Pesquisa tenta diminuir uso da água e melhorar aproveitamento nas lavouras de café

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Fundamental para o vigor e a produtividade no campo, a água é alvo de polêmica na agricultura, já que muitas vezes o setor é apontado como vilão no desperdício de recursos hídricos. Um projeto desenvolvido por uma estudante de doutorado da Universidade Federal de Lavras (Ufla) promete o melhor aproveitamento da água nas lavouras de café.

Segundo Dalyse Toledo Castanheira, que é doutoranda em fitotecnia no Departamento de Agricultura da Ufla, pequenas técnicas podem fazer com que a água seja melhor utilizada pelo produtor de café.

“A agricultura, ao mesmo tempo em que utiliza a água, ela pode gerar maior quantidade para uso tanto da comunidade quanto do produtor rural. Utilizamos técnicas atuais como o ‘mulching’, que é um plástico agrícola que a gente coloca na linha do cafeeiro para tentar diminuir a evaporação da água e a planta conseguir utilizar a umidade do solo. Utilizamos também técnicas antigas como o manejo da braquiária, que faz a cobertura do solo, que vai dar condições para a planta utilizar maior umidade desse solo”, diz a doutoranda.

O projeto de aproveitamento da água no cafezal já tem 1 ano e segundo a pesquisadora, já traz resultados.

“É visível a olho nu, a gente consegue observar que onde tem essa cobertura do solo, o crescimento e o vigor das plantas chega a ser 50% superior àquelas que não têm a mesma cobertura, que não têm uma boa matéria orgânica e boa estrutura do solo. A proteção, a cobertura e o maior teor de matéria orgânica do solo ajudam na eficiência do uso da água e dão maior condição para a planta sobreviver a um estresse hídrico nas condições adversas atuais”, diz ela.

Conforme a estudante, sabendo utilizar melhor a água em todo o processo de cultivo, o produtor terá economia e ganhará em produtividade, podendo até substituir sistemas tradicionais de irrigação.

“De ganho prático, o produtor terá um crescimento das plantas de 20% até 50%, dependendo do tratamento. Quando a gente fala em crescimento, a gente fala em produtividade. E quando a gente fala em produtividade, a gente fala em lucro para ele. Além disso, vem não só como benefício para a agricultura, mas para a comunidade, porque quando a gente consegue otimizar essa água no campo, o reflexo vai também para as comunidades, para os grandes centros urbanos. Muitas das vezes os cafeicultores não precisam adquirir um sistema irrigado, já que com alguns tipos de manejo, ele pode suprir essa água para a planta”, conclui a pesquisadora.

Uso de plástico próprio reduz evaporação da água e ajuda planta a utilizar melhor a umidade do solo (Foto: Lucas Soares)
Uso de plástico próprio reduz evaporação da água e ajuda planta a utilizar melhor a umidade do solo (Foto: Lucas Soares)

Fonte: G1 Sul de Minas (Por Lucas Soares)

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