Legislação reforça controle de qualidade do café nacional e impulsiona mercado

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Sinônimo de bebida de qualidade em diversos países, o café brasileiro aos poucos se firma também no território nacional. Conforme dados da Associação Brasileira da Indústria do Café (Abic), o consumo no país em 2010 teve o melhor desempenho em 35 anos, atingindo 4,81 quilos anuais de café torrado por habitante, crescimento de 3,5% em relação ao ano anterior.

Na carona desse avanço, mudanças na legislação tendem a melhorar a qualidade do produto voltado ao mercado interno. Maior exportador de café, o Brasil passa à frente, em consumo, de países como Itália e França, mas ainda fica longe dos nórdicos, onde a média é de 13 quilos por pessoa.

E a tendência é que esse crescimento continue, alavancado por uma resolução do Ministério da Agricultura que passou a vigorar no final de fevereiro. Conforme a Instrução Normativa 16, de maio de 2010, foi estabelecido o Padrão Oficial de Classificação do Café Torrado em Grão e Café Torrado e Moído.

Entre as exigências, está a determinação do percentual máximo de umidade (5%), impurezas (1%) e misturas (0,1%) no produto. Como impurezas, por exemplo, são consideradas cascas, paus e restos de folha do cafeeiro. Já as misturas envolvem itens como sementes de milho, açaí e fragmentos metálicos do moinho do café.

A nova legislação busca evitar fraudes, despertar no consumidor um gosto mais apurado e aprimorar o produto. Além dos testes de impureza e umidade, a análise sensorial avaliará itens como fragrância do pó, aroma, acidez, sabor e a qualidade da bebida.

Até 2013, o Ministério da Agricultura pretende formar 340 profissionais especialistas em reconhecer as características do café, o que reforçará o controle de qualidade. – Queremos intensificar a fiscalização para chegar a ter cafés com, no mínimo, grau 4 de qualidade, em uma escala de 0 a 10, dentro de dois anos – diz Manoel Bertone, secretário de Produção e Agroenergia do Mapa.

O esforço de qualificação do café brasileiro começou com a criação do Selo de Pureza da Abic, em 1989, que adotou esses índices de pureza desde o início. A cada ano, são analisadas, em média, 2,9 mil amostras de café, coletadas em supermercados, mercados e padarias.

A qualidade do café consumido dentro do país melhorou muitos últimos anos, aponta o diretor executivo da Abic, Nathan Herszkowicz. Segundo ele, desde 2000, surgiram mais de cem variedades do chamado "café gourmet", de qualidade superior. Com a medida, o padrão dos cafés tradicionais, de valor mais baixo, deve melhorar. – Antes, o Mapa não tinha como fiscalizar.

Agora, com a nova legislação, será feito um trabalho integrado, que vai retirar os produtos inadequados do mercado e beneficiar o consumidor final – diz.

Fonte: AgnoCafe

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