Pesquisa e indústria de café incrementam consumo do produto pelos brasileiros

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O consumo per capita é de 6,18 quilos de café em grão cru ou 4,94 quilos de café torrado, o que representa quase 83 litros para cada brasileiro por ano. Segundo o diretor executivo da Abic, Nathan Herszkowicz, contribuiu para esse incremento a melhoria da qualidade e ampliação da oferta de produtos inovadores e diferenciados, fatores que têm influenciado o perfil do consumidor no País.

Em outras palavras, pode-se dizer que esse patamar de consumo de café no País é fruto do trabalho da indústria e da pesquisa, esta realizada no âmbito do Consórcio Pesquisa Café, cujo programa de pesquisa é coordenado pela Embrapa Café, Unidade da Embrapa, vinculada ao Mapa. “Sem dúvida alguma, a contribuição da pesquisa tem sido a de melhorar as variedades/cultivares do café e incrementar a sustentabilidade e a produtividade. Isso amplia a oferta de grãos melhores, o que permite à indústria também melhorar a qualidade tanto dos cafés tradicionais quanto dos conceituados cafés gourmets”, diz Nathan.

Contribuição da pesquisa – As pesquisas investem em tecnologias sustentáveis, que aumentam a produtividade, a qualidade e a competitividade do produto, preservando o meio ambiente e garantindo dignidade social. Entre os investimentos em conhecimento e em recursos que visam ao crescimento da cafeicultura brasileira, está a tecnologia de preparo do café cereja descascado, o mais tradicional modo de preparo de café até então era o natural (no qual o fruto é seco integralmente, com casca, polpa, mucilagem, pergaminho e semente). A tecnologia tornou possível a produção de café de qualidade em regiões anteriormente pouco indicadas para a obtenção desse produto. No preparo do café cereja descascado, os frutos colhidos na lavoura são lavados para separação do café boia (seco na planta) e de possíveis pedras, paus folhas e torrões de terra. Na etapa seguinte, os frutos verdes (imaturos) e cereja são submetidos ao descascamento sob pressão em processo mecânico, em que os frutos verdes permanecem íntegros e os frutos cerejas sofrem descascamento. Após a separação das cascas, obtém-se o café pergaminho, que é submetido diretamente à secagem (natural ou mecânica).

Pode-se citar também as pesquisas para o desenvolvimento de novas e melhores cultivares e em biotecnologia. Pesquisas de melhoramento genético, por exemplo, propiciaram o desenvolvimento de 36 cultivares, de arábica e conilon, resistentes às principais pragas e doenças do cafeeiro e adaptadas a determinadas condições climáticas, melhorando qualidade dos frutos e incrementando significativamente a produção. No Instituto Agronômico – IAC, foram geradas sete cultivares; na Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais – Epamig em parceria com a Universidade Federal de Viçosa – UFV, oito; no Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural – Incaper, 3; no Instituto Agronômico do Paraná – Iapar, 13, na Embrapa Café e no Procafé , 4 cultivares; na Embrapa Rondônia, 1 cultivar. Todas essas instituições são participantes do Consórcio.

Há também disponível no mercado tecnologias para preparo, secagem e armazenamento de grãos, desenvolvidas com a liderança da Universidade Federal de Viçosa – UFV, participante do Consórcio. São alternativas tecnológicas especialmente desenvolvidas para a agricultura familiar para oferecer, a custos compatíveis, uma infraestrutura mínima para que, independentemente das condições climáticas, o cafeicultor possa produzir café de qualidade superior, com economia de tempo, redução de custos e mão de obra empregada e maior rendimento operacional. É composta por um terreiro-secador híbrido, abanadora, silo secador e lavador portátil.

O desenvolvimento de sistemas de irrigação também contribuiu para incrementar a produtividade e a qualidade da produção, pois permite expandir o cultivo de café a regiões antes consideradas marginais e ainda a regiões antes reconhecidamente aptas somente à cafeicultura de sequeiro (como o sul de Minas, que apesar de contar com precipitações em níveis adequados, tem sofrido com chuvas irregulares e mal distribuídas, que afetam a produtividade e o vigor das lavouras). Hoje sabe-se que o uso da irrigação na cafeicultura traz inúmeros benefícios, dentre os quais podemos citar: aumento na produtividade e rentabilidade, maior eficiência na utilização de recursos, melhoria nas características e propriedades físicas do café e diminuição no risco da atividade. Estudos têm demonstrado incrementos na produtividade que variam de 46 a 110%, podendo chegar até 500%.

Outro exemplo na área de irrigação é o estresse hídrico controlado. A tecnologia além de revolucionar a prática tradicional da irrigação frequente e continuada, garante mais produtividade, mais qualidade e menor custo, sendo também alternativa para a sustentabilidade social e ambiental da cafeicultura no Cerrado. A prática não custa nada mais ao produtor e ainda traz redução dos custos de água e energia, em média de 33%, economia no processo de colheita, inclusive com mão de obra. O processo tecnológico também permite a obtenção de 85% ou mais de frutos cerejas no momento da colheita, maximizando a produção de cafés especiais, de maior valor de mercado. Além disso, disso, garante redução de 20% para 10% de grãos mal formados.

