Linha gourmet já é quase 50% das vendas da Café do Centro

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Uma das mais tradicionais torrefadoras do país, a paulistana Café do Centro deve chegar ao fim do ano com uma receita de R$ 36 milhões. Apesar do tamanho módico, se comparado ao dos grandes players do setor, a empresa ostenta o título de maior indústria de café gourmet do Brasil.

Neste ano, quase metade do faturamento virá da venda de café especiais. O objetivo, afirma Rodrigo Branco Peres, que comanda a companhia em sociedade com seu primo Rafael Branco Peres, é aumentar essa fatia para até 60% nos próximos três anos. "Embora a maior parte da receita venha de outros segmentos, nossa grande paixão são os cafés finos", diz Rodrigo.

O principal negócio da Café do Centro é o fornecimento de café torrado e moído para cozinhas industriais e marcas próprias. Nos últimos cinco anos, porém, quase todo o crescimento da empresa – que praticamente dobrou de tamanho no período – foi assegurado pelo mercado gourmet. "Vamos crescer perto de 25% neste ano, tudo em cafés finos", diz Rafael.

O empresário afirma que a tendência deve se manter, à medida que mais consumidores tomam café em bares, restaurantes e hotéis e ficam mais rigorosas em relação à qualidade da bebida – e, mais importante, dispostos a pagar por elas. "Atualmente, pouco mais de 5% do café é consumido fora de casa no Brasil. Na Itália, é aproximadamente 50%. Então, estamos apenas no início", compara.

A expansão do consumo em outras capitais, como Manaus e Natal, e em cidades do interior paulista, como Bauru, também impulsiona o crescimento da empresa, que deve encerrar o ano com aproximadamente 3,6 mil pontos de venda.

Rodrigo afirma que, apesar do crescente interesse das grandes torrefações por produtos diferenciados, o mercado gourmet deverá ficar na mão de empresas pequenas. "O segmento de cafés finos é muito específico, requer seu envolvimento em todas as etapas da cadeia, um serviço completo, e movimenta volumes muito pequenos. O negócio das grandes continua a ser escala", acredita. Em 2011, a Café do Centro tem moído, em média, 5 mil sacas de café ao mês.

Apesar da experiência bem-sucedida no exterior, a Café do Centro não tem interesse em investir em uma rede própria de cafeterias no país. "Não vamos concorrer com nossos clientes", afirma Rodrigo. No Japão, onde desembarcou em 2006, a empresa possui oito cafeterias – duas lojas próprias, em sociedade com um investidor local, e seis franqueadas. A esperança é ampliar a presença no continente asiático, embora a crise tenha freado as ambições originais. "Estamos próximos de fazer algo nas Filipinas, mas ainda não temos nada definido", despista Rafael.

Fonte: Valor Econômico

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