Michael Neumann: maior comerciante de café do mundo aposta no Brasil

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Cordial e atento a todas as informações, Michael Neumann, presidente do grupo NKG, líder mundial em comercialização do café, participou de reunião na Universidade Federal de Lavras (UFLA), juntamente com representantes da Fundação Hanns Neumann no dia 27 de janeiro. Ao final da reunião, concedeu entrevista exclusiva ao Polo de Excelência do Café, em que destacou o papel do Brasil no atendimento à crescente demanda mundial de café. Ressaltou ainda a importância de ampliar a difusão e transferência de tecnologias para os produtores familiares, como o segmento capaz de responder à ampliação da oferta que se mostra necessária. Embora controverso, acredita que o diferencial do café brasileiro esteja na quantidade da oferta de cafés naturais de terreiro. Otimista, prevê a manutenção de preços remunerativos ao produtor e considera que o café será um bom negócio. Veja suas considerações:

POLO: O que faz o maior comerciante de café do mundo, com empreendimentos em todos os segmentos da cadeia, em uma universidade de Minas Gerais? A aproximação com a academia é um modelo adotado pelo NKG?
Michael Neumann: Nos últimos anos, comecei a pensar que além dos negócios em café, é muito importante haver uma situação justa, equitativa entre países produtores e consumidores, sobretudo, em casos de países pobres e para os pequenos agricultores. Assim, vejo um processo em que deve haver o envolvimento de todos os stakeholders, todas as partes interessadas. Produtores, consumidores, indústria torrefadora, comércio internacional, exportadores de café, com a presença também do governo, estadual e federal, e a academia. Todos que podem contribuir para este processo são bem vindos.

POLO: O conhecimento gerado na universidade, neste caso UFLA e instituição parceiras, também interessa a uma empresa global como a sua?
Michael Neumann: Sim. Participamos de uma reunião de três horas, com pequenas apresentações que nos dão a luz que nesta universidade tem uma quantidade de conhecimento e pesquisas enorme. O grande passo talvez seja levar estas pesquisas para o mundo real, onde se aplica o conhecimento em produtos industriais e agrícolas. Este é um longo caminho. Eu espero que projetos de cooperação com a Fundação Hanns Neumann do Brasil possam tomar este caminho.

POLO: O papel do Polo de Excelência do Café é atuar justamente no sentido de aproximar a academia do mercado, ou seja, incentivar a inovação por meio de parcerias entre empresas e a universidade…
Michael Neumann: Eu creio que diminuir esta distância é um objetivo muito importante.

POLO: O que o grupo Neumann pensa sobre o café do Brasil? Qual nosso ponto positivo e em que precisamos melhorar?
Michael Neumann: Afortunadamente, temos uma economia de café mundial que segue crescendo lentamente, porém, constante. Há novos consumidores em muitos países. O Brasil vai cumprir o papel mais importante para atender o crescimento do consumo mundial. Hoje, temos preços de café que podem ser remunerativos aos produtores para que assumam este aumento de produção. Eu conheço este país bem antes de você nascer, você é jovem, (referindo-se a jornalista Cibele Aguiar), vivi por aqui algum tempo também, e percebo certa relação entre o produto e as pessoas que o produzem. O café brasileiro é a base qualitativa e econômica da indústria mundial do café.

POLO: Em todo este tempo, o senhor visualiza uma evolução da qualidade do café brasileiro? A imagem do nosso café tem melhorado no cenário internacional?
Michael Neumann: Sim, definitivamente. Eu creio que o “Know how” da propriedade, na produção, evoluiu muito, especialmente no processamento seco (café natural de terreiro).

POLO: O senhor considera que o café natural seja o grande diferencial do Brasil?
Michael Neumann: Sim, eu defendo a ideia de que seja um diferencial, porque no mercado de cafés lavados o Brasil é considerado um substituto. Também tem a preocupação de que hoje o produtor brasileiro investe na produção e preparação de um café (diferenciado), que é um bom café, porém, a nível mundial, pode ser que nos próximos anos não tenha um prêmio para a qualidade de um bom café, como hoje. Neste sentido, há que se repensar no mercado de café descascado e despolpado brasileiro.

POLO: O que o mercado espera do produtor brasileiro?
Michael Neumann: O consumo cresce e os métodos de produção dos pequenos produtores precisam ser melhorados. Existem experiências de produtores que tiveram sua produção dobrada com a adoção de tecnologias, como base para a sustentabilidade da agricultura familiar. Eu não tenho uma bola de cristal para prever, mas estou confiante de que estamos em uma situação bem equilibrada e, em uma série de anos, a produção de café será um bom negócio para o produtor. O que me preocupa é que tantos jovens estão saindo do campo e vão para as cidades. Sabemos que a única forma de fazê-los retornar ao campo será com um bom preço para o café, para que seja uma atividade econômica viável.

POLO: Nos últimos dias os preços de café mostraram uma tendência de alta, que o senhor mesmo justificou pelo aumento da demanda. Teremos anos mais tranqüilos para o produtor?
Michael Neumann: Sim, eu creio que a macro estatística do café é bastante estável e balanceada. Assim, se pode dizer, por uma visão macro econômica, que há esperança que os preços sigam remunerativos. Isto não quer dizer que o preço amanhã não vai baixar, mas acredito que os preços seguirão esta tendência nos próximos anos. Tenho dito que investir em café é um bom negócio. Digo isto porque é muito mais fácil investir em soja, ou outro produto que amanhã terá uma remuneração. O café exige paciência, afinidade, uma relação entre produto e produtor que deverá valer à pena.

POLO: Como teve início a sua trajetória no mundo do café?
Michael Neumann: Meu pai (Hanns Neumann) era corretor de café em uma praça na Alemanha e assim começou a história. Aprendi com diferentes profissionais sobre o comércio de café. Tive outras idéias profissionais, mas decidi por este trabalho e estou contente por isso.

Fonte: Polo de Excelência do Café

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