País é o segundo na preferência dos investidores internacionais

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O cenário para o setor de fundos de private equity e venture capital não poderia ser melhor. De 2004 a 2008, o volume acumulado de captações cresceu quatro vezes e meia. Passou de R$ 6 bilhões, em 2004, para R$ 27 bilhões em 2008 – de acordo com o último levantamento da Associação Brasileira de Private Equity e Venture Capital (ABVCAP). Pesquisa realizada pela Fundação Getúlio Vargas, aponta que o volume total alcançou US$ 38 bilhões em 2009, com participação de 38 fundos de investimento, avaliados pela instituição. De acordo com Sideny Chamed, presidente da ABVCAP, pesquisas recentes colocam o Brasil em segundo lugar na preferência dos investidores internacionais.

O clima de otimismo não se alterou nem mesmo com o espaço reduzido pela crise de 2008 para operações de abertura de capital. "Os gestores continuam procurando oportunidades mesmo sem ter esta premissa, que é característica do setor", afirma Jhon Lin, sócio-diretor da Fama Private Equity. A retração das empresas que queriam no começo deste ano fazer IPO (sigla em inglês para Oferta Pública Inicial) não significa, segundo Lin, que o cenário piorou. Ele calcula que existam cerca de 25 mil empresas de médio porte no País. Destas, cerca de 5 a 6 mil estão no radar dos investidores. Fora do eixo Rio-São Paulo, as melhores oportunidades de investimentos estão em Minas Gerais, nos Estados do Centro-Oeste e do Nordeste. Esse é o alvo do novo fundo que a Fama Private Equity deve lançar no início de 2011.

As boas perspectivas para os setores de energia, consumo, biotecnologia, agricultura e infraestrutura, continuam animando e atraindo investidores. A Copa do Mundo, em 2014, e os Jogos Olímpicos, em 2016, também devem mobilizar recursos para o Brasil. As cifras ficam bilionárias quando acrescentadas aos eventos esportivos as possibilidades abertas com a exploração do pré-sal. "O mercado está bem aquecido de forma generalizada. Mas o importante é verificar que a utilização da capacidade industrial voltou ao período pré-crise, o que indica a necessidade de grandes investimentos para eliminar gargalos em diversos setores da econômica", analisa Lin.

Para Ricardo Anhesini, sócio-líder de Financial Services da KPMG no Brasil, as oscilações nos mercados da Europa e dos Estados Unidos também fizeram com que investidores estrangeiros buscassem esse tipo de produto no país. "Eles ainda estão reticentes com as economias desses mercados e passaram a enxergar no Private Equity estratégias consistentes com estruturas que o Brasil vai precisar no futuro", destaca.

Há também oportunidades no segmento de consumo, segundo Luís Antonio Fernandes, professor da área financeira da Faculdades Rio Branco. "Produtos alimentícios, restaurantes, remédios, e até mesmo o setor agrícola são fortes candidatos a receber investimentos dos fundos de private equity", diz. "O aporte de recursos, além de bem-vindos, serão essenciais para o crescimento desses setores", afirma. Anhesini, da KPMG, observa que a infraestrutura será a espinha dorsal dos investimentos, mas todo o resto depende dela. "Surgirão oportunidaes no setor imobiliário, no agronegócio, em energia, óleo e gás, sobretudo para capacitar empresas que atuarão no entorno do pré-sal", afirma.

A nova realidade de crescimento econômico do país não deve ser abalada tão cedo. "Nem mesmo as eleições que, no passado, provocavam certo alvoroço assustam mais", comenta Lin. "As preocupações estão concentradas nos marcos regulatórios, que ainda precisam passar por algumas reavaliações", diz. "O maior desafio, porém, vem das empresas que não possuem um alto grau de governança corporativa, principalmente fora do eixo Rio-São Paulo", completa.

Fonte: Valor Econômico

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