Preço da saca de café não remunera o produtor mineiro

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Os produtores de café no Estado estão pagando para produzir. É que o valor pago pela saca de 60 Kg de café está menor que os custos, segundo o presidente da Comissão de Café da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg), Breno Mesquita. O custo de produção varia de acordo com a região do Estado, e o uso de tecnologia aplicada.

Conforme levantamento da entidade, a produção de uma saca de 60 Kg custa de R$ 470 a R$ 550, enquanto o valor pago ao produtor oscila de R$ 400 a R$ 420, dependendo da região do Estado. Em 2017, a saca do produto, segundo Mesquita, era comercializada entre R$ 450 e R$ 500.

Assim, com o preço em baixa, mesmo com a produção 30,2% mais alta que em 2017 (24,5 milhões de sacas), o produtor mineiro não tem muito o que comemorar em termos financeiros. “Isso é ruim, pois desmotiva os investimentos para 2019. E por causa do ciclo do café, a produção já deve ser menor no ano que vem”, diz. O café é um produto bianual. Em um ano, a produção é grande e, no ano seguinte, é bem menor. Portanto, em 2019 o Estado terá a “safrinha”, como costuma chamar o setor.

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O motivo para a baixa no preço, de acordo o presidente da comissão do café, está no jogo da oferta e da procura. “O mundo está colhendo mais do que consome”, justifica o especialista. A produção maior neste ano é fruto de vários fatores, entre eles o clima favorável e os investimentos cada vez mais intensos em tecnologia, que contribuem para aumentar a produtividade.

Com 31,9 milhões de sacas previstas para 2018, o que corresponde a 53% do total da produção nacional, Minas produz mais sacas que o segundo maior produtor mundial de café, o Vietnã, que tem uma produção de 29,5 milhões de sacas, de acordo com levantamento da International Coffe Organization (ICO). Em 2018, o Brasil será responsável por um terço da produção mundial de café, somando 60 milhões de sacas, de acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

“Uma em cada cinco xícaras de café consumidas no mundo sai de Minas Gerais”, frisa Mesquita. Se o Estado fosse um país, seria o maior produtor de café do planeta. Em Minas, 607 municípios têm produção do grão, sendo que em 340 deles é a principal atividade econômica.

Internacional

No país, o produto é um dos mais exportados. Foram 24 milhões de sacas vendidas para o exterior com receita de US$ 3,5 bilhões nos primeiros nove meses deste ano, segundo dados do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé). Em volume, o crescimento foi de 7,3% na comparação com igual período de 2017.

Mesmo com a alta nas vendas, o importador pagou menos pelo café brasileiro. Em setembro deste ano, o valor da saca foi de US$ 135,88, uma queda de 18,6% na comparação com o mesmo mês de 2017 (US$ 166,87).

Evento em BH movimenta o setor

E no Estado que mais produz café no mundo acontece, entre os dias 7 e 9 deste mês, a sexta edição da Semana Internacional do Café – SIC 2018, no Expominas, em BH. “A expectativa é positiva, de dobrar o número de participantes e de negócios que são iniciados no local”, diz o presidente da Comissão de Café da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg), Breno Mesquita. Em 2017, foram R$ 35 milhões em negócios e 17 mil participantes.

O Sistema Faemg é um dos realizadores do evento, que contará com 25 atividades simultâneas, entre palestras, seminários, cursos, workshops e concursos para cafeicultores, torrefadores, classificadores, exportadores, compradores, fornecedores, empresários, baristas, proprietários de cafeterias e apreciadores.

Também em novembro, entre os dias 5 e 18, acontece a exposição “Cafés de Minas Sabor e Saber”, no BH Airport, em Confins, na região metropolitana de Belo Horizonte, das 10h às 20h.

Ranking

Estados de maior produção:
1º Minas Gerais
2º Espírito Santo
3º São Paulo
4º Bahia
5º Paraná

Países de maior produção:
1° Brasil
2° Vietnã
3° Colômbia
4° Indonésia
5° Etiópia
6° Índia
7° Honduras
8° México
9° Uganda
10° Guatemala

Fonte: O Tempo (Por Juliana Gontijo)

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