Preços do café arábica ficaram ‘temporariamente’ em baixa em junho, diz OIC

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A Organização Internacional do Café (OIC), que tem sede em Londres, avaliou que os preços do café do tipo arábica ficaram “temporariamente” em baixa em junho. Em relatório mensal divulgado nesta segunda-feira, 10, a instituição ressalta que os preços ficaram muito voláteis no mês passado, com uma queda do arábica no início do mês, que foi recuperada ao longo de junho para os níveis anteriores, de maio.

Já o grão tipo robusta apresentou alta dos preços no mês passado. “O mercado do café em junho foi caracterizado por alta volatilidade, resultando em um movimento lateral dos preços”, avaliou a entidade. A OIC informou que a média mensal dos preços do indicador composto da instituição caiu 2,4% para 122,39 centavos de dólar por libra-peso, com uma diferença de preço “mínima” entre o início e o fim do mês.

“Nas primeiras duas semanas de junho, o preço diário do indicador composto permaneceu em uma banda relativamente estreita de 122,11 centavos a 124,55 centavos de dólar por libra-peso. Posteriormente, os preços caíram significativamente, com o indicador atingindo mínima de 116,51 centavos de dólar por libra-peso em 22 de junho”, descreveu o relatório.

A entidade salientou, então, o movimento de recuperação posterior, levando o café a ser negociado a 123,83 centavos de dólar por libra-peso em 30 de junho, marginalmente maior do que no início do mês.

O preço do café tipo robusta apresentou uma alta de 3,6% de maio para junho, principalmente na segunda metade do mês. De acordo com a OIC, esse movimento ajudou a amortecer a queda nos preços dos Grupos Arábica, impedindo que o preço indicador composto da entidade ficasse ainda mais negativo. Com a elevação de junho, esse tipo de grão voltou a ser negociado acima da marca de 100 centavos de dólar por libra-peso.

De acordo com uma tabela no relatório mensal da OIC, o preço do robusta havia superado essa marca pela primeira vez nos últimos tempos em outubro do ano passado, sustentando-se acima do nível de 100 centavos de dólar por libra-peso em todos os meses seguintes até maio. Nesse mês, o café desse tipo acabou cotado a 98,36 centavos de dólar por libra-peso, mas a recuperação de junho, considerada “forte” pela entidade, levou a commodity para 101,95 centavos de dólar por libra-peso.

“Os três grupos de arábica, por sua vez, registraram quedas significantes”, salientou o documento divulgado hoje. A média dos preços dos Colombianos Suaves foi reduzida em 3,5% no mês passado, enquanto “Outros Suaves” e “Naturais Brasileiros” tiveram redução ainda maiores, de 4,5% e ,5,7%, respectivamente.

A OIC avaliou que, como resultado das tendências opostas dos preços de arábicas e robustas, a arbitragem nos mercados futuros de Nova York e Londres diminuiu “significativamente” no mês passado, em 22,2%, para 35,07 centavos de dólar por libra peso.

Pelos cálculos da Organização, este é o nível mais baixo desde abril de 2008. Já a volatilidade intraday do indicador de preço composto da ICO manteve-se inalterada em 6,9%.

Estoques

As exportações mundiais de café tiveram um “forte” aumento em junho na comparação com o mesmo mês do ano passado, levando os importadores a ficarem abastecidos para mês “crítico” de julho. O Brasil, no entanto, apesar de ser o maior produtor e vendedor externo da commodity, viu seu comércio para fora do País cair pelo segundo ano consecutivo. Além disso, ainda podem ocorrer geadas em algumas áreas do Brasil e um possível surto de ferrugem em outros países, levando a preocupações com a oferta.

De acordo com a OIC, as exportações globais em junho foram de 10,9 milhões de sacas, o que representa um aumento de 8,8% ante igual mês de 2016 e um aumento dos estoques nos países importadores da commodity. “Por isso, o mercado do café estará bem fornecido no mês crítico de julho, quando as geadas continuam sendo possíveis no Brasil”, observou a instituição.

A OIC também informou que, nos oito meses do ano cafeeiro de 2016/17 (outubro a maio), as exportações totais ficaram 3,9 milhões de saca acima das remessas do mesmo período do ciclo anterior, quando totalizaram 77,4 milhões de sacas.

Brasil

Já as exportações do Brasil, nos oito meses da safra 2016/17, diminuíram pelo segundo ano consecutivo. De acordo com a OIC, as vendas externas do País foram de 22,7 milhões de sacas em 2016/17, uma redução de 5,9% na comparação com a safra anterior. “No entanto, a diminuição foi menor do que o esperado, apesar da colheita relativamente pobre”, trouxe o relatório da entidade.

A organização observou que, além de os exportadores se basearem nos fortes estoques existentes para fazerem seus negócios, o reduzido volume de vendas brasileiras foi compensado por embarques em outros países. “Notavelmente, Colômbia, Etiópia, Honduras, Indonésia, Peru e Uganda atuam para preencher um potencial hiato de abastecimento”, diz o documento.

O texto também cita que a Colômbia aumentou suas vendas para 9,2 milhões de sacas no período, 7,2% a mais que de outubro de 2015 a maio do ano passado. No caso da Indonésia houve, de acordo com a OIC, um “impressionante” aumento de 2,3 milhões de sacas, o que representa uma elevação 60% em relação ao período anterior. Em Honduras, as exportações ficaram 30% maiores do que em 2015/16.

“Como resultado dos altos volumes de exportação até agora durante este ano cafeeiro e o acúmulo de grandes estoques nos países importadores, o mercado permanece bem abastecido. A queda súbita dos preços durante a terceira semana de junho parece ter sido desencadeada pelo movimento de café e outras soft commodities”, avaliou a OIC.

“No entanto, no mês de julho, ainda existe um risco residual de geada potencial no Brasil, afetando as perspectivas para a próxima safra. Da mesma forma, possíveis surtos de ferrugem nos cafezais em países, como Honduras, pode aumentar as preocupações com a oferta no mercado”, concluiu a organização.

 

Fonte: Estadão Conteúdo via IstoÉ Online

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