Mercado externo volta a refletir e café fecha em queda na ICE

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Mais uma vez o café sofre com a pressão dos mercados externos. Em uma sessão que tinha um perfil de alta, ainda que moderada, o que se viu, na parte final dos negócios, foi uma nova ação vendedora de especuladores e fundos, o que fez com que o café negociado na ICE Futures US, em Nova Iorque, encerrasse as operações com perdas.

O dia foi iniciado bastante calmo, com pouca volatilidade e com cotações com altas moderadas. O cenário externo, próximo da estabilidade para as commodities, também dava suporte para esse quadro.

No entanto, na esteira de algumas notícias negativas na parte final do dia, o mercado voltou a ser pressionado por algumas vendas especulativas e de fundos e, pouco a pouco, as perdas foram se formando. O março, no entanto, voltou a encontrar compradores próximo do suporte de 230,00 centavos de dólares por libra peso e esse nível, mais uma vez, conseguiu ser preservado.

No after-hours, algumas compras foram observadas e o fechamento se deu em um patamar ligeiramente acima do observado no intraday. Operadores ressaltaram que o mercado continua se movimentando dentro de uma trajetória absolutamente técnica e que a pressão vendedora vem basicamente da influência de um cenário externo, no qual as commodities, em geral, estão perdendo parte de suas gorduras acumuladas ao longo das últimas semanas.

Ao longo desta semana o café na bolsa de Nova Iorque registrou uma perda de 980 pontos, o que representa mais de 4%. No encerramento do dia, o março em Nova Iorque teve baixa de 230 pontos com 230,70 centavos, sendo a máxima em 235,50 e a mínima em 230,30 centavos por libra, com o maio tendo oscilação negativa de 240 pontos, com a libra a 232,25 centavos, sendo a máxima em 237,00 e a mínima em 231,80 centavos por libra.

Na Euronext/Liffe, em Londres, a posição março registrou queda de 6 dólares, com 2.023 dólares por tonelada, com o maio tendo desvalorização de 6 dólares, com 2.041 dólares por tonelada. Segundo analistas internacionais, o dia foi caracterizado por uma vertente inicial, compradora, basicamente integrada por especuladores, que realizaram ofertas limitadas e garantiram um ganho apenas modesto para o café.

A segunda vertente, vendedora, veio com mais força e integrou também fundos. "Como o mercado, em geral, reagiu mal às notícias sobre o emprego nos Estados Unidos, também passamos a ser pressionados no café, o que culminou no fechamento no vermelho", disse um trader nova-iorquino.

O mercado de futuros da maior parte das commodities reagiu com desvalorização à divulgação, por parte do Departamento de Emprego dos Estados Unidos, do dado sobre a taxa de desemprego naquele país. A taxa atingiu seu patamar mais baixo nos últimos dois anos, embora com um ritmo de criação de emprego mais lento do que o esperado, o que introduziu um elemento de pessimismo das análises produzidas pelos players.

A taxa de desemprego norte-americano recuou para o nível de 9,4% no mês de dezembro, sendo que naquele mês foi verificada a criação de 103 mil empregos, ao passo que o mercado esperava um número próximo de 150 mil novos postos de trabalho. A libra de café arábica poderá atingir os 400,00 centavos de dólar no final de 2011 e os robustas deverão seguir a tendência.

O mercado passou a experimentar altas no último semestre do ano passado, chegando a bater em 242,25 centavos por libra peso, maior nível em 13 anos. Shawn Hackett, presidente da Hackett Financial Advisor, previu que os futuros do grão poderiam alcançar os 250,00 centavos por libra no final de 2010.

Sua projeção, a mais alta entre 21 analistas que responderam a uma pesquisa da Reuters, foi a que mais se aproximou da realidade.

A perspectiva de Hackett se baseou nos fundamentos observados pela enorme disparidade entre os diferenciais e o preço dos futuros nesse momento, justamente quando o maior produtor mundial de lavado, a Colômbia, iniciava seu segundo ano de reduzidas safras. "Minha tese foi que a escassez eventualmente continuaria no mercado futuro e isso ocorreu", sustentou. Hackett prevê que os futuros de arábica subirão 65% neste ano, depois de a Colômbia registrar seu terceiro ano de baixa produção.

Para ele, os robustas também deverão ter um viés altista e atingirão 3.300 dólares por tonelada ao final do ano que está sendo iniciado. "Não há razão para que o robusta não siga a tendência", observou.

O especialista lembrou que outro indicador de que a escalada altista do mercado de arábica ainda não terminou é que não se registrou uma ação forte e extremamente rápida para baixo. Ele, por fim, advertiu que o complexo de matérias-primas pode ter baixas no primeiro trimestre de 2011, o que poderia redundar em algumas baixas para o café, o que oferecerá uma boa oportunidade para comprar grãos.

As exportações de café do Brasil em janeiro, até o dia 6, somaram 179.693 sacas, contra 48.770 sacas registradas no mesmo período de dezembro, informou o Cecafé (Conselho dos Exportadores de Café do Brasil).

Os estoques certificados de café na bolsa de Nova Iorque tiveram queda de 2.559 sacas indo para 1.688.926 sacas. O volume negociado no dia na ICE Futures US foi estimado em 18.334 lotes, com as opções tendo 5.649 calls e 8.863 puts.

Tecnicamente, o março na ICE Futures US tem uma resistência em 235,50, 236,00, 236,50, 236,85, 237,00, 237,50, 238,00, 238,30, 238,50, 239,00, 239,50 e 239,90-240,00 centavos de dólar por libra peso, com o suporte em 230,30, 230,10-230,00, 229,50, 229,00, 228,50, 228,00, 227,50, 227,00 e 226,50 centavos por libra.

Fonte: AgnoCafe

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