Laboratório da Ufes analisa presença de pragas em mudas de café

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Um laboratório do campus de São Mateus, na Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), no Norte do estado, está analisando a presença de nematóides das galhas nas mudas de café. Trata-se de uma praga que ataca a raiz da planta e impede a absorção de nutrientes.

O laboratório é um dos três credenciados em todo o país e o primeiro do estado. Os outros dois são em Minas Gerais e no Paraná. As análises são obrigatórias desde 2013, são fiscalizadas pelo Ministério da Agricultura, e ajudam a garantir a qualidade das mudas.

O nematóide é capaz de contaminar o solo permanentemente, e destruir lavouras inteiras. "Ele tem como característica a propagação junto a raiz. As fêmeas, na fase juvenil, penetram na raiz e fazem a infecção dessa raiz. Ela rapidamente se reproduz e coloca milhares de ovos que vão novamente infestar o solo e voltar para a raiz, formando um ciclo ali na beira da raiz de café", disse o responsável técnico pelo laboratório, Helder Ivo Pnadolfi

Ele explica que o parasita atua silenciosamente, e muitas vezes o produtor demora para perceber a infecção. "É uma perda oculta que se faz de produção. O produtor não sabe que está perdendo, mas tá perdendo", explicou Pnadolfi.

Desde 2013, uma portaria do Ministério da Agricultura passou a exigir que todos os viveiros de café tenham amostras das mudas analisadas, para identificar a presença do parasita.

O nematóide está sendo estudado em um laboratório da Ufes (Foto: Reprodução / TV Gazeta)

Para a análise, as mudas são divididas em lotes, de onde são recolhidas diversas amostras. Caso, durante a análise, for detectada a presença de nematóides em uma das mudas, todo o lote é obrigatoriamente destruído.

Esse procedimento é necessário porque, se uma muda que tem o nematóide for plantada no campo, ela contamina todo o solo e propaga a doença em toda a lavoura.

"Se tiver o nematóide nas amostras, o responsável técnico tem que destruir a muda contaminada, protegendo o produtor de comprar material contaminado", explicou o professor Marcelo Barreto.

Os viveristas enviam amostras de solo e de raiz para que seja analisada a presença da espécie. O professor explica que a análise é fundamental, porque hoje não existe nenhum método para eliminar a praga do solo.

"Nós temos algumas pesquisas em andamento tentando vários métodos de controle dessa praga. Mas não é fácil porque ela está de 20 a 30 cm para dentro do solo, então você não tem produto químico que alcance esse nematóide", explicou o professor.

O parasita infecta a raiz dos pés de café e contamina o solo (Foto: Reprodução / TV Gazeta)

Qualidade
O viveirista Ademir Antônio Basso cultiva mudas de café há 23 anos. A primeira medida após a exigência da análise foi tirar as mudas do solo e plantar em tubos que protegem mais o café.
"A análise em si garante a qualidade da muda, e essa garantia é essencial para a pessoa que está implantando, para fazer um bom investimento", disse o viveirista.

Além do café, o nematoíde também pode atingir outras culturas. Na região Norte do estado, há casos registrados em plantações de pimenta do reino e mamão. No entanto, a análise só é obrigatória para mudas de café.Laboratório da Ufes analisa presença de pragas em mudas de café

Fonte: G1 ES e TV Gazeta (Serli Santos)

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