Presidente do CCCMG participa de simpósio sobre cafeicultura sustentável

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O presidente do Centro do Comércio de Café do Estado de Minas Gerais – CCCMG, Archimedes Coli Neto, participou, na segunda-feira, 24 de janeiro de 2011, de um simpósio sobre cafeicultura em Belo Horizonte. O evento teve como tema: "Cafeicultura sustentável, com foco especial no apoio a agricultura familiar no âmbito de uma crescente demanda mundial de café".

A iniciativa aconteceu no Museu de Artes e Ofícios e foi idealizada pela Fundação Hanns R. Neumann Stiftung do Brasil. Entre os palestrantes estiveram: Elmiro Alves do Nascimento (Secretário de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais), Wilfried Grolig (Embaixador da República Federal da Alemanha), Stefan Tangermann (Membro do Conselho Administrativo da Fundação Hanns R. Neumann Stiftung), Dr. Jefferson de Oliveira (Gerente Parcerias, Articulações e Tecnologias Socias da Fundação Banco do Brasil), Michael R. Neumann (Presidente da Fundação Hanns R. Neumann Stiftung), Manoel Vicente Bertone (Secretário de Produção e Agroenergia do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento), João Antônio Lian (Presidente do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil), Antônio Lima Bandeira (Presidente da Emater), Dr. Baldonedo Arthur Napoleão (Presidente da Epamig) e Magno Reis (Diretor da Associação Hanns R. Neumann Stiftung do Brasil).

A Fundação Hanns R. Neumann Stiftung do Brasil é reconhecida internacionalmente por sua atuação junto a pequenos produtores de café em diferentes partes do mundo. A associação sem fins lucrativos, pertencente ao Neumann Kaffee Gruppe (NKG), da Alemanha, em parceria com a Stockler Comercial e Exportadora, de Santos, uma das líderes nacionais na exportação de café. A entidade reproduz no Brasil o know-how acumulado em quase duas décadas de projetos bem sucedidos conduzidos em dezenas de países da África, Ásia, América Central e do Sul, além de dar continuidade aos trabalhos iniciados pela fundação nas cidades mineiras de São Francisco de Paula e Santo Antonio do Amparo.

O evento reuniu as principais lideranças do setor na tentativa de debater ações coletivas e programas para o fortalecimento da cafeicultura familiar no Brasil. A preocupação é justificada pelo presidente da NKG, Michael Neumann, ao afirmar que a demanda mundial de café será de 165 milhões de sacas em 2020, lembrando que aproximadamente 80% dos produtores são do segmento familiar. Esta predominância chama a atenção para a necessidade de apoiar projetos sociais com foco nos desafios de sustentabilidade destes cafeicultores.

Fundada em 2005, a Fundação Hanns Neumann é o braço social do grupo NKG, que engloba 48 companhias ligadas ao sistema agroindustrial do café, em 28 países. O grupo é representado por empresas exportadoras, importadoras, de serviço e fazendas produtoras. No Brasil, o NKG está nos empreendimentos Stockler Comercial Exportadora (Santos), Cafeeira Armazéns Gerais (Santos, Varginha e Muzambinho) e NKG Fazendas Brasileiras (Santo Antônio do Amparo).

Brasil competitivo

O secretário de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais, Elmiro Alves do Nascimento, destacou a importância do café para a economia mineira, citando que dos 7,6 bilhões de reais da exportação do agronegócio, 4,1 bilhões foram do setor cafeeiro. Para o secretário, a parceria com a Fundação Hanns Neumann amplia o desenvolvimento do setor, com projetos que possibilitem ao pequeno produtor a conquista de novos mercados.

