Mercado interno de cafés especiais busca expansão

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A superoferta de café arábica no mercado interno e a consequente redução nos preços desse tipo pode aumentar a demanda nacional para o consumo de cafés especiais, feitos 100% com o grão arábica, segundo avaliação da consultoria inglesa Mintel, obtida pelo DCI. Até então, a estimativa do mercado brasileiro de café é de um aumento da demanda interna por cafés especiais de 1 milhão de sacas para 3 milhões de sacas em dez anos, o que representa um aumento de participação de 5% para 15%, mas o mercado trabalha com crescimento ainda maior nos próximos anos.

No início de novembro, o preço da saca de 60 quilogramas do café arábica alcançou o menor patamar desde novembro de 2007.

No dia 4, a cotação estava em R$ 241,50. A última cotação abaixo desta foi registrada em 6 de novembro de 2007, quando a saca foi negociada em R$ 240,09, de acordo com o Centro de Pesquisas em Economia Aplicada (Cepea). Em outubro deste ano, o café arábica foi cotado pela metade do preço de outubro de 2011 (53% menor), ano em que a produção foi de 43,48 milhões de toneladas. Neste ano, a produção deve chegar a 47,54 milhões de toneladas, apesar da bianualidade, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

De acordo com a Mintel, a oferta mais barata de grão arábica para cafés especiais pode reduzir os custos das cafeterias e estimular sua expansão no País, aumentando a disponibilidades de locais para consumo de cafés com mais qualidade. Segundo o analista global do setor de bebidas da Mintel, Jonny Forsyth, o consumo de cafés especiais no Brasil é estimulado pelo aumento do número de estabelecimentos voltados para o consumo de café.

Segundo a Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA), "o consumo desse tipo de café é o que registra o maior índice de crescimento no mercado brasileiro", com avanço de 10% a 15% ao ano, enquanto em todo o mundo esse consumo cresce 15% anualmente. Apesar de ainda abaixo da evolução do consumo global, a demanda por cafés especiais no País cresce mais rápido do que o aumento do consumo dos cafés tradicionais, que gira em torno de 3%. No mundo, o consumo de café tradicional sobe entre 1,5% e 2%.

Uma pesquisa da Mintel apontou que 25% dos consumidores no País preferem as marcas premium às marcas comuns, e 75% das pessoas que tomam café fora de casa preferem provar diferentes tipos de café em cafeterias.

"A cada ano, entram mais consumidores nesse contingente de pessoas que experimentam e usam cafés de alta qualidade. Normalmente encontram esses cafés nas casas de café, ou em restaurantes, e depois levam esse hábito para dentro de casa porque veem à disposição em supermercados", observou Natan Herszkowicz, diretor executivo da Associação Brasileira da Indústria do Café (Abic).

Gourmet — A produção nacional de cafés extra especiais também é maior que o consumo. Segundo estimativa da BSCA, o País produziu neste ano 4 milhões de sacas, cerca de 8% da produção nacional.

Essa oferta tem potencial de crescer, segundo Cesar Candiano, consultor de cafés especiais da Cooperativa Regional dos Cafeicultores de São Sebastião do Paraíso (Coparaíso).

Entre 5% e 10% da produção da cooperativa, que soma de 1 milhão de sacas, é de cafés especiais, voltada exclusivamente para o mercado externo. Porém, a cooperativa vê potencial no mercado nacional com o aumento da renda interna.

A produção de café especial pode ser feita pelo processo natural de secagem do grão com a casca ou pela secagem sem a casca. Segundo Candiano, embora esse modelo exija mais investimentos, ele reduz custo de secagem e armazenagem, reduzindo o impacto do aumento de custos. Na venda, o cafeicultor que produz tipos especiais chega a ganhar um prêmio até 50% acima do valor cotado no mercado.

Fonte: DCI via Rede Social do Café

 

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