QUALIDADE NA AGRICULTURA CAFEEIRA ATRAVÉS DO DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL

Por Rachel Machado de Sousa e Leticia Vilela de Aquino

Mudanças de paradigmas estabelecem um novo cenário para o processo de desenvolvimento das atividades agrícolas, visando o aspecto sócio-econômico- ambiental.

Atualmente, os agricultores estão voltados para as práticas de uma agricultura ecologicamente correta e sustentável. Então, o que seria qualidade na agricultura? Pode-se definir qualidade como a busca permanente da melhoria contínua visando a combinação entre recursos aplicados, ação e resultados alcançados para atingir os seguintes objetivos: oferecer produtos que atendam a demanda do mercado,e conservar a natureza e os recursos naturais por meio de formulação de práticas ecologicamente corretas e socialmente justas.

Na agricultura sustentável temos várias normas que são aplicadas a todos os tipos de cultura, como forma de fornecer uma medida de desempenho sócio- ambiental das propriedades rurais e suas práticas de manejo, através das quais se avalia a conformidade por meio de auditorias que medem o grau de atendimento dos requisitos da norma em relação às condições da propriedade.

Vale ressaltar que o grau de adequação em relação às normas é avaliado por intermédio da comparação dos requisitos normativos com os critérios estabelecidos pela propriedade e não por seus indicadores que “apontam” como estão as práticas de manejo, e se elas estão boas ou não.

A adoção da agricultura sustentável no cultivo do café, tem sido muito divulgada pelos torrefadores, pois se tem nisso uma vantagem competitiva e acesso a um mercado justo.
O café, uma das “commodities” mais comercializadas no mundo, é destaque na exportação de produtos sustentáveis de vários países em desenvolvimento. Ele contribui para a melhoria da qualidade de vida de milhões de produtores rurais e para a estabilidade política e econômica da nação.

Dessa forma, numa fazenda de café, para que se tenha uma agricultura sustentável é necessário seguir alguns princípios: ter um sistema de gestão socioambiental, comprometer-se com a conservação dos ecossistemas, promover a proteção da vida silvestre, conservar os recursos hídricos, fornecer o tratamento justo e boas condições de trabalho, saúde e segurança ocupacional, boas relações com a comunidade, manejo integrado dos cultivos, conservação do solo e manejo integrado dos resíduos.

O processo de implantação de um cultivo de café sustentável depende da adoção dos princípios já apresentados e de investimento nas práticas sustentáveis da fazenda, o que está proporcionalmente correlacionado à adequação dos requisitos legais, trabalhistas, ambientais e socioambientais da propriedade.

Ademais ao atendimento aos parâmetros de cultivo, conforme demonstrados na linha do tempo (figura 1) é necessário o cumprimento dos requisitos para se ter uma lavoura sustentável.

Figura 1

Observa-se que são vários os aspectos que compõem a agricultura sustentável, o que traz à tona o grande paradigma do desenvolvimento sustentável: dedicação permanentemente desde a responsabilidade, comprometimento do proprietário da fazenda, colaboradores e safristas, até a mudança de transição.

Um dos grandes desafios enfrentados pelos cafeicultores é a mudança de conceitos para atingir um manejo sustentável, isso pelo fato de as pessoas serem resistentes à mudança.
Numa reflexão mais profunda sobre o assunto, acaba- se percebendo que todos buscam mudanças e desejam atingi-las, mas o caminho que leva até elas oferece obstáculos que podem impedí-las: é a fase de transição, onde tudo acontece! É o momento no qual as pessoas sofrem com as “forças” que as puxam para trás impedindo que a evolução aconteça.
Essas forças são o medo, a insegurança, a fraqueza, o preconceito, influências externas e internas, nem sempre positivas.

Para gerir uma mudança na vida, primeiro precisa-se ter consciência da fase de transição, e saber enfrentar os obstáculos que aparecerão.

Mas, será que a vida permite uma existência sem o enfrentamento de obstáculo? Depara-se o tempo todo com isso, às vezes de maneira inconsciente quando o nosso cérebro coloca barreiras inexistentes e desculpas sem fundamento para não sair da zona de conforto.
Avaliando a primeira lei de Newton consegue-se definir a fase de transição de forma clara e objetiva: “Se um corpo está em movimento, ele tende a permanecer em movimento. Se um corpo está parado, ele tende a permanecer parado, a menos que forças atuem sobre ele”. Essas forças podem ser os agentes que promovem a evolução.

Tal como preconizado pela lei de Newton, parece suceder com as pessoas e sua vontade de mudar, elas estão paradas e permanecem paradas, a partir do momento que elas começam a enfrentar a fase de transição que seria as forças atuando sobre um corpo parado, para sair do estado de inércia tendem a permanecer em movimento em busca dos seus objetivos que são, completamente, dependentes da mudança.

Portanto apesar das dificuldades enfrentadas, há sim um grande benefício em se ter uma agricultura sustentável e uma forma de avaliar o bem- estar proporcionado aos colaboradores pelo fato da evolução em estar colaborando para se obter uma vida melhor e mais justa, na qual a concepção de qualidade na agricultura se transforma no estreitamento das relações no campo e na percepção da importância de se construir, nesse meio, uma realidade que não se restrinja à atividades produtivas mas que contemple a qualidade de vida em relação as condições de moradia, renda, cultura e a maneira de viver mais e melhor.

A mudança desses fatores pode ser visualizada através da inversão de valores na pirâmide de Maslow, onde as necessidades fisiológicas e materiais, por exemplo: fome e sede, assim como, outras necessidades materiais como pagamento de salário justo (relacionado ao trabalho) e a segurança física, são abordadas como fatores positivos na vida do ser humano.

A auto – estima (Maslow) que é atingida via necessidades de relacionamento, diz respeito ao desejo que as pessoas têm de se relacionar com as outras pessoas de tal modo que seus relacionamentos se caracterizem por um compartilhamento mútuo de idéias e sentimentos ofertados através da troca de valores culturais.

As necessidades de crescimento (Maslow) que incluem o desejo de ter uma influência criativa e produtiva sobre si mesmo e sobre o ambiente em que se vive e a satisfação da necessidade de crescimento ocorre quando uma pessoa se engaja em problemas para os quais necessita utilizar plenamente suas capacidades e desenvolver novas capacidades, ou seja, a auto- realização conforme demonstrado na figura. 2.

Figura 2

Avaliando esses fatores conclui-se que o investimento na qualidade para se ter uma agricultura sustentável torna-se baixo em relação aos benefícios que ela proporciona à sociedade. O homem se constitui em um pensamento: Produzir com qualidade, preservando o meio ambiente” para as gerações atuais e futuras.

Mediante a este compromisso pode-se dizer que pensamentos tornam-se ações, ações torna-se hábitos, hábitos tornam-se formação e a conseqüência dessa cadeia pode alterar o destino do nosso planeta, deixando melhor do que encontramos.

REFERÊNCIAS
HUNTER, James C. O Monge e o Executivo: Uma história sobre a essência da liderança – Ed. Sextante/ Gmt – pag 43.
Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Leis_de_Newton, acesso em 21/03/2013.

Autores do artigo:

Rachel Machado de Sousa – Engenheira Química, Pós Graduada em Gerenciamento de Micro e Pequenas Empresas, MBA em Gestão Executivo Empresarial e Pós Graduanda em Gestão Ambiental. Cursando Direito

 

 

Letícia Vilela de Aquino – Administradora com habilitação em Marketing, mediadora o PEI – Programa de Enriquecimento Instrumental.

 

 

 

 

Revisor: Alex D. Rosário

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