Negócio online: produtores de café vendem grãos especiais direto ao consumidor

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Os irmãos Gabriel e Lucas Lancha assumiram há alguns anos a gestão da Fazenda Labareda, em Franca, interior de São Paulo. Eles fazem parte da sexta geração de fazendeiros da família, que começou a cultivar café na região em 1900. Os irmãos perceberam que havia uma demanda crescente por cafés especiais e começaram a investir mais na produção e venda do produto. No ano passado, os cafés Labareda passaram a ser comercializados em uma nova plataforma na internet, o Made in Farm, criado pela Bayer há dois anos.

No site, os produtores de cafés especiais podem vender diretamente para o consumidor final. Também existe a opção de fechar acordos com trades, cafeterias e grandes compradores, inclusive de fora do país. Gabriel conta que, em uma viagem feita recentemente à Austrália, se surpreendeu ao encontrar a marca Labareda em um café de uma pequena cidade que estava visitando. “Fiquei muito feliz”, diz. “O Made in Farm está ajudando o café brasileiro a chegar mais facilmente às pessoas e empresas”, comenta.

Hoje, quase 300 produtores estão cadastrados no site. Desde 2017, foram comercializados mais de 4 mil quilos de cafés especiais e 100 mil sacas de café verde. A entrega é feita no endereço do consumidor. A Bayer criou o marketplace e contratou uma empresa de logística para fazer as entregas. Os custos são compartilhados entre os produtores de café. A companhia também ajuda a promover degustações dos produtos em pontos de venda.

no2 Café recém-colhido (Foto: Rogerio Albuquerque)

no3 Produto sendo espalhado pelo terreiro (Foto: Rogerio Albuquerque)

Para divulgar a plataforma, a Bayer também fez parcerias com empresas como Toyota, Azul e Riachuelo, nas quais os funcionários podem trocar pontos dos programas de fidelidade oferecidos pelo departamento de recursos humanos por cafés do Made in Farm.

A estratégia tem funcionado. Atualmente, mais de 800 pessoas estão cadastradas no site. Em 2017, eram apenas 68. Mais de 6 mil pacotes de café em grãos e quase 3.500 de café moído já foram vendidos. As transações são feitas diretamente entre o comprador e o produtor.

“Pretendemos cada vez mais estreitar o relacionamento com os produtores e oferecer serviços adicionais”, diz Cristiane Lourenço, gerente de relacionamento da cadeia de alimentos para a América Latina da Bayer. No segundo semestre, a empresa deverá incluir outras culturas na plataforma, entre elas grãos, vinhos e azeites fabricados no Brasil.

no4 Os irmãos cafeicultores Gabriel e Lucas Lancha, da Fazenda Labareda (Foto: Rogerio Albuquerque)

A iniciativa de criar o Made in Farm partiu de algumas pesquisas e observações feitas pela Bayer. Uma delas é uma tendência de comportamento. “O consumidor quer saber mais sobre o alimento que consome e a história do produtor”, diz Cristiane. A cadeia de comercialização também está mudando, segundo ela. Há ainda outro fator. Com as mudanças climáticas, que provocam chuvas e secas mais intensas, os grandes compradores estão procurando diversificar o número de fornecedores. “O objetivo é contar com muitos produtores, para não depender apenas de alguns, caso haja fenômenos climáticos em determinada região que afetem a semeadura”, explica Cristiane. Para os pequenos e médios agricultores, é uma forma de chegar mais perto do mercado consumidor.

Os proprietários da Fazenda Labareda, que plantam café em uma área de 740 hectares, estão vendendo o café especial produzido no local para países como Estados Unidos, Japão e Alemanha. “O mercado de cafés especiais traz maior valor agregado, com uma rentabilidade mais expressiva”, diz Gabriel. A fazenda também comercializa café verde.

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Especialistas contratados pela propriedade fazem o controle de qualidade e separam os grãos utilizados nas marcas premium. Depois de secos e torrados, os cafés são saboreados por degustadores e recebem uma pontuação. Aqueles que obtêm mais de 80 pontos seguem para as embalagens especiais. “O café tem história, ele precisa de muito cuidado, demora até crescer e qualquer chuva mais forte pode prejudicar o cultivo”, diz Gabriel. “É muito bom poder compartilhar isso com os compradores e ver a marca em várias partes do país e no mundo”, complementa.

Fonte: Globo Rural

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