Remuneração dos cafeicultores norteia a 2ª edição de Fórum Mundial

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A produção de café mundial enfrenta diversos desafios, que vão desde as oscilações de preços até as variações climáticas que promovem perdas e prejuízos e comprometem a remuneração dos cafeicultores.

Para discutir esses gargalos, será realizada, nos dias 10 e 11 de julho, em Campinas, São Paulo, a segunda edição do Fórum Mundial de Produtores de Café, que, este ano, tem como tema a renda do produtor.

O evento é considerado fundamental por reunir toda a cadeia mundial cafeeira, principalmente no atual momento de safra baixa no Brasil em função da bienalidade negativa.

Também será discutido o impacto dos efeitos climáticos no mercado. Na safra atual, a produtividade e a qualidade dos cafés nacionais devem ser prejudicadas pelo clima desfavorável, situação que pode ser ainda mais agravada com as geadas. A previsão de geadas no Sul de Minas Gerais, São Paulo e Paraná fizeram com que os preços pagos pelo café disparassem na última semana. Até então, os valores estavam abaixo do esperado pelo setor. Caso sejam confirmados prejuízos causados pelo fenômeno climático, os efeitos também serão sentidos na próxima safra.

De acordo com a conselheira do Fórum Café e diretora da BSCA, Vanusia Nogueira, o Fórum do Café foi criado devido à necessidade de se ter um evento mundial que reunisse a agenda das lideranças do setor produtivo do café. Até então, os grandes eventos internacionais eram todos conduzidos e organizados somente pelos países consumidores da bebida, como os Estados Unidos, Japão e Europa.

Com o fórum dos países produtores foi possível discutir, a nível mundial, a agenda produtora – incluindo os desafios da sustentabilidade social e ambiental, tão cobradas pelos países compradores – e, o mais importante, colocar em pauta a sustentabilidade econômica dos produtores de café.

“O mercado consumidor de café cobra muito para que os produtores sejam certos no que se refere à sustentabilidade ambiental e social. E, quando falávamos em quem iria pagar a conta, eles saíam pela tangente e não colocavam na mesa a questão econômica. Com o fórum dos produtores, o assunto foi retomado. Os países produtores de café são países que enfrentam problemas econômicos, e precisamos de ajuda para acharmos soluções e garantir a renda dos cafeicultores. Não é somente pagar mais pela saca, mas é ter condições de trabalhar com um custo menor, ter maior eficiência, transparência na formação de preço, ser remunerado pelo produto diferenciado, entre outras coisas. A ideia do fórum é trabalhar os leques e possibilidades para a melhoria da renda”, explicou Vanusia.

O evento – Para discutir os desafios e os rumos da produção de café, é esperada a participação de produtores, lideranças do setor produtivo, indústria e consumidores de mais de 30 países. Também haverá visitas às fazendas produtoras de café. O objetivo é acompanhar o processo de colheita e preparação dos grãos.

Ao longo do evento, além das discussões, serão realizadas diversas palestras, abordando assuntos variados e fundamentais para aprimorar a produção cafeeira, como mercado físico, contratos futuros, formação de preços, rastreabilidade e consumo.

“As discussões são importantes. O produtor precisa ser valorizado. Se os preços não remunerarem, os cafeicultores vão sair da produção, e, sem o café, não tem indústria”.

A primeira edição do Fórum Mundial de Produtores de Café foi realizada em 2017, na Colômbia, e se tornou referência para a cafeicultura mundial. Foram 23 palestrantes, 198 jornalistas e 1.350 pessoas de mais de 40 países participantes.

MUDANÇAS CLIMÁTICAS ESTÃO NA PAUTA

As mudanças climáticas e o impacto na produção do café também serão temas a serem abordados ao longo do Fórum Mundial de Produtores de Café. Os assuntos são importantes, já que influenciam no volume, qualidade e cotação de preços.

Na safra 2019 de café nas principais regiões produtoras do Brasil, por exemplo, a produção foi afetada pelo clima desfavorável. As chuvas irregulares e as altas temperaturas fizeram com que os grãos ficassem menores e madurassem em períodos diferentes, o que vai reduzir ainda mais a produção.

Aliado a isso, a previsão de geada no cinturão cafeeiro (Sul de Minas, São Paulo e Paraná) deve afetar o rendimento e a oferta na safra atual e do ano que vem. A ameaça do fenômeno climático e o baixo volume de café disponível no mercado fizeram com que os preços do café disparassem na última semana.

Quebra – De acordo com a conselheira do Fórum Café e diretora da BSCA, Vanusia Nogueira, a tendência é de que a safra nacional fique abaixo da previsão de 50 milhões de sacas de 60 quilos, que já seria 17,4% menor em relação a 2018, segundo as estimativas da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

A quebra deve ser registrada no próximo levantamento, já que os últimos números foram captados em março, antes do início da colheita do café. Em Minas Gerais, a previsão é de que o volume de 26,4 milhões de sacas de 60 quilos na safra 2019, que seria 20,7% inferior, também não seja alcançado.

“Além do período de baixa produção, o clima não foi favorável e houve uma perda muito grande. Para se ter uma ideia, a colheita na Cooperativa Regional de Cafeicultores em Guaxupé (Cooxupé), que é a maior cooperativa do setor, já está acima de 50%. Em apenas 4 meses, várias áreas já encerraram a colheita, que normalmente se estende até outubro. Isso é muito grave”.

Ainda segundo Vanusia, na última semana, com as previsões de geadas para as principais regiões produtoras de café, os preços pagos pelo grão subiram. A saca de 60 quilos que estava cotada em torno de R$ 400, atingiu R$ 450, valorização de 12,5%.

“Os efeitos de uma geada poderão prejudicar a produção atual e da safra que vem”, explicou Vanusia.

Fonte: Diário do Comércio (Por Michelle Valverde) via CNC e vídeo TV Alterosa Sul de Minas

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