Produtores vietnamitas acumulam maior estoque de café robusta desde 2010

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Os produtores do Vietnã estão retendo o maior estoque de café sem vender em pelo menos cinco anos, meses antes de colherem uma safra que, segundo previsões, será abundante. Os preços caíram.

Os produtores do maior fornecedor do café robusta utilizado pela Nestlé SA retinham 35 por cento da produção de 1,56 milhão de toneladas neste ano no fim de maio, a maior quantidade desde pelo menos 2010, segundo a média de oito estimativas de traders compiladas pela Bloomberg. Embora o El Niño seja visto como uma ameaça para a próxima safra, que começa em outubro, por enquanto ainda se projeta que a produção seja de 1,72 milhão de toneladas, igualando o recorde da temporada 2013-2014, mostrou a pesquisa.

O crescimento dos estoques poderia manter a pressão sobre os futuros, que caíram 10 por cento em Londres neste ano, e reduzir o impacto das perdas de produção causadas pelo evento climático El Niño, que se intensificará, segundo o governo australiano. Os produtores preferiram estocar os grãos em vez de vendê-los, pois os preços locais caíram para seu menor valor em 16 meses, cortando os embarques para o menor número desde 2010.

"Existe o risco de uma grande transferência para a próxima safra, já que os produtores não venderão se os preços continuarem tão baixos assim", disse Phan Hung Anh, vice-diretor da Anh Minh Co., com sede em Dak Lak, em 2 de junho. As vendas não vão crescer muito a menos que os preços se recuperem para cerca de 40.000 dongs (US$ 1,83) por quilo, disse Anh.

Os grãos eram vendidos a 37.200 dongs na semana passada depois de caírem para 34.000 dongs em 27 de maio, segundo dados do Centro de Comércio e Turismo na província de Dak Lak, que fornece 30 por cento da colheita. O café robusta na ICE Futures Europe caiu para seu valor mais baixo em 18 meses no mês passado.

Café do Brasil

As reservas não vendidas eram de 550.000 toneladas no fim de maio, em comparação a 320.000 toneladas um ano antes, mostrou uma pesquisa. Os produtores mantinham 48 por cento da colheita no fim de abril, disse a Nedcoffee BV em 18 de maio. A cifra se compara com 42 por cento de uma pesquisa da Bloomberg.

As exportações do Vietnã diminuíram 40 por cento nos cinco meses até maio, segundo o Departamento de Estatísticas, enquanto que as vendas do Brasil, o segundo maior produtor mundial de café robusta, cresceram. O país embarcou o recorde de 7,1 milhões de sacas (426.000 toneladas) nos 12 meses até abril, frente a 4,1 milhões de sacas um ano antes, segundo o Rabobank International.

"As vendas tímidas dos produtores vietnamitas desde o começo da colheita em outubro marcam um forte contraste com o muro de café conilon que veio do Brasil", escreveram analistas do Rabobank, entre eles Carlos Mera, em um relatório enviado por e-mail em 21 de maio, fazendo referência aos grãos de café robusta do Brasil.

El Niño

Taxas de juros mais baixas para empréstimos bancários e o rendimento obtido com outros cultivos, como a pimenta e o durian, ajudaram os fazendeiros a reter os grãos, segundo a Sept. 2nd Import-Export Co., a segunda maior companhia exportadora do Vietnã, conhecida como Simexco.

Pode ser que alguns produtores também apostem em uma safra menor no ano que vem devido ao El Niño, que pode provocar secas em partes da Ásia. O café do Vietnã é o que corre mais risco devido a chuvas inconstantes em meio a uma intensificação do El Niño, disse a Commodity Weather Group no mês passado.

Apesar de as precipitações acumuladas no ano em Dak Lak estarem 30 por cento abaixo do normal, no mês passado as chuvas foram apenas 5 por cento inferiores à média, mostram dados do governo. Se o clima melhorar neste mês, a pressão sobre os preços redobrará e o risco de uma grande transferência será ainda maior, disse Anh, da Anh Minh Co.

Fonte: Bloomberg (Diep Ngoc Pham) via UOL Economia

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