Preservar a natureza rende lucro a fazenda de café em Minas Gerais

Imprimir

A Fazenda Daterra, em Minas Gerais, onde é produzido café, recebeu o certificado internacional Amigo do Clima. O reconhecimento ajudou na valorização do grão produzido. A certificação acrescenta cerca de 10% em cada saca vendida.

O café é a única atividade econômica da propriedade de 6,8 mil hectares, em Patrocínio, no Alto Paranaíba. Há 20 anos, o agrônomo Leopoldo Santana administra a propriedade onde o trabalho funciona como uma grande empresa, com as áreas de produção subdivididas em pequenos sítios.

“Nós colocamos em sistema de GPS, pelo qual conseguimos ter talhões subdivididos em setores. Da área total da fazenda nós estamos utilizando praticamente 50% da área para o café. O restante da área são reservas naturais. É feita a preservação de todas as áreas que não estão aptas à produção de café”, diz Santana.

A preocupação com a natureza fez a fazenda ser a primeira do Brasil a receber em 2003 a certificação da Rede de Agricultura Sustentável. Para isso foi preciso adotar os seguintes princípios: sistema de gestão ambiental e social, conservação de ecossistemas, proteção da vida silvestre, conservação dos recursos hídricos, tratamento justo e boas condições de trabalho, saúde e segurança ocupacional, relações com a comunidade, manejo integrado do cultivo, manejo e conservação do solo e gerenciamento integrado de resíduos.

Depois de receber a certificação, a fazenda implantou um novo conjunto de práticas chamado de módulo clima, que tem o objetivo de aumentar a consciência sobre as mudanças de clima e desenvolver ações que ajudem a diminuir o impacto da atividade no meio ambiente.

“Nós levantamos que foi a questão das altas temperaturas e a questão da estiagem prolongada e da seca, que são os principais eventos climáticos que nós temos que nos adaptar e mitigar”, diz Márcio Elísio de Oliveira, gestor socioambiental.

O agrônomo Leopoldo Santana diz que para resolver a que resolver a questão climática foram tomadas medidas como a diminuição do uso de adubos nitrogenados, com a utilização composto orgânico feito com a própria palha do café, e a implantação de uma estação de tratamento de efluentes para reutilização da água usada na lavagem dos grãos.

Também foi feita a capacitação dos funcionários por meio de cursos e palestras, aumento da cobertura vegetal e plantio de árvores nativas, que ajudam a manter o estoque de carbono e previne erosões. O certificado de Amigo do Clima é o resultado de todo esse trabalho que acrescenta cerca de 10% em cada saca vendida.

“O ganho foi bastante grande. A conscientização dos colaboradores sobre as práticas ambientais desenvolvidas na fazenda. Melhor controle dessas práticas agrícolas minimizando os impactos ambientais gerados na produção de café, além da visibilidade junto aos nossos clientes internacionais”, avalia Santana.

Fonte: Globo Rural

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *