REVERSÃO DE ALTA DEVE LEVAR NY A NOVAS MÍNIMAS

A semana começou relativamente calma com volumes baixos negociados tanto nos mercados financeiros como de commodities, dando a impressão que os últimos 15 dias de férias de verão no hemisfério norte seriam mais tranquilos. Ledo engano…

Notícias sobre o êxodo de investidores institucionais das ações chinesas atraiu a atenção e fez despencar os dois principais índices Chineses, empurrando também diversas commodities para baixo. Na sequência a divulgação da ata do FOMC teve interpretações deixando dúvidas sobre o aumento dos juros na reunião de setembro, criando uma venda generalizada de ativos de risco.

As bolsas europeias caíram nos últimos dias entre 5.54% e 7.83%, tendo o DAX (Alemanha) como o maior perdedor. Nos Estados Unidos o S&P500 e o Dow escorregaram mais de 5%, estando agora em território negativo no ano, respectivamente com perdas acumuladas de 4.27% e 7.65%. O IBOVESPA perdeu um pouco mais do que o DAX, 8.33%, apesar da moeda brasileira ter mudado pouco de uma sexta-feira para a outra (ainda que tenha oscilado entre 3.4489 e 3.5193).

Os três principais índices de commodities fizeram novas mínimas, sendo que dois deles, o BCOM e CRB estão próximos de quebrar os níveis de 2002. O barril de petróleo rompeu os US$ 40.00 pela primeira vez em mais de seis anos, mas o destaque de perdas na semana foi o suíno magro com -20.30%, seguido pelo café em Nova Iorque -11.35% e a gasolina -8.36%. Apenas o ouro e o cacau subiram entre os componentes do CRB, tendo o algodão e o milho ficado virtualmente de lado.

O contrato de arábica tomou um tombo feio em praticamente duas sessões, esgotando o potencial de alta técnica que comprovou nossa teoria de que era em função de liquidação da posição dos fundos. A queda teve diversos componentes como o quadro avesso ao risco mencionado nos parágrafos anteriores, o enfraquecimento de moedas de países produtores (o peso colombiano fez nova mínima histórica e o dong vietnamita foi desvalorizado pelo governo, por exemplo), e até mesmo uma perspectiva favorável para a quebra do padrão de clima seco que predominava no Brasil.

Curiosamente o noticiário estava explicando a alta do terminal até terça-feira, usando a seca no Brasil como motivo. Ainda que os agentes que operam no mercado físico não tenham dando atenção a prematura preocupação, muitos fundos de algoritmo que lêem as notícias para operar a bolsa parece que tinham comprado o terminal.

Na sexta-feira foi o contrário, reportou-se que chuvas podem chegar e a baixa foi exacerbada, tornando o gráfico bem negativo. A inversão momentânea do spread Sep/Nov no robusta provocada pela cobertura de opções chegou a dar um susto nos baixistas, mas não durou e levou o spread para descontos largos um dia depois.

A proximidade da colheita na Colômbia e América Central deve tornar disponíveis grãos em menos de dois meses para algumas das origens, e a conversa de clima seco para a região também diminuiu com algumas chuvas esparsas que caíram nos produtores dos suaves.

A movimentação no físico dever ser mínima até a entrada da safra dos lavados, assim como no Brasil os produtores sinalizam que vão aguardar a regularização das chuvas que estimulem a florada, e então um fluxo maior de vendas. Eventualmente uma queda forte do Real e a continuação da desvalorização das moedas dos países emergentes podem estimular mais negócios.

Os estoques americanos no mês de julho aumentaram em 373,235 sacas, totalizando 5,883,349 sacas – outra notícia que os baixistas não param de alardear. Para finalizar o pesadelo de notícias ruins, o contrato de Setembro entrou no período de entrega com o spread alargando para um desconto de US$ 4.80cts/lb, despejando 482 mil sacas no primeiro dia de notificação, um sinal que está difícil a colocação destes cafés com os compradores e que não há uma preocupação no momento de um eventual aperto futuro.

Positivamente há a valorização do Euro contra o dólar e a posição dos comerciais bruta-comprada diminuindo para o menor nível desde janeiro último. Os altistas apostam ainda que com o retorno das férias a indústria deve voltar com bom apetite de compra.

Contra o argumento há a liquidação enorme da posição vendida dos fundos para os patamares de fevereiro e que podem fazê-los voltar a vender NY tão logo o contrato de dezembro faça uma nova mínima. Isto acontecendo deve fazer acelerar as perdas do contrato “C” para os US$ 115 / US$ 110 centavos no curto-prazo. Tem quem aposte que o próximo objetivo é US$ 100.00, inclusive houve muita compra de opções de venda que vencem em menos de um mês no strike de 105.00.

Infelizmente o quadro se tornou bem negativo, inspirando poucas chances de uma recuperação dos preços por ora, salvo se houver algum fator climático. A “boa notícia” pode vir do Real, que alguns bancos e analistas apostam que vai chegar entre 3.80 e 4.00 até o fim deste ano.

Uma excelente semana e muito bons negócios a todos,

Rodrigo Costa

* Rodrigo Corrêa da Costa escreve este relatório sobre café semanalmente como colaborador da Archer Consulting

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