Paraná projeta crescimento na produtividade de café

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O Paraná projeta um incremento na produtividade de café em 2017. A previsão feita em janeiro pela Secretaria Estadual da Agricultura e Abastecimento (Seab) é colher em média 27 sacas por hectares. Bem acima das 22,7 sacas/ha da safra do ano passado. Em 2016, a produção do Estado foi em torno de 1 milhão de sacas de 60kg.

A produtividade paranaense ficou abaixo da média nacional, que registrou em 2016 um recorde de desempenho, com 26,33 sacas por hectare. Segundo o relatório “Informações Estatísticas do Café”, publicado pela Secretaria de Política Agrícola (SPA), do Ministério da Agricultura (Mapa), é a maior produtividade desde 2012, quando foram registradas 24,8 sacas/ha.

Na safra de 2016, o Brasil produziu 51,369 milhões de sacas, em uma área plantada de 1,95 milhão de hectares. Levantamentos das últimas décadas mostram um ganho de produtividade e de produção, apesar da redução da área plantada, que caiu de 2,4 milhões (em 2000) para a área atual. “A redução da área, apesar de pouca, tem sido constante, mas a produtividade tem superado o feito da redução da área”, comentou o Jamilsen de Freitas Santos, analista de transferência de tecnologia da Embrapa Café.

Segundo os dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a área plantada do café arábica somou 1,75 milhão de hectares, o que correspondeu a 79,13% da área das lavouras de café. Quanto ao café conilon, a Cohab estimou em 424,7 mil hectares a área em produção.

TECNOLOGIA
As boas práticas e as novas tecnologias, além de terem melhorado a qualidade do produto, têm também levado a uma diminuição da diferença das produtividades de ciclos positivo e negativo do café. Os avanços tecnológicos implementados têm contribuído gradativamente para minimizar os efeitos da bienalidade da cafeicultura brasileira, que alterna safras altas e safras baixas.

O desempenho de 2016, segundo Santos, também teve influência da renovação do parque cafeeiro e irrigação. Pesquisas apontam que a área irrigada influencia positivamente a produtividade. Hoje, o café irrigado representa 15% da área plantada no País.
Minas Gerais figura como o Estado que mais produz café no Brasil, com 30,72 milhões de sacas; Espírito Santo, o segundo, com 8,96 milhões de sacas; São Paulo, terceiro, com 6,03 milhões de sacas; Bahia, quarto – 2,09 milhões; Rondônia, quinto – 1,62; e, Paraná, sexto, com 1,04 milhão de sacas de 60kg.

PARANÁ
De acordo com o diretor do Departamento de Economia Rural, da Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento (Seab), Francisco Carlos Simioni, esse recorde nacional não tem grande impacto no Paraná. A área plantada de café é pequena (50 mil hectares). “Uma super safra pressiona o preço, principalmente por causa da quebra da safra no Espirito Santo, que diminuiu a oferta de café conilon”, disse Simioni. Ele afirma, porém, que a falta do conilon no mercado abriu espaço para o café arábica, que é plantado no Paraná.

O resultado da safra passada não deve se repetir neste ano. A estimativa nacional para 2017 é de colher em torno de 45 milhões de sacas de 60 kg. Essa oscilação é por uma questão fisiológica do café. “Quando fazemos análise de uma série histórica de dois anos, percebemos a tendência positiva. Então, poderemos vir a superar esse recorde em 2018”, comentou o analista da Embrapa Café.

MERCADO
O mercado de café torrado e moído sentiu o impacto da quebra da safra do conilon no Espírito Santo. A indústria teve uma queda de 20% na oferta da matéria prima para produção do café solúvel.

De acordo com o diretor executivo da Associação Brasileira da Indústria do Café (Abic), Nathan Herszkowicz, nos últimos dois anos o setor também vem sofrendo com o aumento dos custos de produção. “Com esse cenário de crise econômica, não tem como repassar o aumento dos custos e também (a crise) diminui a capacidade da industria pagar mais pelo grão cru”, comenta.

Segundo ele, a indústria já reduziu em torno de 10% o quadro de funcionários. A exportação de grãos cru e café solúvel também está em queda. Segundo dados do Conselho de Exportadores de Café (Cecafé), as exportações estão caindo, em média 10%, por mês. “O Brasil está perdendo mercado”, afirma Herszkowicz.

Os seis primeiros países que mais adquiriram os cafés do Brasil em 2016, foram: EUA com 6,55 milhões de sacas; Alemanha, 6,29 milhões; Itália, 2,87 milhões; Japão, 2,62 milhões; Bélgica – 2,06 milhões; e, Rússia, 0,987 milhão de sacas de 60kg. Foram exportadas 34,31 milhões de sacas que geraram uma receita cambial de US$5,47 bilhões.

Fonte: Folha de Londrina (Por Aline Machado Parodi e foto de Anderson Coelho)

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