Preços do café arábica em alta no País

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Os estoques mundiais baixos e a demanda crescente estão contribuindo para a sustentação dos preços pagos pelo café arábica em patamares lucrativos. De acordo com o levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a saca de 60 quilos, desde meados da última semana, é negociada a preços acima de R$ 500, valor que não era alcançado desde o início de janeiro. A tendência é de manutenção dos preços em níveis elevados, uma vez que os estoques e a oferta estão equilibrados e qualquer efeito climático negativo pode afetar o abastecimento.

Segundo o Cepea, os preços do café arábica estão em alta no mercado brasileiro. Na última sexta-feira, a saca de 60 quilos foi cotada a R$ 507,60, alta de 5,62% no mês. Os dados da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater-MG) mostram que o valor máximo pago no Estado pelo grão foi de R$ 510, na região do Triângulo.

Para o superintendente comercial da Cooperativa Regional dos Cafeicultores em Guaxupé (Cooxupé), localizada no Sul de Minas, Lúcio Dias, além dos estoques mundiais baixos, a quebra de safra do café robusta no Espírito Santo elevou os preços do grão e também a migração para o café arábica, alavancando os preços desta variedade.

“O mercado está bem sustentado pela safra atual não ser muito grande e pela demanda estar aquecida. O mais importante disso tudo é que os produtores brasileiros estão aproveitando, intensamente, as oportunidades de venda. Na região da Cooxupé já foram negociadas 35% da safra de arábica 2016”, explicou Dias.

De acordo com o analista da Maros Corretora, empresa especializada em análise do mercado do café, Marcus Magalhães, apesar da expectativa de colher uma safra nacional de alta qualidade e de volumes superiores aos registrados nos anos anteriores, o que poderia derrubar os preços, os estoques mundiais baixos em um período em que o consumo mundial da bebida é crescente vem permitindo que a cotação fique acima dos R$ 500 por saca de 60 quilos.

“Vamos entrar no ano safra com um dos menores estoques de café da história, após dois anos de perdas provocadas pela estiagem e exportações volumosas. A expectativa é de uma safra teoricamente boa, mas, com os estoques reduzidos, a percepção do mercado de que qualquer estresse climático poderá afetar ainda mais na oferta, faz com que os preços sejam sustentados”.

Segundo dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (Usda), no período produtivo 2015/16, os estoques iniciais de café no Brasil, com base nos dados de dezembro de 2015, estavam em torno de 9,39 milhões de sacas de 60 quilos e a expectativa era encerrar com 5,19 milhões de sacas, menor volume desde a safra 2011/12, quando os estoques finais somavam 2,23 milhões de sacas. 

A produção brasileira em 2016 deve alcançar 40 milhões de sacas, alta de 25%. (Foto: Divulgação/Emater)

Incremento – A produção nacional em 2016 deve alcançar 40 milhões de sacas de 60 quilos de café arábica, alta de 25%, conforme os dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Somente em Minas Gerais, maior estado produtor, é esperado incremento de 28,1% no volume a ser colhido, podendo alcançar 28,14 milhões de sacas de arábica.

Além dos estoques baixos, as incertezas em relação aos rumos da política nacional também interferem na cotação do produto.

“O mercado do café subiu por um conjunto de fatores. Com as indefinições políticas, houve uma forte queda do dólar em relação ao real, fazendo com que as cotações futuras do café arábica na Bolsa de Nova York subissem. Com isso, houve reação nos preços internos e a expectativa é que os valores se mantenham em alta”, explicou Magalhães.

Para o analista, o momento é oportuno para que o cafeicultor negocie parte da safra para se capitalizar. “O produtor tem que aproveitar estes canais de alta para diluir os riscos e colocar dinheiro em caixa. Comprometer parte da safra para quitar débitos é interessante e da mais segurança para negociar o restante conforme o mercado se mostrar favorável”.

Fonte: Diário do Comércio (Michelle Valverde)

 

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