Desmistificando preconceitos e inserindo o café como uma bebida e um alimento natural, saudável e que beneficia a saúde humana, o Consórcio Pesquisa Café e a Abic uniram esforços na pesquisa sobre Café & Saúde. “Estamos colocando em prática a união da pesquisa agronômica com a biomédica, integrando os estudos que envolvem a planta de café no campo com os interesses do tema Café & Saúde, no âmbito do consumo da bebida”, diz o gerente geral da Embrapa Café, Gabriel Bartholo.

Os estudos estão concentrados basicamente em quatro linhas: café e metacognição (pesquisa realizada com um grupo de crianças do projeto “Café na Merenda Escolar”, na qual foi constatado o efeito positivo do café no aprendizado das crianças); café e cérebro (constatou que o aroma do café tem um efeito poderoso sobre as regiões cognitivas e de recompensa do cérebro); café e antioxidantes (estuda a importância dos compostos antioxidantes do café, entre eles, os ácidos clorogênicos (contidos no grão verde e torrado) na prevenção da hipertensão e diabetes, como ativo antibacterida, antiviral, imuno-estimulante e antidesmineralizante e ainda na regulação glicêmica e no controle do peso); café e coração (cujas avaliações até o momento mostram que não há evidências que o café seja ruim para pessoas com problemas no coração, pois doentes coronarianos submetidos ao consumo de café não apresentaram interferência na glicemia, nem taquicardia ou arritmia).

Reflexos no comportamento do consumidor – Para o diretor-executivo da Abic, Nathan Herszkowicz, a melhoria na qualidade do café impulsiona o aumento do consumo tanto de cafés especiais como dos tradicionais. “Além de consumir mais xícaras, o brasileiro também está procurando a diversidade e a praticidade de outros produtos provenientes do café, como expressos, cappuccinos e outras combinações com leite. É importante observar que nos grandes centros, o aumento do número de casas de café e das redes de cafeterias tem sido fundamental para a promoção, junto aos consumidores, de cafés finos, como o gourmet. Com seus baristas, essas cafeterias atuam como difusoras dos cafés de qualidade, mostrando aos consumidores as diferenças não só entre marcas, mas entre grãos de diferentes regiões produtoras, divulgando a cultura cafeeira do grão à xícara. Esses locais de consumo promovem também os diferentes métodos de preparo, servindo desde expressos até os filtrados, coados, feitos na prensa francesa ou mesmo no ibrik (que é o método de preparo do café turco)”.

Segundo o diretor executivo da Abic, pesquisas mostram que os jovens de 15 a 29 anos estão consumindo mais café e são bons frequentadores das casas de café. “O que tem atraído muitos jovens são as bebidas mais adocicadas, que combinam café com outros ingredientes, como sorvetes ou leite condensado e chantilly, preparados com muito capricho pelos baristas. O consumo fora do lar cresce muito, e aumentou 307% entre 2004 e 2010”.

Programas de qualidade – A indústria também tem feito sua parte para melhorar a qualidade do nosso café torrado, torrado e moído e solúvel. A Abic criou programas de qualidade e certificação que são únicos em todo mundo.

Desde o antigo, mas ainda em atividade, Selo de Pureza, que garante a pureza do café empacotado, passando pelo CCQ – Círculo do Café de Qualidade, que distingue as casas de café e pontos de consumo que oferecem um produto honesto e bem preparado e servido, até o mais recente PQC – Programa de Qualidade do Café, criado em 2004 e já consolidado, que avalia os aspectos sensoriais do café torrado e moído (avaliando, na xícara, características como sabor, aroma, doçura, fragrância, retrogosto, etc.). Esses produtos são certificados e monitorados pela ABIC permanentemente para assegurar que a boa qualidade tem sido preservada pela indústria.

Hoje o PQC é o maior e mais abrangente programa de qualidade e certificação para café torrado e moído, em todo o mundo. “O PQC certifica e monitora 496 marcas de café, sendo que 105 são de cafés gourmets, de alta qualidade. O varejo e o food-service reconhecem o programa como ferramenta valiosa para ajudá-los a escolher e utilizar os melhores cafés. Já o Selo de Pureza, presente em mais de 1.000 marcas de café, foi consolidado pelo governo ao criar, em 2010, a Instrução Normativa 16, do Mapa, que usa critérios semelhantes para fiscalizar a pureza dos cafés no mercado. É importante observar que o PQC, por trabalhar com categorias de produtos (Tradicional, Superior e Gourmet), vem ajudando os industriais e diferenciarem os seus produtos e auxiliando os consumidores a distinguirem os tipos de café na hora da compra”, avalia Nathan.

Pode-se dizer que pesquisa e indústria trabalham em sintonia para superarem juntas o desafio de ampliar o consumo de café no País, onde 95% da população já toma café diariamente. “Ambas têm de investir continuamente em inovação e diferenciação, fazendo com que os brasileiros tomem mais café por dia, em casa ou fora do lar”, conclui o representante da Abic. “Nessa luta diária, parceria é a chave do sucesso duradouro”, resume Bartholo.

Fonte: Portal do Agronegócio

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