Indústria de juta quer ganhar

Imprimir

Nos novos tempos de consciência ecológica e preocupação com o meio ambiente, aumentam as estimativas de venda de uma indústria pouco conhecida do Norte do país e as esperanças de 15 mil famílias que vivem às margens dos rios da Amazônia e se dedicam à plantação de juta. Os fabricantes apostam que vai crescer a demanda pelo produto de juta com a proibição do uso das sacolas plásticas que se transformaram em um pesadelo no lixo e demoram centenas de anos para degradar.

Será uma reviravolta da História. Entre as décadas de 50 e 70, o Amazonas chegou a produzir 90 mil toneladas de juta, mas o volume aos poucos foi reduzido com a entrada do plástico no mercado nacional e a substituição da maioria das sacarias. "Chegamos a ter mais de 30 empresas de produtos acabados", relembra o agrônomo Arlindo Leão, secretário-executivo do Instituto de Fomento à Produção de Fibras Vegetais da Amazônia (Ifibram).

Hoje, são apenas três que utilizam menos de 20 mil toneladas da matéria-prima: Companhia Têxtil Castanhal (CTC), responsável por quase 70% do mercado, e Amazonjuta no Pará; além da Jutal, no Amazonas. Uma quarta fabricante, a Brasjuta, parceria público-privada com o governo do Amazonas, deve se juntar a este mercado. Todas sonham com um programa de revitalização do setor.

A juta é a única ou a principal fonte de renda da população às margens do Solimões na Amazônia e mantém um contingente considerável de pessoas empregadas em sua cadeia de produção. De origem indiana, a planta foi introduzida por imigrantes japoneses há cerca de 80 anos. A ela se juntou à malva, uma espécie nativa de características muito semelhantes, tratadas da mesma forma por produtores e indústria. A fibra das duas plantas é extraída de forma artesanal pelos ribeirinhos e usada hoje, principalmente, como matéria-prima para sacaria de café e batata. É uma cultura fácil, que se desenvolve bem nas várzeas que afloram na beira do Solimões, à medida que o rio baixa.

Produção artesanal

As plantas florescem de quatro a cinco meses depois de semeadas, mas a colheita precisa ser feita rapidamente, antes do período das cheias. Começa então para os ribeirinhos o processo de maceração, bem mais trabalhoso, necessário para que as fibras se desprendam do caule da planta, sejam lavadas, deixadas para secar em varais e depois guardadas em feixes, que são vendidos para os fabricantes.

No caso da CTC, a produção viaja de barco até Manacapuru, no Amazonas, depois vai de caminhão até Manaus, segue por balsa para Belém, sendo levada depois a Castanhal, sede da fábrica da empresa.

Em parceria com a Ifibram, a CTC vai apresentar ao Ministério da Agricultura um projeto de financiamento destinado a garantir que a produção da fibra atenda à demanda do mercado e dê mais segurança aos produtores. O projeto propõe um investimento governamental de R$ 13,6 milhões distribuídos ao longo de três anos para o melhoramento genético da planta e para a distribuição de sementes aos ribeirinhos. "Queremos produzir uma fibra mais fina para ter um saco mais leve e igualmente resistente para atender às exigências do mercado",diz Breno Pacheco Borges Neto, diretor administrativo da CTC.

Produto é muito utilizado para ensacar café

Além de ganhar espaço como um dos substitutos das sacolas plásticas, os fabricantes de juta apostam na expansão do mercado de exportação de café, que este ano teve um recorde de 34 milhões de sacas. Atualmente, os produtores de café são responsáveis por 65% do volume de vendas da juta. Por serem perecíveis, os GRÃOS tendem a perder, de forma gradual, suas características.

Por isso, precisam ser armazenados de forma a evitar ou retardar os fatores externos que costumam afetá-los, como umidade, temperaturas altas e luz. No Brasil e no mundo, quase a totalidade do café verde é armazenado em sacarias de juta de 60 quilos. O material também é usado para ensacar batatas e outros produtos, como amendoim, cacau, castanha, fumo e minério. Ultimamente, a juta também tem sido muito valorizada como matéria-prima de telas na proteção de pisos e encostas, na construção civil, na indústria automobilística (proteção de estofamentos) e para confecções de artesanato, de sacolas e bolsas, além de molduras, tapetes, complemento de gesso e tecelagem.

Fonte: Brasil Econômico

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *