Preço médio do café em NY é o menor em 7 anos

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Os contratos futuros de segunda posição de entrega (normalmente os de maior liquidez) do café permanecem em queda e vão encerrar novembro com a menor cotação média mensal desde setembro de 2006 na bolsa de Nova York.

Cálculos do Valor Data fechados no dia 27 – ontem as bolsas americanas não funcionaram por causa do feriado de Ação de Graças – mostram que a baixa em relação à média de outubro chega a 6,98%. Foi o 10º tombo mensal seguido. Na comparação com novembro de 2012, a queda alcança 30,11%.

Como tem informado recorrentemente o Valor, a erosão decorre da farta oferta disponível no mercado global. Maior produtor e exportador de café arábica do mundo, o Brasil é um dos responsáveis por essa boa oferta, recentemente ampliada também com o aquecimento das colheitas na Colômbia e em países da América Central.

Das oito principais commodities agrícolas negociadas pelo Brasil no exterior e referenciadas nas bolsas de Nova York (café, açúcar, cacau, suco de laranja e algodão) e Chicago (soja, milho e trigo), o café registra a maior baixa em novembro na comparação com outubro.

E, nesse contexto, os fundos de investimentos que especulam nos mercados de commodities continuaram a apostar na desvalorização do arábica, embora menos intensamente. O saldo líquido vendido caiu 12,8% na semana até o dia 19, para 22.936 contratos, conforme a Comissão de Comércio de Futuros de Commodities (CFTC).

O algodão também registra desvalorização considerável em relação a outubro – 6,29%, o que reduziu a alta em relação a novembro de 2012 para 8,92%. É a terceira queda mensal seguida, influenciada pela expectativa de que a China pudesse liberar parte de seus estoques no mercado, em uma estratégia que foi deflagrada ontem, com 12,3 mil toneladas. Volume pequeno, mas que poderá crescer.

Os preços do açúcar, que vinham de quatro meses de altas vinculadas a problemas na moagem de cana no Centro-Sul do Brasil, também caem 5,08% na comparação entre as médias de novembro e outubro, elevando a perda sobre novembro de 2012 a 8,42%.

Já o preço médio dos contratos de segunda posição de entrega do cacau volta a subir em novembro, 0,95%, pelo quinto mês consecutivo, ainda impulsionado por incertezas em relação à oferta em países do oeste da África, que dominam a produção da amêndoa. Na comparação com novembro do ano passado, o ganho é de 11,71%.

O suco de laranja é o grande destaque positivo nova-iorquino do mês. A alta sobre outubro alcança 7,7%, e sobre novembro de 2012, 14,99%. Apesar de o consumo americano da bebida continuar fraco, as projeções de queda da produção da fruta na Flórida e a proximidade do inverno nos EUA oferecem sustentação aos preços.

Na bolsa de Chicago, a tendência de acomodação dos preços dos grãos em patamares mais baixos prosseguiu, graças ao escoamento de boas colheitas no Hemisfério Norte e, nos casos de milho e soja, também às expectativas positivas para o plantio na América do Sul nesta safra 2013/14.

A cotação média do trigo recua 5,51% em novembro na comparação com outubro, e em relação a novembro do ano passado há queda de 24,67%. No milho, as baixas são de 4,17% e 41,81%, respectivamente – a média de novembro é a menor desde agosto de 2010 – e na soja há estabilidade em relação a outubro e baixa de 10,91% sobre novembro do ano passado.

A soja escapou da onda baixista com a ajuda da boa demanda da China, maior país importador da oleaginosa do mundo. Mas nesse mercado a recomposição da oferta global também é flagrante.

Dados divulgados ontem pelo conselho Internacional de Grãos (IGC) apontam que a produção mundial de soja deverá aumentar 5,2% em 2013/14, para 285 milhões de toneladas. No tabuleiro do milho, o incremento previsto chega a 10,1%, para 950 milhões de toneladas, e no trigo o avanço estimado é de 6,6%, para 698 milhões.

Os percentuais de crescimento são mais expressivos do que o normal por conta dos problemas climáticos que reduziram as colheitas em importantes produtores do Hemisfério Norte no ciclo 2012/13, inclusive nos EUA.

As quedas de preços dos grãos ainda poderão se aprofundar, e os especuladores ampliaram apostas nesse sentido para milho e trigo. Segundo a CFTC, os gestores de recursos ("managed money") ficaram com uma posição líquida vendida de 146.086 contratos (entre futuros e opções) de milho e de 55.199 contratos de trigo na bolsa de Chicago na semana encerrada em 19 de novembro, aumentos de 5% e 16,8%, respectivamente, em relação à semana anterior.

Se no milho a recomposição dos estoques mundiais incentivou os fundos a ampliarem o saldo vendido, no trigo foi a revisão para cima do estoque global do cereal, feita pelo Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), que estimulou o movimento. A soja mais uma vez foi poupada graças à China.

Fonte: Valor Econômico

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