Pandemia do coronavírus causa reflexos na produtividade e preço do café em Patrocínio (MG)

Imprimir
Os reflexos do coronavírus vão além do espectro brasileiro e afeta as commodities internacionais nas bolsas de valores. O superintendente de uma cooperativa em Patrocínio explicou como a doença respiratória tem causado impactos na produtividade e preço do café, tanto para consumo nacional e exportação.

De acordo com Simão Pedro de Lima, superintendente da Cooperativa dos Cafeicultores do Cerrado (Expocaccer), o café sofre com as especulações por ansiedades econômicas e as bolsas de valores acabaram por refletir este cenário. Além disso, o aumento da paridade cambial – relação dólar e real, resulta na elevação geral de todas as commodities, inclusive o café.

“Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o município de Patrocínio é que tem a maior área e produção de café no Alto Paranaíba, mas a cotação do preço da saca depende do cenário internacional. Além disso, a baixa dos preços do petróleo tem influenciado no valor do café, pois quem opera em bolsas buscam por commodities mais estáveis”, explicou.

Ainda sobre a relação petróleo e café, o superintende disse que quando o mercado percebe a instabilidade em uma commodity, eles buscam por outro produto que ofereça mais a sensação de segurança.

“O café, também em função de outras circunstâncias, chamou a atenção dos especuladores em bolsas. Isso acabou aumentando a cotação, que afeta diretamente nos preços. Também tem a questão da oferta [quantidade disponível para venda], uma vez que estamos aproximando do período de colheita, que ocorre entre o fim de abril e início de maio”.

Atraso na colheita

Sobre a colheita, conforme apuração da equipe de reportagem da TV Integração, foi percebido que haverá um atraso nesta etapa, mas a expectativa é de uma grande produção.

De acordo com Simão, se a safra for boa, também pode afetar a expectativa de preço. Ele explicou que nos dias atuais o valor de comercialização do produto é considerado bom. Mas com a entrada da safra o mercado pode reagir negativamnte no sentido de preço, em função da oferta de café aumentar.

“O produtor está torcendo para que se mantenha o preço de R$ 590 à R$ 600 a saca, mas para o consumidor isso pode ser um diferencial. A alta produtividade pode estabilizar o mercado. Mas pode não apresentar mudanças significativas para o consumidor final, uma vez que existem outros custos do café industrializado que não sofrem a afetação. Então, não significa que a alta percentual no café cru afete na mesma proporção o café industrializado em gôndolas de supermercados”, finalizou Lima.

Fonte: G1 Triângulo e Alto Paranaíba (Por Paulo Barbosa, MG1)

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *