuvas. O IPPC projetou que a produção de café, especialmente a de arábica, seria reduzida significativamente pela propagação de doenças e pragas nas plantas em todos os países estudados em 2050, conforme o artigo.

Essas previsões, de acordo com Silva, requerem uma ação decisiva para garantir a oferta de café e proteger a vida de milhões de famílias cafeicultoras no mundo. “É tempo para os setores público e privado acelerarem e investirem em robusta pesquisa científica e serviços de extensão para os produtores”.

O diretor da OIC também comenta que os apreciadores de café talvez não veem um significativo aumento nos preços de sua xícara de café no curto prazo, mas não se pode subestimar o que as ameaças climáticas podem representar para os preços no longo prazo.

Diante de um aumento de pragas, doenças e secas, uma das demandas mais importantes hoje para o setor cafeeiro é o melhoramento de plantas para a produção de variedades híbridas mais resistentes.

Os governos da Colômbia e do Brasil, por exemplo, têm estudos significativos e programas de extensão para os cafeicultores.

Parcerias público-privadas como a “World Coffee Research (WCR)” são promessas para revolucionar o conhecimento científico sobre o café e produzir híbridos para aumentar a qualidade e a produtividade do produto. A WCR é uma organização sem fins lucrativos, fundada pela indústria global de café e liderada por cientistas e universidades em todo o mundo, diz o artigo.

Por meio de acordos formais com países produtores, incluindo membros da OIC, organizações de pesquisa vão colaborar na produção de variedades de café mais “fortes” para os seus agricultores.

Entretanto, a falta de acesso a mecanismos de financiamento é um obstáculo que impede os produtores de fazer investimentos e adotar práticas agrícolas mais sustentáveis, adaptando-se às ameaças climáticas.

A OIC está abordando esta questão por meio do Fórum Consultivo sobre Financiamento do Setor Cafeeiro, que visa facilitar o diálogo sobre temas relacionados ao financiamento e gestão de riscos no setor cafeeiro, com ênfase em pequenos e médios produtores.

A OIC também irá produzir um relatório sobre iniciativas de adaptação do setor cafeeiro para as alterações climáticas. O relatório deverá incluir planos de diversificação dos projetos existentes para incluir cientistas de instituições e universidades nacionais e internacionais.

A primeira fase do relatório será apresentado em Nova York, em setembro deste ano. E a segunda fase do projeto e apresentação final ocorrerão em setembro de 2015, em Paris, para a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNFCC, em inglês).

Fonte: Valor Econômico (Carine Ferreira) via Rede Social do Café

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