Mão de obra escassa eleva custos do café

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Com o início da colheita de café em Minas, os produtores do grão voltaram a enfrentar problemas para contratar mão de obra, que, além de escassa, fica mais cara a cada ano. Em algumas regiões, os custos com os colhedores cresceram mais de 60%, se comparados com os de 2010.

De acordo com representantes de cooperativas do segmento, os gastos com a colheita não mecanizada chegam a representar 50% do valor final da saca de café, hoje cotada a R$ 500. Para evitar prejuízos, os cafeicultores devem ficar muito atentos para as despesas com mão de obra e, sempre que possível, investir na mecanização da cultura.

Entre os fatores que reduzem a oferta de trabalhadores para a colheita estão o aumento da escolaridade da população rural, o que abre novas oportunidades de empregos, e a demanda aquecida, principalmente na construção civil.

De acordo com o gerente de desenvolvimento técnico da Cooperativa Regional de Cafeicultores de Guaxupé, Joaquim Goulart de Andrade, com a diversificação das oportunidades de empregos, os trabalhadores têm optado por cargos efetivos e não temporários, como a colheita do grão.

"A mão de obra é o principal componente dos custos da saca de café. Para amenizar os gastos, os cafeicultores estão investindo cada vez mais na mecanização. Porém, devido ao relevo em algumas regiões do Estado, muitas vezes não é possível mecanizar o processo", diz.

Segundo Andrade, a mão de obra na região de Guaxupé está 62,5% mais cara que a contratada em 2010. No ano passado, o valor pago por 60 litros de grãos colhidos era de R$ 8, hoje está em torno de R$ 13. O encarecimento dos custos foi amenizado pela valorização da saca, que passou dos R$ 250 para os atuais R$ 500.

"Mesmo com o encarecimento dos custos, os cafeicultores que têm produção eficiente estão lucrando com a atividade. A tendência é que a cada ano os investimentos na mecanização cresçam. Nos locais em que a colheita só é possível na forma manual, a solução é contratar trabalhadores de outras regiões e até mesmo de outros Estados. Porém, neste caso, os custos deverão ser muito bem avaliados, para evitar perdas financeiras", alerta Andrade.

Os produtores associados à Cooxupé deverão produzir na safra atual cerca de 30% a menos que no período produtivo anterior, quando foram comercializadas pela cooperativa cerca de 5 milhões de sacas de 60 quilos. Além da bianualidade negativa da cultura, a perdas também poderão ser agravadas pelo temporal da semana passada. De acordo com Andrade, os fortes ventos derrubaram parte dos grãos, o que pode vir a comprometer a qualidade final do produto.

O encarecimento da mão de obra também está comprometendo parte dos ganhos dos produtores ligados à União Cooperativa Agropecuária do Sul de Minas (Unicoop), com sede em Três Pontas, também no Sul do Estado. De acordo com o engenheiro agropecuário Flávio Botrel Vicentini, o aumento do nível de escolaridade é o principal responsável pela baixa oferta de trabalhadores.

Com a escassez, os produtores estão investindo na mecanização da cultura e nos incentivos para capacitar novos profissionais, através de parcerias com o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural(Senar-MG). O custo com a mão de obra, desde a aplicação dos tratos culturais até a colheita do grão, representa cerca de 60% dos valores finais da saca de café na região..

Além do aumento da escolaridade, nos últimos anos o setor cafeeiro de Minas enfrentou diversos problemas que comprometeram os rendimentos dos produtores e, conseqüentemente, dos salários pagos aos trabalhadores rurais. O resultado foi a migração da mão de obra para serviços que ofereciam ganhos maiores", afirma Vicentini.

Na Cooperativa Regional dos Cafeicultores do Vale do Rio Verde, localizada em Carmo de Minas, ainda na região Sul, o valor gasto com a mão de obra por saca gira em torno de R$ 180.

O relevo montanhoso impede que os produtores invistam na mecanização da cultura, o que faz a colheita ser totalmente manual em 90% dos cafezais. Enquanto em doutros locais do Estado o valor pago aos colhedores gira em torno de R$ 13 por 60 litros do grão, a elevada demanda faz os preços na região girarem em torno de R$ 15.

Mecanização – A mecanização dos cafezais tem reduzido os custos dos produtores associados à Cooperativa Regional dos Cafeicultores de São Sebastião do Paraíso (Cooparaíso). De acordo com o engenheiro agrônomo Marcelo Almeida, cerca de 40% dos cooperados já mecanizaram os cafezais. O aumento dos custos com mão de obra e a redução do números de trabalhadores foram os principais impulsos para os investimentos.

Na região de atuação da Cooparaíso, o custo com os colhedores responde por 30% dos preços finais da saca, e a mão de obra no restante dos processos compromete 15% do valor. "Mesmo com os rendimentos comprometidos nos últimos anos, os cafeicultores da região têm preferido investir na mecanização a pagar alto pelos colhedores. A tendência é de que a mecanização seja ampliada a cada ano", diz Almeida.

Fonte: Diário do Comério – MG

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