Produção de café vai acelerar expansão no País

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A produção brasileira de café ganhará fôlego para crescer até 25% nos próximos dez anos. A previsão é do ex-ministro da Agricultura (de 2003 a 2006) e coordenador de Agronegócio da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Roberto Rodrigues.

Ele abriu nesta quinta-feira (10) os debates do último dia do 22o. Seminário Internacional de Café de Santos, no Sofitel Jequitimar, em Guarujá. O evento é organizado pela Associação Comercial de Santos (ACS). Nessa edição o seminário abordou o tema Quebrando recordes, sobre a expectativa de grande safra neste ano.

Segundo Rodrigues, a estimativa se baseia na capacidade ociosa das lavouras brasileiras e nas mais recentes técnicas agrícolas de maximização das áreas plantadas.

Com isso, o café nacional ajudará a suprir a crescente demanda global pelo produto, com expansão anual média de 2,5%. Contribuem para esse cenário o interesse de países emergentes pela bebida e a queda na participação global de produtores como Costa Rica, México e Colômbia.

“O café tem uma contribuição relevante (para a balança comercial do Brasil). Diferente do arroz ou do feijão, ele incorpora um fator importante, o prazer”, afirma ele.

Rodrigues diz que os grãos em geral correspondem com até um quarto das exportações nacionais – o café representa 60% desse montante. “A economia brasileira cresceu 1% no ano passado. O agronegócio representou 73% do PIB (Produto Interno Bruto)”.

Para este ano, a produção brasileira caminha para marca recorde – 55,3 milhões de sacas de 60 quilos, o equivalente a 3,3 milhões de toneladas, conforme levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Apesar de resultado, as zonas cafeeiras nacionais ainda estão aquém da capacidade máxima, segundo analistas.

Crescimento contínuo

A expectativa de ampliação segue ritmo da séria histórica das duas últimas décadas. No período, a produção brasileira da commodity registrou o dobro do crescimento da taxa mundial – partiu de 16 milhões de sacas em 1996 para 30 milhões em 2016.

“Enquanto no Brasil houve uma ampliação de 96%, o restante do mundo teve variação de 47%. É um sinal de que o consumo interno nos países produtores cresceu muito rápido”, afirma o diretor executivo da Organização Internacional do Café (OIC), José Sette.

O maior apetite global pelo café também foi destacado por David Neumann, sócio-administrador da Neumann Gruppe GmbH – empresa alemã especializada em produções agrícolas.

O volume de negociado de café crescerá 25%, segundo a empresa, nos próximos quatro anos. A venda das atuais 150 milhões de sacas aumentará para 190 milhões.

Estatística do IBGE

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) atualizou a estimativa de produção do café no Brasil, que apontou uma safra recorde. Os produtores devem colher 2,5 milhões de toneladas (42,1 milhões de sacas) de café arábica.

Já o café conilon (robusta), a previsão é de 789,7 mil toneladas (13,16 milhões de sacas).

Segundo o órgão, o clima mais chuvoso tem favorecido as lavouras nos principais estados produtores. No entanto, a estiagem preocupa os cafeicultores da região sul mineira, a maior produtora. O tema marcou a abertura do seminário, na quarta-feira (9). Naquela localidade, chuvas intensas devem ocorrer apenas em outubro, o que pode impactar a produção em Minas Gerais.

Rodrigues: País ainda dispõe de terras ociosas e tem alta produtividade na área plantada (Foto: Rogério Soares)

Novos mercados

De acordo com Neumann, mercados como Ásia (sem a China) e África devem ditar o crescimento da demanda pela bebida. A procura global tende a ser mais acentuada para o café arábica. “É uma boa notícia para o Brasil”.
Isso porque nove em cada dez quilos colhidos nas zonas cafeeiras nacionais são dessa variedade.
Neumann indica ainda a ampliação de grãos premium, em especial nos mercados emergentes. A alta se deve ao crescimento populacional e o maior poder aquisitivo nesses locais.

Sem valor agregado

Apesar de ser o maior produtor de café do mundo, o Brasil ainda patina no processo de agregar valor ao grão embarcado ao exterior. O diagnóstico foi apontado pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic), que listou as dificuldades do País nas vendas desse produto industrializado.

Especialistas do mercado acreditam que a reversão desse quadro é fundamental para ampliar a participação do produto na balança comercial brasileira e fortalecer a imagem do café local no mercado global,

Rodrigues afirma que o Brasil é responsável por um terço de todo o café verde (em grãos) do mundo. Contudo, responde por apenas 2% das vendas do produto industrializado (torrado e moído).

“Há uma variável nessa questão, que é a agregação de valores, que implica a negociação comercial para aumentar essa participação sem que implique tarifas maiores”, diz.

O diretor executivo da Organização Internacional do Café (OIC), José Sette, cita a Alemanha, o segundo maior consumidor do café brasileiro, com 18% das exportações locais, atrás somente dos Estados Unidos.

Apesar de não ter nenhum pé de café, o país europeu é um tradicional exportador da bebida processada, que agrega valor maior na revenda.

Café solúvel

Em 2016, a indústria cafeeira alemã exportou 1 milhão de sacas do solúvel. “O Brasil tem condições de aumentar a participação (em venda do produto com valor agregado). É uma oportunidade de futuro”.

No entanto, ele alerta que o Brasil depende de investimento e inteligência para competir com os tradicionais fabricantes da commodity.

No final de março, a Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics) lançou projeto para fortalecer os embarques do produto com maior valor agregado.

O objetivo da investida é garantir a fatia atual de mercado e ampliar a presença nos mais de 140 países que importam os grãos verdes do Brasil.

Sette pondera ainda ampliar a participação nos países fora da Zona do Euro (Europa Oriental) a fim de aumentar os ganhos do setor. “É um mercado que pode ser ampliado, dada a baixa participação”.

Conilon

Outra aposta é diversificara safra dos grãos do tipo robusta (conilon, comum no Espírito Santo e Rondônia). A variedade representa até dois quintos das vendas mundiais, mas no Brasil o conilon não ultrapassa 12%.

Cafezinho no seminário da ACS: Alemanha fatura mais que Brasil com valor agregado (Foto: Rogério Soares)

Fonte: Tribuna Online

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