Índios produzem café na Amazônia e geram empregos numa cidade

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A floresta fechada se partiu com a rodovia. Flashes de memória. Lembranças da menina de 12 anos, que veio do Sul, trazida pelas mãos do pai.

Globo Repórter: A cidade nasceu a partir daqui, da BR?
Lourdes Kenter, professora: Exatamente, essa região aqui foi os primeiros barracos, os primeiros comércios de Cacoal. Aqui era o centro de referência de todo mundo.

A cidade cresceu tanto – em menos de quatro décadas – por causa de um imigrante que veio de longe. Ele se adaptou muito bem ao clima de uma parte da Amazônia, cresceu e prosperou. Cacoal só é o que é hoje por causa dele, do café.

As mudas de café vieram na bagagem de quem se aventurou por essas bandas. E elas transformaram a vida de muita gente.

“O café é uma especiaria consumida no mundo inteiro. E quem não conhece, quando prova a primeira vez, se apaixona. Quando você trata bem o cliente e quando ele gosta do seu produto, que é o café, tudo isso vai te dar um retorno chamado dinheiro”, explica Bruno Assis, especialista em café.

Milhares de agricultores vieram para Cacoal na década de 1970. Seu Francisco foi um dos pioneiros. Veio com a família do Espírito Santo. Na cozinha de dona Neila não falta café fresquinho.

Juntos, eles plantaram café e colheram uma vida cheia de conquistas. Casa própria, carro e uma máquina de beneficiamento de grãos. Com o dinheiro da pequena usina caseira, os três filhos foram estudar. Letícia já está na faculdade. Assim como muitos outros filhos de Cacoal.

A cidade é hoje um centro universitário com mais de sete mil alunos e 38 cursos superiores, incluindo medicina. Tem até um centro de referência para o tratamento de câncer.

O crescimento dessa região acabou atraindo bons negócios para os índios também.

“Hoje no território todo a gente tem aproximadamente mais de 800 mil pés de café. Então, a partir dessa produção que nós estamos fazendo dentro do território Suruí, vai gerar emprego também para as cidades. Isso também aumenta a qualidade de vida de quem vai consumir nosso produto”, diz Almir Suruí, líder indígena.

Muito trabalho e vontade de crescer. Quem enxerga longe, vê surgir no Brasil do interior não apenas novas cidades, mas novas oportunidades.

Fonte: Globo Repórter

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