No Acre, artista plástico expõe quadros pintados com café

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Pintura a óleo, guache, tinta acrílica. Por "não saber lidar direito com as cores", o artista plástico carioca Jorge Carlos Amaral de Oliveira, de 62 anos, resolveu abolir os métodos mais tradicionais de pintura e passou a utilizar um elemento que faz parte da mesa dos brasileiros, para alimentar não o corpo, mas o espírito de quem vê os trabalhos do artista, que por essa "ousadia", passou a ser mais conhecido como "Mané do Café".

Mané do Café estará com a exposição "…E a Gente Brincava Assim", até o dia 6 de junho, no Memorial dos Autonomistas, Centro de Rio Branco. A mostra, que circula desde 1993, já passou por diversos estados do Brasil, além de Itália, Portugal e França.

Em entrevista exclusiva ao G1, o artista fala sobre a exposição e sobre como é voltar ao Acre, estado em que ele realizou seus primeiros trabalhos.

Leia a seguir a entrevista:
G1 – Poderia explicar a técnica que usa e porque escolheu trabalhar com o café?
Mané do Café – A técnica usada é a mesma das aquarelas, com a diferença que só uso uma cor. Escolhi o café por não saber lidar direito com as cores. Tive que optar pelo claro-escuro. Poderia ter sido tinta nanquim ou sanguínea ou crayon, mas preferi o café.

G1 – O que aborda e retrata em suas obras?
Café – Nessa exposição abordei o tema dos jogos e brincadeiras da infância.

G1 – Qual a sua inspiração?
Café – As minhas lembranças, pois brinquei muito na rua. A ideia da exposição surgiu ao ouvir a canção “Menino do Bairro Negro”, do compositor português José Afonso.

G1 – Além da exposição serão realizadas outras atividades, como palestras ou saraus de poesias?
Café – Sim. E também uma oficina para demonstrar a técnica.

G1 – É a primeira vez que vem ao Acre? Como se sente expondo sua obra aqui no estado?
Café – Não. Vivi no Acre por 12 anos e esta exposição, que já roda o mundo há 21 anos, começou por Rio Branco. Agora volta, renovada e acrescida de mais desenhos.

G1 – Como a arte surgiu na sua vida? Além do trabalho usando o café, que outras práticas você domina?
Café – Tudo começou a partir do meu envolvimento com o teatro e este entrou na minha vida por acaso, quando estive no Acre pela primeira vez e o Cícero Farias arrastou-me para o palco. Daí pra cá, não parei mais. Como àquela época tudo era difícil, a gente tinha que se desdobrar e fazer outras coisas, além de representar ou dirigir. Era preciso fazer-se os figurinos, as músicas, o cenário, os cartazes e por aí vai.

Fonte: G1 AC

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