Indústria pode ajustar blend para fazer frente ao aumento de custo do grão

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O diretor executivo Nathan Herszkowicz, da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), diz que o setor há meses acompanha com preocupação a escalada de preços do conilon. Esse tipo de grão, cultivado principalmente no Espírito Santo, é imprescindível nos blends das torrefadoras nacionais, misturado à maior proporção de arábica.

Desde o início de 2015, a saca de 60 kg do conilon, tipo 6, subiu pouco mais de 30%. O preço médio do produto saltou de R$ 283,28 em janeiro do ano passado para R$ 375,28 em novembro último, de acordo com dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP).

No período, a diferença de preço entre o conilon e o arábica caiu quase pela metade, de R$ 182,64 para R$ 94,11 a saca. "Não está fácil encontrar conilon, qualquer que seja o tipo de necessidade (mercado interno e exportação), afirma Nathan.

Ele acrescenta que a desvalorização do real em relação ao dólar complicou ainda mais a vida da indústria nacional. "A exportação de conilon se tornou bastante viável, pois ficou mais barato para os importadores". Em 2015, até novembro, o embarque brasileiro de robusta (4 milhões de sacas) foi cerca de 35% superior ante o ano anterior, que já foi melhor por causa da melhora da competitividade do produto em relação aos concorrentes, em particular o Vietnã. 

Quando a comparação é feita com 2013, a exportação de robusta em 2015 é cerca de 4 vezes maior. Com a redução da oferta no mercado interno, a alta do preço do conilon provocou impacto nos custos de produção das torrefadoras. "Muitas marcas de café, principalmente de grande consumo, alteraram o blend, para fazer frente à elevação dos custos de produção, mas preservaram as condições de aroma e sabor da bebida", observa Nathan.

Segundo ele, a técnica de mudança do blend não é simples, mas é a alternativa encontrada pela indústria para controlar custo. "O resultado do blend deve preservar aroma e sabor. Caso contrário, o consumidor pode estranhar e a reação é tentar outra marca, mas não é isso que está acontecendo", garante Nathan.

O diretor da Abic afirma que o cenário é complicado para a indústria, pois a dificuldade de suprimento de café conilon deve persistir por causa da possibilidade de reduzida oferta em 2016. Segundo ele, porém, a indústria ainda não manifestou falta ou escassez do produto. "Café existe. O problema é o custo elevado", salienta. Ao mesmo tempo, o setor vê aumento de preço da energia elétrica, do frete, entre outros insumos. "Reduzir custo é um processo permanente na indústria de café", conclui.

Fonte: Agência Estado

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