OIC: Fórum de Financiamento ao Setor Cafeeiro discute diferentes sistemas de gestão risco dos países produtores

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Nesta terça-feira (06/03), foi realizado, na sede da Organização Internacional do Café (OIC), dentro da 108ª sessão do Conselho Internacional do Café, o 2º Fórum Consultivo sobre Financiamento do Setor Cafeeiro. O tema foi “Gestão de Risco nos Países Produtores”.

Foram realizadas seis apresentações, das quais quatro por representantes de países produtores (Índia, México, Costa Rica e Brasil), uma do Banco Mundial e outra de uma empresa de consultoria na área (Twin Trading).

As apresentações que geraram maior interesse dos participantes foram a do representante da Índia, senhor Jawaid Akhtar, e a do Brasil, realizada pelo diretor do Departamento do Café do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Dcaf/Mapa), senhor Edílson Alcântara.

ÍNDIA — O representante indiano apresentou um Fundo de Estabilização de Preços, criado há quatro anos. Do programa, participam, atualmente, produtores com áreas de até 4 hectares. A adesão ao Fundo é voluntária. O Governo apura o preço médio do café produzido no país com base nos relatórios de preços indicativos da OIC dos últimos sete anos.

A partir desse parâmetro – adotado como preço médio –, Governo e produtores depositam neste Fundo cerca de US$ 10 por saca produzida em uma conta do produtor, que rende juros anualmente. Quando os preços no mercado estão em patamares superiores a 20% do preço médio, os produtores contribuem em dobro por saca e o Governo interrompe sua contribuição. Por outro lado, quando o preço se situa em patamares inferiores a 20% do mesmo parâmetro, os produtores interrompem sua contribuição e o Governo dobra sua participação.

Caso os preços permaneçam, por um período de tempo que é fixado no programa de adesão, abaixo do patamar inferior, os produtores são autorizados a sacar os recursos para utilizar no custeio da atividade. Outra situação em que os produtores podem sacar os recursos é quando ocorrem intempéries climáticas que danifiquem suas lavouras ou prejudiquem a produção futura.

O Governo da Índia comunicou que vem estudando a possibilidade de ampliar o universo dos produtores que poderiam participar do Fundo – para cafeicultores com área até 10 ha –, o que cobriria 99% dos cafeicultores do país. Neste caso, os detentores de áreas acima de quatro ha teriam valores superiores de contribuição por saca de café.

BRASIL — O diretor do Dcaf apresentou informações sobre os mecanismos de CPR, Certificado de Depósito Agropecuário (CDA) e Warrant Agropecuário (WA), além das linhas de financiamento do Funcafé. Alcântara enfatizou a importância do produtor comercializar antecipadamente sua produção, antes de investir na safra futura, o que pode ser feito com o uso da CPR.

Ele frisou, ainda, a necessidade de se transmitir o conhecimento de novas técnicas de comercialização que possibilitem a redução dos riscos, adequando a linguagem para que os produtores entendam os instrumentos de gestão, especialmente no que se refere às Opções de Venda como seguros de preços.

BANCO MUNDIAL — O senhor Marc Sapler, especialista em operações de mercados futuros, em uma curta apresentação, definiu os contratempos que devem ser administrados (que afetem a produção e os preços), a avaliação dos perigos pelos agentes financeiros na concessão de recursos, fazendo uma correlação entre financiamentos e riscos, e enfatizando a importância dos governos criarem processos que sejam utilizados com o objetivo de mitigação, aumentando, dessa forma, o acesso dos produtores a créditos para suas safras.

Fonte: Assessoria de Comunicação CNC (Paulo André Colucci Kawasaki)

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