Lagarta Parda prejudica produções baiana de café, eucalipto e cacau

Imprimir

Depois de contabilizar prejuízos em mais de R$ 2 bilhões com a Helicoverpa Armigera na Safra 2014/2015, Bahia cria programa fitossanitário para evitar novas perdas aos produtores

Após registrar prejuízos estimados em R$ 2 bilhões na Safra 2014/2015 por conta da Helicoverpa Armigera, o Estado da Bahia tenta se prevenir de outra praga. Trata-se da Lagarta Parda, que tem atacado as plantações de eucalipto, café e cacau.

Os problemas foram detectados nas regiões Sul e extremo Sul do Estado, próximo da fronteira com o Espírito Santo – um dos maiores produtores de café do País. Com isso, a Secretaria de Agricultura do Estado da Bahia (Seagri), fez, no começo de outubro, um programa fitossanitário para atuar no controle biológico.

"A primeira ocorrência que suscitou um trabalho foi no Extremo Sul foi por conta do eucalipto. Nós temos a necessidade de fazer um controle não só nas grandes propriedades, mas também nos pequenos produtores", observa a engenheira agrônoma da Agência de Defesa Agropecuária do Estado da Bahia (Abab) – autarquia controlada pela Seagri -, Suely Xavier.

Segundo a Seagri, 10 milhões de vespas, predadoras da Lagarta Prada foram soltas na região. "O programa lançado visa estabelecer um método de controle preventivo, para que não aconteça, por exemplo, o que aconteceu no Oeste do Estado com a Helicoverpa Armigera", diz o superintendente de Políticas do Agronegócio da Seagri, Guilherme Bonfim.

O diretor de Defesa Vegetal da Adab, Armando Sá, entende que a proliferação da Lagarta ocorreu também por conta das secas que atingem a região Nordeste do Brasil.

"Já em 2014, tivemos um levantamento nas áreas do Extremo Sul, e identificamos que tinha uma lagarta. Esse ano, por conta do clima, que teve chuvas reduzidas, a praga veio em um volume maior. Então foi necessário o programa", conta ele.

Há ainda outro problema: por conta do selo de qualidade internacional, as propriedades da região Sul e Extremo Sul baianas estão proibidas de usaragroquímicos

"Por conta da certificação internacional, elas só utilizam o produto biológico. Essas propriedades monitoradas são certificadas. Então, não podemos utilizar o produto químico", conta Sá.

No programa fitossanitário, foi constituída uma Comissão Técnica Regional (CTR), que vai atuar sobre a biologia, plantas hospedeiras, ocorrência, monitoramento e controle e saúde humana.

O secretário estadual da Agricultura, Paulo Câmera, lembrou que a Lagarta Parda, cujo ataque provoca o desfolhamento das plantas, já ocorre em 14 estados brasileiros, o que torna a questão um problema nacional diante dos efeitos que causa com graves reflexos na pauta de exportação. "A defesa agropecuária é uma das prioridades do governo, mas a participação do setor privado e dos produtores rurais é indispensável", disse.

Café
Um dos municípios do Sul da Bahia que teve a sua produção de café prejudicada é Itabela. Lá, de 20 a 30 mil hectares de café foram comprometidos por conta da Lagarta Parda. No extremo Sul do Estado são 10 mil hectares de comprometidos, desde indústria a produtor de médio e pequeno porte, além do eucalipto, conta o presidente executivo da Associação dos Eucaliptos do Extremo Sul da Bahia (Aspex), Gleyson Araújo.

"A Lagarta Parda faz parte do meio ambiente e já vivia nas produções sem causar nenhum tipo de dano. Além disso, passamos por um inverno com poucas chuvas e por isso teve um pouco mais de força", afirma o presidente da Aspex.

No dia do lançamento do programa fotossanitário, que aconteceu no município de Teixeira de Freitas, dois produtores relataram a ocorrência da praga nas suas produções de cacau, o que acendeu ainda mais o alerta no Estado.

Controle
O gerente-geral da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária(Embrapa) Café, Gabriel Bartholo, espera que o problema seja solucionado com o aumento da chuvas na região. Já que não é possível usar produtos químicos, ele avalia que o melhor método para o controle é o biológico.

"Essa lagarta fica centralizada, e as plantas, por terem uma característica mais espessa, conseguem tolerar melhor. Mas isso não causa tantas perdas do ponto de vista econômico, seja para o Café Arábica, seja para o Conilon", diz.

Na comparação entre a Helicoverpa Armigera e a Lagarta Parda, Bartholo entende que a primeira é muito mais agressiva. "O ciclo da Helicoverpa é pequeno e ela se multiplica rapidamente. É também muito mais voraz do que essas lagartas que costumam aparecer nos plantios de café", compara o gerente da Embrapa.

Fonte: DCI

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *