Pesquisa do CEFET Varginha alia substratos do café à descontaminação de efluentes

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Viabilidade econômica e desenvolvimento sustentável: essas são algumas das ações que estão previstas em um projeto de pesquisa do CEFET-MG em Varginha que alia casca de café, substrato muitas vezes rejeitado na produção cafeeira, a processos de adsorção de corantes que poluem as águas e geram problemas de saúde no ser humano.

A professora de química Nadiene do Vale é uma das autoras do estudo “Adsorção de corante catiônico em casca de café melosa (Coffea Arabica) ”, premiado em primeiro lugar geral da Mostra Específica de Trabalhos e Aplicações (META) em Varginha, evento científico e tecnológico da Instituição.

De acordo com a pesquisadora, o descarte dos resíduos de beneficiamento e pós colheita do café envolve algumas dificuldades. Atualmente, a maioria dos produtores buscam uma maior qualidade do fruto, um diferencial no momento da venda. Para isso, o fruto passa por um processo de lavagem e separação. A despolpa do café reduz custo de secagem e melhora a qualidade da bebida, mas gera uma grande quantidade de resíduos sólidos e líquidos que, se lançados no meio ambiente sem o devido cuidado, podem gerar problemas ambientais. “A casca de café melosa é um material bastante ‘grudento’ devido ao alto teor de açúcar e por isso, apesar do seu elevado conteúdo de potássio, sua aplicação na lavoura é onerosa, sendo de grande necessidade a busca por uma destinação final adequada a esse coproduto, e uma alternativa seria seu uso no processo de adsorção”, explica.

A adsorção, completa a professora, é um processo bastante promissor e efetivo no tratamento de efluentes, por apresentar características como baixo custo, alta eficiência e, na maioria das vezes, é capaz de remover completamente poluentes. “Desse modo, a utilização da casca de café melosa como material adsorvente permite agregar valor aos resíduos gerados no processo produtivo do café, atendendo também à necessidade de tratamento dos efluentes têxteis”, argumenta.

E é nesse momento que o substrato do café pode entrar com aliado: o azul de metileno, corante sintético utilizado na coloração de papéis, na tintura temporária de cabelos, no tingimento de algodão e lãs, em diagnósticos de microbiologia e cirurgia está associado a inúmeros estudos de poluição. “Estudos revelam que baixas concentrações de corante se mostram altamente prejudiciais, diminuindo as atividades fotossintéticas naturais, provocando alterações na biota aquática. Além disso, a acumulação prolongada de azul de metileno no corpo humano por meio da cadeia alimentar pode causar várias doenças e distúrbios, como, por exemplo, aumento na frequência cardíaca, vômitos e necrose dos tecidos, dentre outras”, revela.

A possibilidade de reuso dos substratos do café desprezados na natureza, muitas vezes de forma prejudicial, com a necessidade de auxiliar na neutralização do azul de metileno nas águas, é o objetivo principal da pesquisa, que alia desenvolvimento econômico ao sustentável. “A necessidade de reduzir custos com adsorventes comerciais empregando-se resíduos de origem vegetal, como a casca de café melosa, para a remoção de corantes dos efluentes industriais, constitui uma decisão bastante vantajosa”, finaliza.

A pesquisa foi desenvolvida com a colaboração do professor Telles Cardoso e dos alunos do 3º ano do curso técnico em Edificações Ester Estevam e Pedro Pinheiro. O estudo contou com a colaboração da Fazenda Olhos D´água, no município de Perdões, onde foram colhidas as amostras de café melosa. As análises foram feitas no Laboratório de Gestão de Resíduos Químicos da Universidade Federal de Lavras (Ufla), com apoio da professora Zuy Magriotis.

Fonte: Secretaria de Comunicação Social/CEFET-MG

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