Real fraco assusta os operadores de café

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Por Rodrigo Costa*

rodrigo-costa-analista-de-mercadoAs bolsas de ações europeias respiraram, as dos Estados Unidos e da Ásia encerraram a semana com baixa e o IBOVESPA derreteu 4.52%.

A capacidade de Jair Bolsonaro se meter em confusões com declarações que não lhe ajudam a aglutinar o imprescindível apoio para aprovar reformas essenciais ao Brasil impressiona e levanta preocupações sobre as chances de executar a agenda liberal prometida em campanha, a qual Paulo Guedes tem comandado com embates difíceis.

O presidente ao falar e twittar demais fornece munições para seus adversários, os quais estão mais preocupados no poder do que fazer algo sustentável a longo prazo para a economia do país e para a população.

Olhando para o mercado de café o receio é a conjuntura permitir a reconstrução de um quadro de dar arrepios, como por exemplo o de 2001/2002 quando uma maxidesvalorização do Real e a proximidade de uma safra brasileira recorde, acima de 52 milhões, levou Nova Iorque e Londres para mínimas históricas, US$ 41.50 centavos por libra-peso e US$ 345 por tonelada, respectivamente.

Não estou dizendo que veremos níveis tão baixos, na verdade neste momento acredito que o chão do mercado fique entre US$ 80 e 85 centavos por libra-peso no arábica e US$ 1100 a 1200 por tonelada no robusta, entretanto se o Real entrar em uma espiral de desvalorização descontrolada podemos ter de revisar estes níveis.

A melhora no fluxo de negócios, principalmente localmente no Brasil, ajudou o contrato “C” a voltar a cair, também empurrado pela queda acentuada de Londres.

Com a colheita avançando por aqui, assim como na Colômbia e no Peru, a necessidade de vendas incrementa e o dólar americano firmando coloca um teto provisório nos mercados futuros, dando aos fundos mais confiança em renovar suas apostas de baixa.

Chuvas no cinturão de café brasileiro podem prejudicar a qualidade caso se prolonguem muito nesta época, entretanto agora a demanda por dinheiro para pagar o item mais custoso da produção está pesando mais.

Em meio a firmeza do basis os agentes que precisam cobrir suas vendas e suas necessidades naturais de compras tem sido forçados a pagar diferenciais historicamente caros, após terem cansado de aguardar uma janela de enfraquecimento na reposição/exportação que não aconteceu.

O congresso Colombiano aprovou uma contribuição de US$ 6 centavos por libra-peso sobre a exportação de café do país e subiu os requisitos de umidade para importações do produto, medidas que tentam amenizar a crise sofrida pelos seus produtores.

Em sua segunda estimativa para a safra 2019/2020 a CONAB aponta uma produção total de 50.92 milhões de sacas, sendo 36.98 milhões de arábica e 13.9 milhões de conilon – grande parte do mercado trabalha com uma expectativa para o conilon entre 18 e 20 milhões de sacas.

Tecnicamente o contrato de julho da ICE precisa respeitar 87.60 para evitar que os especuladores pressionem as cotações para os US$ 84.00 centavos por libra que vimos pela última vez em 15 de novembro de 2004 – ano cuja mínima foi 66.00 no dia 5 de janeiro.

Um fechamento acima de 92.25 pode trazer alguma recompra dos fundos, mas para tanto talvez precisemos ver o Banco Central entrando para diminuir a volatilidade e a depreciação do real.

Uma ótima semana e bons negócios a todos.

*Rodrigo Corrêa da Costa escreve este relatório sobre café semanalmente como colaborador da Archer Consulting

Fonte: Archer Consulting – Assessoria em Mercados de Futuros, Opções e Derivativos Ltda

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