Mercado externo é principal foco de cooperativas rurais

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As cooperativas agropecuárias são verdadeiras gigantes do setor no Brasil, produzindo milhares de toneladas de alimentos por ano. Mas quase toda a produção vai para o mercado externo. No ano passado, mais de 95% de tudo aquilo que foi gerado pelas comunidades agrícolas saiu do país, principalmente para Europa, Ásia e Oriente Médio.

Segundo dados da OCB (Organização das Cooperativas Brasileiras), do total de 7.261 associações existentes no país, 1.615 grupos atuavam na atividade agropecuária (22%). Dos R$ 166 bilhões (US$ 88,5 bilhões) movimentados no ano passado, mais de 80% foram gerados nas comunidades rurais.

Evando Ninaut, gerente de mercados da OCB (Organização das Cooperativas Brasileiras), afirma que só as exportações passaram dos R$ 6,3 bilhões (US$ 3,6 bilhões) em 2009. Para este ano, a previsão é de recorde, superando os R$ 7 bilhões (US$ 4 bilhões) negociados em 2008.

– De toda a produção de cooperativas do país que vai para o exterior, quase tudo vem das agropecuárias.

A Coamo, do Paraná, é a maior do setor agroindustrial. Com mais de 22.300 associados e 5.000 funcionários, a cooperativa destina grande parte de sua produção para o exterior. Em 2009, a companhia faturou R$ 4 bilhões.

O engenheiro agrônomo José Aroldo Gallassini, diretor-presidente da Coamo, afirma que a união associativa permite que esses produtores rurais tenham o acesso ao mercado externo. Sem o poder de negociação com o grupo, os pequenos agricultores ficariam impedidos de vender suas matérias-primas para fora.

– O pequeno só cuida de plantar. Uma cooperativa significa muito para seus associados porque dá estrutura e assistência à colheita, à pesquisa, à venda e à industrialização. A falta de base é uma dificuldade de estar sozinho. Se ela saísse, essas comunidades ficariam na mão de atravessadores, de cerealistas, de revendas de insumos, em que não se teria o compromisso com o sucesso nem com o social.

Cultura cooperativista

Apesar dos dados positivos, o gerente da OCB diz que o Brasil ainda tem muito a crescer nessa área. Na opinião de Ninaut, todos os setores têm oportunidades para explorar, mas os empreendedores têm que mudar sua maneira de ver o cooperativismo.

– Ainda não temos a cultura do cooperativismo. Na Alemanha, por exemplo, a produção de cooperativas é da ordem de 50% do PIB. Aqui, movimentamos 6%. Quando falamos em cooperativas por aqui, as pessoas acham que é um trabalho voltado à caridade, quando na verdade não é. Precisamos sedimentar a filosofia cooperativista no nosso país.

Ele diz que a Copa e as Olimpíadas são grande chance para nossas cooperativas, tanto as de construção e habitação, de transporte, de trabalho, como de turismo e lazer.

Fonte: Portal R7

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