O embaixador da República Federal da Alemanha, Wilfried Grolig, enfatizou a parceria estratégica entre o Brasil e a Alemanha, com destaque para o desenvolvimento agrícola brasileiro alcançado nos últimos anos. Este desempenho também foi destacado pelo professor Stefan Tangermann, membro do Conselho Administrativo da Fundação Neumann, citando que existe uma série de lições que podem ser aprendidas com o Brasil, sobretudo, no sentido de desenvolvimento da agricultura com o amparo da pesquisa. Na avaliação do professor da Universidade da Alemanha, o país seria capaz de contribuir de maneira decisiva para atender ao aumento da demanda mundial de café, principalmente, pela capacidade de adaptar seus modelos de produção às condições ambientais e de mercado.

As vantagens competitivas do Brasil também foram ressaltadas nos pronunciamentos do secretário de Produção e Agroenergia do Ministério da Agricultura, Manoel Vicente Bertone e do presidente do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), João Antônio Lian. Eles lembraram que o setor produtivo, com especial esforço do segmento familiar, enfrenta uma legislação ambiental, trabalhista e tributária que penalizam a renda do produtor, que mesmo em crise mostra-se competitivo. De acordo com Bertone, é preciso uma política de preços que altere a lógica de garantir a sustentabilidade da produção, para o foco em garantir a sustentabilidade do cafeicultor.

A renda e a falta de agregação de valor ao produto também foram temas mencionados pelo presidente da Emater-MG, Antônio Lima Bandeira, que considera fundamental a existência de políticas públicas específicas para diferentes níveis de produção, principalmente, com relação à cafeicultura de montanha.

Desafios para o segmento

Nas palavras de Michael Opitz, diretor da Fundação, não é por acaso que Minas Gerais foi escolhida para sediar o encontro, já que os números que o Estado sustenta em torno da cafeicultura impressionam a cadeia mundial do café. Além de ser o Estado líder mundial em produção, destacou que mais de 70% das propriedades são de base familiar, que enfrentam os desafios de falta de acesso à informação e tecnologias, falta de financiamentos e pouca compreensão sobre o mercado. Estas carências motivaram a criação da Fundação Hanns Neumann do Brasil, com escritório em Santo Antônio do Amparo. Ligada ao movimento Força Café, a Fundação ampara três projetos que atendem a 4000 pequenos produtores, representando em torno de 12 mil hectares de café, no Sul de Minas e Matas de Minas.

Já Magno Reis, diretor da Fundação no Brasil, disse que além do incremento da produtividade média, que saltou de 12 para 24 sacas hectares, em apenas três anos de acompanhamento, a união dos produtores tem motivado uma mudança cultural nos produtores atendidos. A busca por informações tem levado à utilização racional de recursos para uma rentabilidade sustentável da propriedade, o que acaba por refletir em motivação aos jovens agricultores para continuarem na atividade.

Com um modelo diferenciado de fomentar os projetos sociais, a Fundação Banco do Brasil é uma das instituições parceiras da Fundação Hanns Neumann do Brasil. No site do BB é possível acessar 571 projetos e ações efetivadas no Banco de Tecnologias Sociais. Na avaliação do gerente de Parcerias, Articulações e Tecnologias Sociais da Fundação Banco do Brasil, Jefferson de Oliveira, as parcerias para os projetos aprovados atraem outras fontes financiadoras, tanto públicas quanto privadas.

Ao final do Simpósio, os representantes da Fundação Hanns Neumann do Brasil, e o presidente da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), Baldonedo Arthur Napoleão, assinaram um convênio de cooperação técnica. A parceria visa intensificar os projetos de pesquisa com ênfase nos gargalos da cafeicultura familiar. Para Baldonedo, o desafio não está no desenvolvimento de soluções tecnológicas, mas sim, fazer chegar as informações ao público de referência.

O debate continua

Nesta quinta-feira (27), será a vez da Universidade Federal de Lavras (UFLA) receber a visita do presidente Michael Neumann e diretores da Fundação Hanns Neumann, em reunião que contará com a presença de representantes da Universidade, do Polo de Excelência do Café, do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Café (INCT/Café), da Emater e pesquisadores da Epamig. (com informações do Centro de Excelência do Café)

 

Luiz Valeriano
Asscom CCCMG – comunicacao@cccmg.com.br
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