Preço mínimo: Melles diz que governo não tem zelo com a cadeia café

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Parlamentar ainda destacou “que não há um real para a colheita da safra”

O preço mínimo para o café (R$ 261,69 para arábica e R$ 157,57 para robusta) fixado pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), na semana passada, repete o erro e continua penalizando o produtor, de acordo com avaliação das lideranças da cafeicultura nacional. “O preço mínimo de garantia está errado desde a primeira vez. Fazia cinco anos que esse valor não era corrigido, quando aconteceu, a correção foi de R$ 150 para R$ 261, quando o ideal seria R$ 320”, argumenta o deputado Carlos Melles, que preside a Frente Parlamentar do Café, que faz coro com o presidente do Conselho Nacional do Café (CNC), Gilson Ximenes, que classificou o novo preço mínimo como sendo “um absurdo” que derrota o café, segundo entrevista ao site Coffee Break.

O deputado ainda diz que o erro não se dá apenas por este motivo, mas porque também, naquela época, o custo de produção considerado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) foi para cobrir uma média brasileira de produtividade de 18 sacas por hectare, mas calcularam em cima de 30 sacas por hectares. “Sendo o custo de produção a R$ 7 mil por hectare; percebemos a distorção do preço”, explica o parlamentar mineiro.

Melles acredita que o erro foi cometido porque o CMN considerou que a safra 2010/2011 será maior que a anterior e que os insumos não tiveram grandes aumentos, apesar de a mão-de-obra ter subido muito. “A Conab considerou que no ano passado a produção foi de 38 milhões de sacas e que este ano será de 47 milhões, portanto não precisaria de aumento no preço mínimo, pois uma coisa compensaria a outra, é uma interpretação errada”, informou ele.

Para Melles, essa ação do CMN é um reflexo de que a “cadeia da cafeicultura continua mal, continua sem zelo para com a política do café e, pior do que isso, é que até hoje não há um real para fazer a colheita desta safra e nem a pré-comercialização”.

O deputado disse também que é necessário fazer comparações entre as culturas para perceber a importância que o café tem para o Brasil em termos de rendimentos ao país. “A produção nacional de soja ocupa 27 milhões de hectares e rende R$ 8 bilhões. Dois milhões de hectare de café rendem R$ 6 bilhões na exportação. Ninguém pergunta quanto a bovinicultura emprega por hectare, quanto gasta e assim com outras atividades agrícolas. Essa comparação tem que ser feita para ver a importância que o café tem”, finalizou o deputado federal Carlos Melles.

Fonte: Coffee Break

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