PIB de Minas recua 4,1% no primeiro semestre do ano, o dobro do país

Imprimir

As expectativas de retração econômica para o segundo trimestre de 2015 se confirmaram para Minas, seguindo a tendência dos números nacionais. O Produto Interno Bruto (PIB) mineiro caiu 1,5% no segundo trimestre, na comparação com o trimestre anterior. Foi o quinto recuo consecutivo.

O resultado reflete, na avaliação de especialistas, a fragilidade do Estado frente ao cenário de desconfiança, baixos investimentos, juros elevados e redução do apetite de grandes mercados consumidores.

Na comparação semestral, o recuo do PIB mineiro já chega a 4,1%. O dobro da queda nacional no mesmo período (2,1%), de acordo com dados da Fundação João Pinheiro (FJP).

Na indústria de transformação, o setor automotivo é um dos mais afetados. Nem mesmo lay-offs e férias coletivas têm sido suficientes para baixar os estoques.

Outro destaque negativo foi o desempenho da construção, com retração de 5,1% no trimestre. “A construção civil representa uma boa parte dos investimentos feitos no Brasil. Como a taxa de investimento, que já era baixa, caiu de 19% para 17,8% em 2015, o setor se retrai. Somente com o ajuste fiscal, a retomada do investimento vai desarmar esse ciclo negativo. Com a confiança restabelecida, a construção pode tirar o país do recessão”, analisa o economista do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado de Minas Gerais (Sinduscon-MG), Daniel Furletti.

Ameaças

As mudanças no cenário econômico internacional podem piorar ainda mais a situação mineira. Na avaliação do economista do Ibmec Marcio Salvato, o Estado é mais suscetível ao comportamento de grandes mercados.

“Minas fica mais prejudicada do que o resto do país quando economias como a China reduzem as compras. Na crise de 2008, isso aconteceu e sofremos mais do que os outros Estados porque temos essa economia extremamente aberta. Por outro lado, quando havia pujança, Minas foi favorecida”, analisa.

A escassez de chuvas também impactou negativamente a economia do Estado. Com o baixo nível nos reservatórios, os setores de produção e distribuição de energia e água também sofrem.

O reflexo foi o recuo 4,4% na produção e distribuição de eletricidade, gás e água, além de esgoto e limpeza urbana em Minas Gerais no 2° trimestre de 2015 em relação ao trimestre imediatamente anterior.

Até mesmo o setor de serviços, responsável por mais da metade do PIB, sofreu recuo (-1,3%) em Minas no mesmo período de comparação. As maiores perdas foram no comércio (-3,5%) e em transportes (-2,4%).

Agropecuária equilibra as contas com expansão de 3,4%

Se a indústria da construção civil foi a grande vilã do PIB mineiro no segundo trimestre, o herói foi o setor de agropecuária, que registrou crescimento de 3,4% na comparação com o trimestre anterior. No país, o setor recuou 2,7% no mesmo período de comparação.
O principal responsável pelo bom desempenho do setor foi o café, sobretudo pelo desempenho na região da Zona da Mata mineira. De acordo com a Fundação João Pinheiro (FJP), a produção de café arábica e canephora deverá crescer 3,3% no Estado em 2015, enquanto a produção nacional tende a cair 2,2%.

Produtos como a cana-de-açúcar (que representa um sexto da produção) e milho e soja, que representam 8%, também contribuíram para amenizar a queda do PIB mineiro.

No segmento da pecuária, somente o leite teve variação positiva (18,5%). A produção de bovinos, suínos, aves e ovos sofreu recuo, acompanhando a tendência de queda geral do PIB em Minas.

Expectativas

Apesar das perdas já sofridas pelo Estado com a queda no preço das commodities nos últimos anos, a área extrativa mineral foi a única a registrar resultados positivos no segundo trimestre dentro da indústria.

O motivo, segundo a FJP, são as alterações no câmbio, que estimulam as exportações, e a manutenção relativa da demanda por minério de ferro por economias como a China.

No entanto, a economista da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) Anelise Fonseca, ressalta que não há garantias de que a demanda internacional mantenha o patamar atual.

“Não acreditamos em recuperação breve. Os dados para 2015 e 2016 certamente serão revisados para baixo. Em 2016, o índice de queda deverá ser menor apenas porque 2015 será uma base de comparação fraca”.

Fonte: Hoje em Dia (Raul Mariano)

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *