Mercado em NY encerra a semana sem direção definida

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Sem grandes emoções, o mercado futuro de café arábica na Bolsa de Nova York (ICE Futures US) encerra a primeira semana de fevereiro. Os contratos consolidam atuais níveis de preço, à espera de mais informações sobre as condições das lavouras no Brasil. Ontem o mercado andou de lado, dentro do intervalo do dia anterior.

As chuvas desta semana finalmente alcançaram a região da Zona da Mata (de Minas e do Espírito Santo), que estavam sem receber uma gota d’água desde o início do ano, segundo a meteorologia. Também há relatos de chuvas no sul de Minas, cujas lavouras foram castigadas pela falta de água e altas temperaturas no verão de 2014 e deste ano.

A meteorologia alerta, no entanto, para a retomada do tempo seco na semana que vem. “A partir de segunda-feira (9), as chuvas voltam a diminuir nas áreas produtoras de café, restando pancadas irregulares principalmente sobre a parte sul do cinturão cafeeiro”, prevê a Somar Meteorologia.

Esse quadro de incerteza climática mantém os operadores em compasso de espera de novos dados. Parte dos analistas considera que o potencial produtivo da safra 2015 já está comprometido. Os grãos, cuja colheita deve começar entre abril e maio, tendem a ser menores por causa da falta de água, entre outros problemas.

Outra parte dos analistas avalia, no entanto, que as previsões de catástrofe na oferta de café pelo Brasil estão longe de ocorrer. Afinal, ao contrario do ano passado, têm chovido nas áreas produtoras, mesmo que de forma irregular e abaixo da média. Quanto ao robusta (conilon), como o próprio nome sugere, a expectativa é de que das plantas consigam produzir bem, apesar da adversidade do climática.

Relatório do Citigroup revela que a condição de persistente estiagem no Brasil deve provocar um atraso na colheita deste ano. As cotações, no entanto, mostram-se sem uma direção definida no curto prazo. Os industriais sinalizam que não têm urgência na compra. Em compensação, os produtores também se recusam a negociar nos atuais baixos preços.

No médio prazo, os estoques globais vão encolhendo e existe perspectiva de déficit na oferta do grão em relação à demadna. Na quarta-feira, os estoques certificados pela ICE caíram para o menor nível desde 11 de outubro de 2012.

Os fundos de investimento ditam os movimentos do mercado. Esses participantes reduziram o saldo líquido comprado para 13.632 lotes no dia 27 de janeiro, considerando futuros e opções. Hoje à tarde será divulgado relatório da Commodity Futures Trading Commission (CFTC) com posicionamento dos fundos na semana encerrada em 3 de fevereiro.

As rolagens de posição para fora do vencimento março prosseguem com a negociação de spreads, principalmente março/maio. O início do período de notificação de entrega do março ocorre a partir do dia 19 de fevereiro. Na quarta-feira (4), março ainda acumulava maior volume de contratos em aberto (60.863 lotes). Maio tinha em aberto 41.786 lotes, para um total geral de 167.756 lotes.

Os indicadores técnicos baixistas continuam intactos. O objetivo é o suporte a 160,10 cents, 158,40 cents e 157,80 cents. Em contrapartida, os contratos só devem indicar melhora acima de 167 cents e 170 cents.

Os futuros de arábica em Nova York trabalharam em baixa na maior parte da sessão de ontem, apesar da alta do dólar. Março/15 teve leve queda de 15 pontos (0,09%) e terminou a 164,75 cents por libra-peso. A máxima foi de 166,40 cents (mais 160 pontos). A mínima alcançou 163,30 cents (menos 160 pontos).

O mercado físico de café teve mais uma semana de muitos pouco negócios. A base de preço entre comprador e vendedor está longe de se aproximar, dificultando as vendas, informa corretor de Santos (SP). O comentário na praça de Santos é que café de boa qualidade, tipo 6, foi cotado a R$ 460 a saca.

Os pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP) informam que as cotações do arábica no mercado físico brasileiro subiram ontem. A oscilação constante do mercado mantém a liquidez lenta. O indicador Cepea/Esalq do tipo 6, bebida dura, posto na capital paulista, fechou a R$ 475,12/saca de 60 kg, avanço de 1,29% em relação ao dia anterior. O dólar fechou a R$ 2,742, leve desvalorização de 0,18% no mesmo período.

Os preços do robusta também oscilaram. O indicador Cepea/Esalq do tipo 6, peneira 13 acima, fechou a R$ 296,68/saca de 60 kg, recuo de 0,31% em relação ao dia anterior. O tipo 7/8, bica corrida, ficou em R$ 286,36/saca, avanço de 1,15% na mesma comparação – ambos à vista e a retirar no Espírito Santo.

Fonte: Agência Estado / Café da Terra via Rede Social do Café

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