Produtor troca pasto por cafezal e muda de vida no ES

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É fácil perceber o orgulho que o produtor rural João Dias Lima sente da plantação. Caminhando entre o cafezal de arábica vem a lembrança da trajetória que o fez chegar até o sucesso como cafeicultor. Ele trabalhou como boia fria, depois meeiro e, em 2000, plantou café com a família e mudou de vida.

Pelas mãos da família de seu João, cinco hectares de pasto se transformaram em 11 mil pés de café. A propriedade fica em Iúna, no Caparaó capixaba. O município é o maior produtor de arábica do Sul do Espírito Santo. De lá, saíram mais de 300 mil sacas em 2013. Segundo ele, o desafio da região agora é produzir com qualidade e agregar valor. “Para quem trabalha com a qualidade do café, sente a diferença de R$ 180,00 entre a saca do rio e a do cereja. Luto para fazer o melhor: a qualidade está no trato da lavoura”, dá a receita.

Produtor rural João Dias Lima (Foto: Reprodução/ TV Gazeta)

Cedro
A qualidade é também a motivação de produtores de outros municípios da região. O cafeicultor Gilmar Souza mora em Irupi, cidade que fica a 700 metros do nível do mar. Na cidade, ele encontrou o clima ideal para o bom desenvolvimento dos grãos de arábica. “Para ter café de qualidade, é preciso muito trabalho e dedicação. Meia noite, a gente está no terreiro. A maior meta é produzir mais qualidade por mais hectares. A gente tem feito muitos estudos e está tentando abranger um mercado de cafés especiais. O trabalho é grande, mas compensa”, comenta.

Em 2013, os grãos do seu Gilmar foram os melhores do município. O sombramento com a plantação de cedros contribuiu para o resultado. “Assim os grãos amadurecem por igual. Por isso plantei esse cedro em volta da lavoura. A cultura do trabalho, tradição na cafeicultura, ao longo do tempo vai ficando cada vez mais forte. Na prática, é um conjunto de organização e capricho", disse Gilmar.

Mesmo com tanto cuidado, 2013 foi difícil. O preço do café despencou e faltou dinheiro para todas as adubações. Os grãos perderam qualidade e ainda não dá para saber qual o reflexo na produção desse ano. “Tivemos dois tipos de interferência. A queda no preço e a seca. Ainda assim, o Incaper acredita em uma recuperação. Tivemos uma alta repentina e isso estimulou muita gente”, comenta Gilmar.

Cafeicultor Gilmar Souza (Foto: Reprodução/ TV Gazeta)

Prêmio
No alto das montanhas que o café arábica encontra as condições perfeitas para a alta produtividade, já nas regiões mais baixas do Sul estado, o destaque é a produção de conilon. Da propriedade do Sérgio Luiz Felipe saíram os grãos campeões do concurso estadual de 2013.

O produto ainda está na fazenda e ele espera o melhor momento para vender. “Dá mais trabalho, mas compensa. Vendo a R$ 800,00 a saca, fora o que vai para a Itália. É café com qualidade sendo reconhecido mundialmente. Esse cafe já foi até para os Estados Unidos. Fiquei entre os três melhores do mundo", disse.

Desde 2010, alunos da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) colocam a tecnologia a serviço do cafeicultor e o Incaper quer dobrar a produção de conilon até 2025. “Tem um software próprio que reduz gasto. Elevamos a produtividade de 25 pra 35 sacas por hectare. Estamos mudando a genética. Tudo isso abre um novo horizonte para o produtor”, disse o tecnólogo em cafeicultura Anderson Andrade.

Produção
Em 2013, foram produzidas no Sul do estado 3,2 milhões de sacas de café arábica e 1,2 milhões de sacas de conilon. Em 2014, o Incaper estima que a região Sul produza 2,5 milhões de sacas de café arábica e 1,5 milhões de sacas de cafe conilon.

Fonte: TV Gazeta

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