Lideranças do café questionam previsão de safra da Conab

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Os representantes de grandes cooperativas do setor cafeeiro questionaram em entrevista exclusiva ao Coffee Break a previsão de safra de café divulgada na semana passada pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). De acordo com os estudos realizados por essas cooperativas, o percentual da quebra de safra para este ano será muito maior do que o divulgado pela Companhia.

Segundo o presidente da Cooxupé, Carlos Paulino, a cooperativa faz um amplo estudo em sua área de atuação para conhecer a previsão de safra e que para este ano, a quebra será em torno de 35%, em comparação com o ano passado. “A Conab está prevendo uma quebra de safra por volta dos 20% a 25% em relação ao ano passado. Se compararmos com a previsão da Cooxupé, que tem uma grande área de abrangência, vamos chegar à conclusão de que em Minas Gerais nossos números estão um grande exagero”, disse Carlos Paulino.

Apesar disso, o presidente da Cooxupé diz que a divulgação da safra ainda não mexeu com o mercado. “Podemos perceber que da semana passada para cá, os preços se mantiveram, ou seja, o mercado ainda não foi afetado”, disse.

Carlos Paulino acredita que mesmo que a previsão de uma safra maior da Conab se cumpra, ainda vai faltar café. “Essas estimativas já apontavam para a falta do produto desde o fim do ano passado. Mesmo com os números da Companhia, ainda assim, faltará café”.

Os números da Cooparaiso são idênticos aos da Cooxupé, de acordo com o diretor executivo da cooperativa, Paulo Sérgio Elias. “Depois de amplo e profundo estudo do departamento técnico da Cooparaiso em sua área de atuação, chegamos à conclusão de que a quebra de safra será de 35% em comparação a 2010”, esclareceu ele.

Segundo o diretor, os números da Cooparaiso e da Conab são “díspares. Nosso estudo aponta para um número muito maior”, disse Paulo Elias.

O engenheiro agrônomo da Cooperativa dos Cafeicultores da Zona de Varginha – Minas Sul, Silvio Luis de Almeida, a quebra de safra da área de atuação da cooperativa será de 10%. “Esse é um número de grande responsabilidade no setor, feito pelas cooperativas através de um amplo estudo dos técnicos especializados, por isso é preciso cautela”, finalizou Silvio.

Da Conab

A primeira estimativa para a produção de café arábica e conilon em 2011 indica que o Brasil deverá colher entre 41,89 milhões e 44,73 milhões de sacas de 60 kg do produto beneficiado. De acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), responsável pelo estudo divulgado no dia 6, isso representa uma redução entre 12,9% e 7,9% na comparação com as 48,09 milhões de sacas da temporada anterior.

Para a Conab, o motivo da quebra é a bienalidade do produto, que intercala um ciclo produtivo alto e outro baixo. Se forem considerados os anos de baixa bienalidade, a safra atual será maior que a de 2009, quando a produção atingiu 39,47 milhões de sacas.

De acordo com matéria publicada na semana passada “O levantamento foi realizado por técnicos da Conab e de instituições parceiras, no período de 8 de novembro a 3 de dezembro de 2010. Eles visitaram as áreas de maior produção dos estados de Minas Gerais, Espírito Santo, São Paulo, Bahia, Paraná, Rondônia e Rio de Janeiro”.

Fonte: Coffee Break

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