Prognóstico mais preciso da próxima safra de café será possível em março, diz CNC

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O Conselho Nacional do Café (CNC) avaliou como positivo o primeiro levantamento da safra de café 2013/14, divulgado ontem (09/01) pela Companhia Nacional de Abastecimento. De acordo com a Conab, o ciclo ficará entre 46,98 milhões e 50,16 milhões de sacas.

O CNC vem trabalhando com a projeção de uma safra entre 45 milhões e 48 milhões de sacas, segundo Silas Brasileiro (foto: divulgação CNC), presidente da entidade. Ele explica que os números estão bem próximos ao da Conab, mas que somente em março haverá um prognóstico melhor do tamanho da colheita, que começa em maio. Brasileiro afirma que a pesquisa da Conab ainda não levou em conta o “pegamento” da florada e, em muitas regiões, houve seca prolongada que pode prejudicar o desenvolvimento dos frutos.

Apesar de a safra ser menor que a atual (2012/13), estimada em 50,83 milhões de sacas, a próxima colheita é de ciclo de baixa, quando tradicionalmente a produção é menor. E será maior que a última colheita de ciclo de baixa, a 2011/12, de 43,5 milhões de sacas, de acordo com a Conab.

Mas conforme Brasileiro, o número da próxima temporada se aproxima muito de 2010 e de 2002, uma sinalização que pode acabar muito com o efeito especulativo do mercado internacional. No ano passado, algumas empresas e consultorias projetavam o ciclo 2013/14 muito maior que 50 milhões de sacas, indicando que haveria uma grande oferta de café no Brasil e no mundo, o que contribuiu para derrubar os preços da commodity na bolsa de Nova York no ano passado.

Pelos cálculos do CNC, os estoques de passagem no país vão continuar apertados, considerando um consumo nacional entre 18 e 20 milhões de sacas e exportação de 28 milhões de sacas.

O presidente do CNC também prevê que a bienalidade do café arábica será reduzida, com diferenças de volume cada vez menores entre duas colheitas, em função da renovação dos cafezais, tratos culturais, espaçamentos diferenciados e uso de variedades mais produtivas e resistentes a doenças, além do aumento da área irrigada com o grão.

Brasileiro também comenta que o governo está empenhado em participar do ordenamento da safra de café. Ontem, em reunião realizada com representantes do governo, houve compromisso de criação de instrumentos, como o Pepro (Prêmio Equalizador Pago ao Produtor) para se chegar a um piso de 400 reais a saca. O preço é considerado remunerador e para manter a atividade. “Hoje, com a saca comercializada a R$ 320, R$ 330 e com custo de R$ 360, R$ 370, não dá para comercializar”, disse.

O governo também teria reiterado a prorrogação do prazo de pagamento do financiamento para estocagem com vencimento em dezembro e janeiro deste ano para 60 dias. O Conselho Monetário Nacional (CMN) deve aprovar o voto na reunião no fim deste mês, de acordo com Brasileiro.

Fonte: Valor Econômico

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